França tem Olise voando e Dembélé Bola de Ouro, mas nada supera Mbappé
Camisa 10 marcou duas vezes na estreia dos Bleus

Kylian Mbappé precisou de pouco mais de uma hora para transformar uma atuação preocupante em mais uma noite histórica. O capitão da França passou boa parte da estreia contra Senegal como um personagem secundário, errou quase tudo o que tentou e chegou a irritar parte da torcida no MetLife Stadium. Mas bastaram duas finalizações para mudar a narrativa, decidir a vitória por 3 a 1 e iniciar a Copa do Mundo de 2026 cercado de recordes e expectativas.
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A primeira impressão deixada pelo camisa 10 foi surpreendentemente ruim. Mbappé parecia desconectado do jogo. Errou controles simples, dribles, passes e escolhas. Senegal conseguia neutralizar seus movimentos e ainda se aproveitava de alguns erros do francês para contra-atacar. Em determinado momento, uma bola perdida por ele quase terminou em gol de Nicolas Jackson, que acertou a trave.
Se não fosse seu histórico, a atuação dos primeiros 60 minutos poderia até levantar dúvidas sobre uma eventual substituição. Mas Mbappé construiu a carreira justamente sobre a capacidade de sobreviver aos dias ruins. Poucos jogadores conseguem parecer tão perigosos mesmo quando jogam mal.
E foi exatamente isso que aconteceu. Aos 58 minutos, ele recebeu pela direita, acelerou e invadiu a área. Sadio Mané apareceu para impedir a progressão, e Mbappé caiu pedindo pênalti. A arbitragem mandou seguir, mas aquele lance pareceu marcar o início de uma nova partida.
A partir dali, o francês acelerou. Os movimentos nas costas da zaga passaram a encaixar, e Michael Olise, reposicionado mais centralizado por Didier Deschamps, encontrou os espaços que antes não apareciam. Os dois começaram a se entender melhor, e Senegal passou a sofrer.
Primeiro veio uma defesa de Édouard Mendy. Depois, um passe que Mbappé não alcançou por centímetros. Na terceira oportunidade, ele não desperdiçou.
Olise achou mais uma vez o camisa 10 atacando em diagonal. Mbappé finalizou de primeira, sem dominar, e abriu o placar. O gol mudou completamente a atmosfera do estádio e deu tranquilidade a uma França que até então fazia uma estreia insegura.
Senegal ainda diminuiu nos acréscimos, com Mbaye, mas a resposta foi imediata. Menos de dois minutos depois, Mbappé recebeu a cerca de 25 metros do gol e soltou uma bomba no ângulo. Um chute seco, potente, indefensável. Era o segundo gol dele na partida, o gol da vitória e mais um capítulo na sua coleção de recordes.
Com o doblete, Mbappé chegou a 58 gols pela seleção francesa e ultrapassou Olivier Giroud para se tornar o maior artilheiro da história dos Bleus. Também alcançou 14 gols em Copas do Mundo, superando Pelé, que fez 12, e deixando para trás Just Fontaine, dono de 13 gols no torneio.
Na saída do estádio, a reverência ao brasileiro foi imediata.
— Ele é o rei, o melhor — resumiu Mbappé, ao ser perguntado sobre ter ultrapassado Pelé.
Mas os números, embora impressionantes, parecem não ser a prioridade do atacante.
— Estou muito feliz por entrar um pouco mais na história do meu país. Sempre foi isso que eu quis fazer. Mas nós sabemos por que estamos aqui. Terei tempo para pensar nessas coisas mais tarde, quando parar de jogar. Estou aqui para ajudar a equipe, para continuar escrevendo, junto com meus companheiros, uma nova página da história da seleção francesa. Sabemos que o caminho é muito longo, mas estamos prontos.
A fala ajuda a explicar o momento vivido pelo astro francês. Desde o fim da temporada europeia, Mbappé transformou a Copa do Mundo em sua grande obsessão. A derrota para a Argentina na final do Catar, em 2022, ainda ecoa.
Mesmo tendo marcado três gols naquela decisão, ele saiu derrotado. E nunca escondeu que deseja uma revanche. Por isso, também descartou qualquer ideia de que os dois gols contra Senegal representassem uma resposta às críticas recebidas nas últimas semanas.
— Não existe revanche. Se eu começar a jogar para todas as pessoas que me criticam e tentar fazê-las calar a boca, eu teria que jogar até os 80 anos. Eu jogo para marcar a história do meu país e fazer com que a minha equipe chegue à final e ganhe a Copa do Mundo. O resto sempre fará parte do meu personagem e da minha carreira como jogador.
Os próprios companheiros enxergam a dimensão do que está por vir.
— Tenho certeza de que ele pode bater o recorde de gols da história da Copa do Mundo — afirmou Saliba após a partida.
A conta parece simples. Miroslav Klose lidera a lista com 16 gols. Mbappé já tem 14. E, se depender da estreia, pouco importa se ele demorou uma hora para entrar no jogo. Mbappé já mostrou mais uma vez que, mesmo nos dias em que parece distante do seu melhor, continua sendo capaz de decidir uma Copa do Mundo em poucos minutos.

O que vem por aí para a França?
Com o resultado, os franceses ficam na primeira posição do Grupo I. Noruega e Iraque, os outros integrantes do grupo, se enfrentam às 19h (de Brasília). O próximo jogo da França é na segunda-feira (22), contra o Iraque, às 18h (de Brasília).
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