Como o gramado artificial explica o sucesso da Noruega sobre o Brasil

Escandinavos adotaram o sintético por causa das condições do clima

PorMarcio DolzanEnviado Especial
09/07/2026 06:55
Jogadores da Noruega treinam em Miami antes da jogo de quartas de final da Copa do Mundo com a Inglaterrra
Jogadores da Noruega treinam em Miami antes da jogo de quartas de final da Copa do Mundo com a Inglaterrra (Foto: Patricia de Melo Moreira/AFP)

MORRISTOWN, NJ (EUA) - A derrota do Brasil para a Noruega por 2 a 1 e a consequente eliminação da Seleção da Copa do Mundo passa muito por um aspecto que é polêmico no País: o gramado artificial. Tema de discussões acaloradas entre dirigentes e torcedores no Brasil, a grama artificial é uma das razões que explicam o crescimento do futebol norueguês no cenário mundial.

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— O aspecto mais importante é a mudança para campos artificiais em todos os níveis de prática. Não há mais campos de terra. Desde muito cedo, todos tiveram acesso a campos melhores — considera o jornalista Henrik Heldahl, do Nettavisen, um dos principais jornais digitais da Noruega.

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O país escandinavo fica na região do Círculo Polar Ártico. Assim, o frio, a neve e as chuvas são uma constante ao longo do anos. A incidência de luz solar também é menor, e o resultado é que historicamente era difícil encontrar campos de futebol em boas condições.

Nas últimas décadas, a Noruega passou a fazer uso massivo de gramados artificiais. Isso é visto desde os campos da principal liga de futebol do país — em que 12 dos 16 estádios não possuem mais grama natural — até estádios menores.

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Erling Halland, da Noruega, treina em Miami antes da jogo de quartas de final da Copa do Mundo com a Inglaterrra
Erling Halland é o grande nome da Noruega nesta Copa do Mundo (Foto: Carmen Mandato/Getty Images via AFP)

Foi em um estádio com grama artificial que o Bodo/Glimt fez história este ano, ao chegar às oitavas de final da Uefa Champions League logo na primeira vez em que o time disputou a principal competição de clubes da Europa.

À época, o meio-campista do Bodo/Glimt Patrick Berg, hoje um dos destaques da Noruega na Copa do Mundo, reconheceu a importância do gramado sintético para o futebol do país. Ao mesmo tempo, porém, admitiu que não era o piso da preferência dos jogadores.

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— Para ser honesto, a maioria dos jogadores, quando está crescendo, costuma jogar em gramados sintéticos. Eu prefiro jogar em grama natural, mas com o nosso clima, acima do Círculo Polar Ártico, é impossível manter um gramado natural bom durante o ano todo. Infelizmente, temos de jogar no sintético, é como as coisas são. Você se adapta ou reclama.

Satisfeitos ou não, fato é que as melhores condições para praticar o esporte ajudaram na formação de uma nova geração de atletas.

— Não tínhamos muitos jogadores com boa técnica na primeira década dos anos 2000, então houve uma forte ênfase, desde cedo, no desenvolvimento das habilidades técnicas. E tudo isso culminou em uma geração que é muito mais sólida tecnicamente do que qualquer geração do nosso passado — observa Henrik Heldahl, do Nettavisen.

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Foi essa geração da Noruega que domingo (5) eliminou o Brasil da Copa do Mundo, e que neste sábado vai tentar superar a Inglaterra em uma das quartas de final da competição.

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