Copa de 2026 terá recorde de técnicos estrangeiros e ausência inédita de brasileiros
Mais da metade das seleções será comandada por treinadores de outros países

A Copa do Mundo de 2026 começa nesta quinta-feira (11), e a competição ficará marcada não apenas pelo novo formato com 48 seleções, mas também por uma mudança cada vez mais evidente nos bastidores do futebol. Pela primeira vez na história do torneio, mais da metade das equipes será comandada por treinadores estrangeiros.
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Levantamento da Press FC aponta que 27 das 48 seleções classificadas para o Mundial terão técnicos de outra nacionalidade. O número representa um salto expressivo em relação à edição de 2022, no Catar, quando apenas nove equipes apostaram em profissionais estrangeiros.
A Argentina lidera a lista de países exportadores de treinadores, com seis representantes espalhados pelo torneio. Itália, França, Espanha, Alemanha e Portugal também terão técnicos trabalhando fora de seus países de origem.
Para o treinador e professor da CBF Academy, Roger Machado, o fenômeno acompanha a própria transformação do futebol moderno.
— Elementos da globalização atingem também o futebol. A Copa do Mundo é um campeonato de tendências, e as seleções que se destacam acabam influenciando metodologias e até a procura por profissionais de determinadas nacionalidades — analisa.
Segundo Roger, a circulação cada vez maior de jogadores pelo mundo também ajuda a explicar o movimento.
— O deslocamento migratório dos atletas gerou uma mistura muito grande de culturas e maneiras de jogar. Administrar grupos cada vez mais internacionais exige outras capacidades de liderança e gestão — explica.
A edição de 2026 também marcará um fato inédito para o futebol brasileiro. Pela primeira vez desde a Copa de 1930, nenhum treinador brasileiro estará à frente de uma seleção participante do torneio.
Em contrapartida, a própria Seleção Brasileira será comandada por um estrangeiro. O italiano Carlo Ancelotti estará no banco da Amarelinha e será um dos quatro técnicos italianos presentes na competição.
Diretor Executivo da FutPro Expo, Veridiano Pinheiro vê a contratação de profissionais de fora como um reflexo natural do cenário atual.
— A contratação de Carlo Ancelotti pela Seleção Brasileira exemplifica essa nova era, onde o foco está na qualificação e não na nacionalidade. Quando o mercado interno não oferece o perfil desejado, ampliar a busca para o cenário internacional torna-se um caminho natural — afirma.
Para Roger Machado, o desafio passa por equilibrar inovação e identidade.
— O treinador pode trazer novas metodologias e ideias, mas sem perder de vista a cultura futebolística do país que representa. O desenvolvimento passa por absorver conhecimento, mas também por preservar características que fazem parte da identidade daquela seleção — conclui.
Tabu histórico na Copa do Mundo
Apesar do crescimento da presença estrangeira nos bancos de reservas, um tabu segue intacto. Em toda a história das Copas do Mundo, nenhum treinador conquistou o título comandando uma seleção diferente de seu país de origem.

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