Da seca às glórias: Argentina abandona fracassos e busca 5º título em oito anos
Lionel Scaloni é um dos responsáveis pela mudança de cenário da Albiceleste

Entre 1993 e 2021, a Argentina ficou 28 anos sem conquistar nenhum título dentre Copa do Mundo, Copa América e outros torneios de seleções. Foi o maior jejum da Albiceleste, que é uma das seleções mais tradicionais do mundo e a maior detentora de troféus da América do Sul.
Nem Lionel Messi parecia ser capaz de mudar a história de sucessivos fracassos da Argentina entre 2005 e 2021. O camisa 10 acumulou três vice-campeonatos da Copa América, além de ter perdido uma final de Copa do Mundo em 2014 para a Alemanha.
No entanto, a chave virou com a chegada de Lionel Scaloni no comando da equipe após a frustrante Copa do Mundo de 2018. Desde então, a Argentina conquistou quatro títulos e chega em sua 5ª decisão em busca de mais um troféu na sua história.
E apesar das buscas constantes por explicações e respostas para o sucesso da Argentina, não há nenhuma resolução mirabolante. Em entrevista ao Lance!, o jornalista Sergio Maffei, do "Olé", explicou o que mudou na Albiceleste para um sucesso instantâneo após a chegada de Scaloni.
- Não tem nada a ver com categorias de base, mas sim com o grupo de jogadores. O modelo de jogador que Scaloni elegeu para armar um grupo. O segredo da Argentina está em seu interior, além do futebol. Na convivência, na vontade de seguir vencendo, em como Scaloni lida com seus jogadores, em como privilegia mais as relações e a convivência do que uma questão tática. E ele se desenvolveu de um técnico quase sem experiência para alguém com grandes acertos táticos.
Na sequência, Maffei elogiou o fato de Scaloni ter montado uma equipe que não dependesse de Messi nos últimos anos, embora tenha admitido que o camisa 10 esteja sendo o ponto focal da Argentina nessa Copa do Mundo, o que considera ser o "mal que se via na seleção". No entanto, houve uma distribuição de responsabilidade nos últimos anos que contribuiu no sucesso da Albiceleste.
- O que mudou foi uma seleção com menos figuras. Messi se deixou de jogar para Messi e começou a jogar para a equipe. Scaloni conseguiu o que outros técnicos não conseguiram. A seleção deixou de jogar para Messi para que Messi jogasse para a equipe. O baixou de posto e o fez ser um a mais. Apareceu De Paul, Paredes, Otamendi. Depois chegaria Dibu Martínez. Todos transformaram Messi em um amigo e não na figura da equipe. É um time que briga, batalha, que trata de cobrir suas limitações na parte técnica com entrega, com não dar nenhuma bola por perdida, por dar tudo. Me parece que isso deu a seleção um outro DNA.
Após diversas turbulências na Copa do Mundo, a Argentina tem a chance de se reafirmar como a melhor seleção da década e repetir o feito do Brasil, que venceu duas edições consecutivas do Mundial em 1958 e 1962. Caso tenham sucesso, Lionel Scaloni, Messi e outros nomes do elenco entrarão para um hall reduzido de atletas com esse nível de glória.

Times da Argentina sofrem, mas Scaloneta tem sucesso
Uma questão que parece contraditória é que a Argentina de Lionel Scaloni vive uma onde de sucessos, enquanto os clubes hermanos não conseguem competir com os brasileiros por conta da diferença econômica e poder de investimentos.
Na Libertadores, a Argentina levou dois clubes para as últimas sete finais, mas River Plate e Boca Juniors foram vice-campeões em 2019 e 2023, respectivamente. Na Sul-Americana, os hermanos têm mais sucesso, tendo vencido três das últimas seis decisões com Lanús, Racing e Defensa y Justicia.
Entre 1994 e 2018, a Argentina conquistou 10 dos 25 títulos disputados da Copa Libertadores, enquanto o Brasil levou a melhor em 11 decisões, o que mostrava a existência de um equilíbrio maior entre os dois países em termos futebolísticos. No entanto, esse período coexistiu com a maior seca de títulos da Albiceleste.
Isso evidencia que não existe soluções extremamente profundas e complexas para a mudança da postura da Argentina em relação aos últimos anos. No entanto, Lionel Scaloni montou uma base e a mentalidade de uma equipe que tem a sorte de poder contar com Messi, que é considerado por grande parte da opinião pública o maior jogador de futebol desde Pelé.
A Argentina da Copa do Mundo de 2026 conta com 17 jogadores que estiveram no Mundial de 2022, o que bate com o que Maffei disse sobre Scaloni privilegiar as relações e a convivência entre os atletas. E só não tem mais nomes, pois Lo Celso e Nico González foram cortados por lesões antes do torneio no Catar.
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