ANÁLISE: Favoritas decepcionam na primeira rodada da Copa do Mundo
Brasil, Espanha e Portugal não vencem e nem convencem nas estreias

A primeira rodada da Copa do Mundo de 2026 terminou com resultados que frustraram algumas das principais candidatas ao título. Brasil, Espanha e Portugal estrearam sem vencer e apresentaram dificuldades que vão além dos placares. Os três empates expuseram problemas distintos: falta de criação, baixa efetividade ofensiva e desempenho abaixo do esperado diante de adversários considerados inferiores ou, no caso brasileiro, de nível semelhante.
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As três seleções chegaram ao torneio cercadas por expectativa. O Brasil ocupa a sexta posição do ranking da Fifa e busca o hexacampeonato. A Espanha iniciou a competição como segunda colocada do ranking e atual campeã da Eurocopa. Portugal, quinto colocado na classificação da entidade, desembarcou nos Estados Unidos como atual campeão da Liga das Nações da Uefa e com uma geração apontada entre as mais qualificadas de sua história recente.
Brasil cria menos que Marrocos e é salvo por Vini Jr.
O empate por 1 a 1 contra Marrocos não pode ser tratado como zebra. Afinal, o confronto reuniu a sexta e a sétima seleções do ranking da Fifa. O desempenho, porém, acendeu um alerta.
A equipe de Carlo Ancelotti terminou a partida com números inferiores aos do adversário nos principais indicadores ofensivos. Marrocos finalizou mais (14 a 12), criou mais grandes chances (2 a 1) e registrou xG superior (1,37 contra 1,26). A posse ficou praticamente dividida: 51% para o Brasil e 49% para os africanos.
O empate veio graças ao talento individual de Vinicius Júnior, autor do gol brasileiro. Coletivamente, a seleção produziu pouco e sofreu para controlar as ações do jogo.
Os números históricos reforçam a atuação abaixo do esperado. Foi a menor posse de bola do Brasil em estreias de Copa desde 2002. A seleção também registrou seu menor número de finalizações em uma estreia mundialista desde que há dados disponíveis para comparação e permitiu ao adversário seu maior volume de chutes em um primeiro jogo de Copa desde 1974. Além disso, Brasil x Marrocos foi a partida com menos finalizações de toda a primeira rodada do torneio.

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Espanha domina, mas para em Cabo Verde
Se o Brasil preocupou pela produção ofensiva, a Espanha decepcionou pela falta de eficiência. Atual campeã europeia e segunda colocada do ranking da Fifa, a seleção espanhola empatou por 0 a 0 com Cabo Verde, estreante em Copas do Mundo. O resultado foi, sem dúvida, a maior surpresa da rodada.
Os espanhóis controlaram amplamente a partida. Foram 27 finalizações, sete chutes no alvo, 800 passes trocados e 2,1 gols esperados. Ainda assim, não conseguiram superar a defesa cabo-verdiana.
A equipe também mostrou dificuldades para quebrar linhas defensivas. Apesar do domínio territorial, acertou apenas três passes em profundidade durante toda a partida. No duelo individual, completou somente sete dos 13 dribles tentados.
A ausência de Lamine Yamal e Nico Williams entre os titulares teve peso. Os dois entraram apenas na reta final. Até lá, a Espanha encontrou posse de bola, mas pouca capacidade de transformar controle em vantagem no placar.

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Portugal tem a bola, mas produz pouco contra a RD Congo
Portugal também estreou com empate e talvez tenha apresentado a atuação mais preocupante entre as favoritas. A seleção portuguesa abriu o placar aos seis minutos, com João Neves, mas não conseguiu sustentar a vantagem diante da República Democrática do Congo, que disputava sua primeira Copa em mais de cinco décadas. O jogo terminou em 1 a 1.
O dado que mais chama atenção é a desconexão entre posse de bola e produção ofensiva. Portugal terminou a partida com 75% de posse e 783 passes trocados, mas registrou apenas sete finalizações e somente um chute no gol — justamente o lance do gol marcado.
O xG (gols esperados) português foi de apenas 0,65, o que exemplifica a falta de oportunidades. As duas equipes criaram uma grande chance cada. Portugal também teve pouca capacidade de infiltração, com apenas um passe em profundidade e cinco dribles certos em 12 tentativas.
Cristiano Ronaldo teve participação discreta, enquanto o setor ofensivo encontrou dificuldades para transformar controle territorial em oportunidades claras. A própria imprensa internacional destacou a falta de criatividade e intensidade da equipe após a abertura do placar.
A primeira rodada não define o destino de uma Copa do Mundo. Ainda assim, Brasil, Espanha e Portugal encerraram suas estreias com mais perguntas do que respostas. Em comum, as três favoritas deixaram a sensação de que precisarão elevar o nível rapidamente para justificar o status que carregam desde antes do início do torneio.

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