Entidade denuncia recusa de vistos para jornalistas na Copa do Mundo
Associação Internacional de Imprensa Esportiva envia carta à Fifa sobre impedimentos a profissionais iranianos e africanos

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A menos de uma semana do início da Copa do Mundo de 2026, a Associação Internacional de Imprensa Esportiva (AIPS) cobrou providências da Fifa após relatar que jornalistas de diferentes países, especialmente do Irã e de nações africanas, tiveram pedidos de visto negados ou receberam autorizações que dificultam a cobertura do torneio nos Estados Unidos. A entidade afirma que a situação pode comprometer o trabalho da imprensa internacional durante a competição.
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Carta à Fifa denuncia problema
Em carta enviada à Fifa na quinta-feira (5), o presidente da AIPS, Gianni Merlo, classificou o problema como "antigo e inaceitável" e demonstrou preocupação com os impactos para profissionais já credenciados para o Mundial.
— Estamos diante de um problema antigo e inaceitável para nós, jornalistas: a recusa de vistos de entrada a colegas regularmente credenciados. Há muitos casos: colegas iranianos, colegas africanos, alguns dos quais receberam vistos de entrada única. Se a equipe deles jogar no Canadá ou no México e eles acompanharem a viagem, não poderão retornar aos Estados Unidos. Os casos são inúmeros e, repito, inaceitáveis.

O dirigente destacou que a restrição contraria o discurso de integração frequentemente associado ao esporte e alertou para os prejuízos enfrentados pelos profissionais afetados.
— Os políticos sempre dizem que o esporte une e constrói pontes entre jovens de países em conflito, mas, neste caso, estamos indo na direção oposta. Acreditamos que é importante permitir que os colegas participem do evento e trabalhem, pois a presença deles será crucial para a imagem do esporte e para o que ela representa, especialmente em um país como os Estados Unidos, onde a liberdade de imprensa é fundamental.
A AIPS também ressaltou que muitos jornalistas já tiveram gastos extras em função da demora na resolução dos processos migratórios.
— Espero que a Fifa faça todo o possível para garantir os vistos. Já estamos com um atraso significativo e muitos colegas perderam a oportunidade de utilizar passagens aéreas compradas com antecedência, além de enfrentarem despesas adicionais consideráveis.
Resposta da Fifa
Procurada, a Fifa confirmou o recebimento da carta e reconheceu as limitações de sua atuação no tema, uma vez que a entrada nos países-sede depende das autoridades nacionais responsáveis pelos processos migratórios.
— A possibilidade de entrada nos países anfitriões depende, em última análise, de questões consulares e de imigração.

Impacto da Copa em três países
A questão dos vistos tem sido um dos principais temas envolvendo a organização da Copa do Mundo desde o retorno de Donald Trump à presidência dos Estados Unidos. O governo norte-americano ampliou o rigor na análise de solicitações de entrada no país e adotou restrições que afetam cidadãos de algumas nações classificadas para o torneio.
As medidas incluem proibições de viagem para cidadãos de países como Irã, Haiti, Senegal e Costa do Marfim. Embora atletas, integrantes das delegações e familiares próximos tenham exceções previstas, as regras não se estendem automaticamente a torcedores e profissionais da imprensa.

O cenário gera preocupação adicional porque a Copa do Mundo de 2026 será disputada em três países. Em diversos grupos, seleções atuarão em cidades dos Estados Unidos, Canadá e México durante a primeira fase, exigindo deslocamentos internacionais constantes.
Com vistos de entrada única, jornalistas credenciados podem enfrentar dificuldades para retornar aos Estados Unidos após acompanharem suas equipes em partidas realizadas nos outros países-sede.
Pressão sobre a entidade
A situação aumenta a pressão sobre a Fifa e sobre seu presidente, Gianni Infantino, que nos últimos meses reforçou publicamente que os Estados Unidos estariam preparados para receber participantes de todo o mundo durante o torneio.
Ao longo do processo de preparação para a Copa do Mundo de 2026, a entidade tem defendido que o evento será uma oportunidade para aproximar diferentes culturas por meio do esporte. A denúncia da AIPS, porém, coloca em evidência os desafios enfrentados por profissionais da imprensa internacional às vésperas do início da competição.

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