Análise tática do Guffo: como Brasil pode ganhar do Haiti
Ancelotti tem agora a obrigação de mexer na estrutura para o jogo desta sexta-feira

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O empate contra o Marrocos foi o diagnóstico claro de que o Brasil chegou à Copa do Mundo tentando montar o avião em pleno voo. O técnico Carlo Ancelotti tem agora a obrigação de mexer na estrutura para o jogo contra o Haiti, nesta sexta-feira (19), às 21h30, na Filadélfia, nos Estados Unidos. Se não aplicar ajustes específicos, o vexame que flertou na primeira rodada pode se tornar inevitável. A boa notícia é que o caminho para salvar a Seleção Brasileira passa por uma estratégia que o próprio Ancelotti já usou com sucesso no Real Madrid: simplificar funções, equilibrar o meio e colocar quem decide perto do gol.
O grande problema do Brasil contra o Marrocos foi a engrenagem sem a bola. Para liberar Vini Jr. das obrigações defensivas, Ancelotti sacrificou Raphinha e sobrecarregou os volantes. O resultado foi um meio-campo esburacado, onde Casemiro sofreu fisicamente e o time sempre esteve em inferioridade numérica. Além disso, a lesão de Wesley quebrou a única dinâmica de corredor direito que funcionava, já que Paquetá centralizava e abria o espaço. Sem um lateral agudo, o ataque ficou torto e previsível.
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O que eu faria se fosse Ancelotti
Olhando para o Haiti, o cenário pede agressividade, mas com inteligência. Os haitianos perderam para a Escócia, mas não foram amassados. Jogaram num 4-4-2 organizado, tiveram mais posse e finalizaram mais. No entanto, um dado salta aos olhos: oito das nove finalizações escocesas foram de dentro da área do Haiti. Isso mostra uma vulnerabilidade crônica na proteção da entrada e do interior da área. É exatamente aí que o Brasil precisa machucar, e é por isso que a formação precisa mudar na sequência da Copa do Mundo.

A primeira mudança radical deve ser na linha defensiva. Danilo precisa voltar à lateral direita ao lado de Marquinhos, Gabriel Magalhães e Douglas Santos. Danilo não é um ala construtor como Wesley, mas oferece leitura, bom posicionamento e, principalmente, consistência para defender transições. Ele permite que o Brasil faça uma saída de três sólida, liberando o lado esquerdo para Douglas Santos apoiar ou fechar pelo meio quando necessário.
No meio-campo, a revolução precisa ser de intensidade e pisada na área. Para mim, Fabinho deve assumir a primeira "volância", sendo o responsável por carimbar a saída de bola e fazer o time andar. Ao lado dele, Danilo Santos (do Botafogo) é a peça que falta. Ele tem a capacidade de transição, de chegar à frente e de ocupar os espaços que o Haiti deixa na entrada da área. Com Bruno Guimarães partindo da esquerda para o centro, o Brasil ganha um meio-campo que defende com consistência e ataca com volume.
No ataque, a mudança passa por agressividade e um contra um. Luiz Henrique é o nome para a direita. Ele tem força para romper a marcação e alargar o campo, criando o espaço que o meio precisa para infiltrar. Na esquerda, Vini Jr. segue como a principal válvula de escape e o único que se salvou na estreia. Mas a grande novidade precisa ser no comando do ataque: Endrick. O Haiti sofre para proteger a área; ter um jogador com a força, o arremate e a personalidade do garoto é o encaixe perfeito para punir essa deficiência.

Mas tem que mudar a postura também
O Brasil finalizou muito contra o Marrocos, mas com baixa qualidade (baixo expected goals). Igor Thiago desperdiçou chances e não ofereceu a dinâmica necessária pelo chão. Endrick e Danilo Santos trazem exatamente o que faltou: capacidade de finalização real e infiltração vinda de trás. O modelo se aproxima do que Ancelotti gosta: pontas abrindo o campo, um volante de passagem, um meia que circula bem e uma defesa sustentada.
O Brasil tem talento de sobra, mas talento sem estrutura vira presa fácil em Copa do Mundo. O jogo contra o Haiti é a chance de Ancelotti provar que consegue ajustar a rota antes que seja tarde. As peças estão no tabuleiro, e o mapa da mina está desenhado. Basta ter a coragem de escalar quem realmente entrega o que o jogo pede. Se fizer isso, a Seleção ganha corpo; se insistir no erro, a Copa pode acabar muito mais cedo do que imaginamos.

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