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Gestão Esportiva na Prática: essência e movimento

Durante sete semanas procurei entender quem venceria a Copa. Ao final da travessia, descobri que a pergunta realmente importante era outra

PorFelipe Ximenes
Colunista
Rio de Janeiro (RJ)
22/07/2026 07:00

Autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, esse texto não reflete necessariamente a opinião do Lance!
Espanha conquistou seu segundo troféu de Copa do Mundo
Jogadores da Espanha comemoram o título da Copa do Mundo de 2026 (Foto: Odd Andersen/AFP)

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Durante sete semanas acompanhei esta Copa do Mundo tentando resistir à tentação de explicar acontecimentos complexos por meio de respostas simples. Em alguns momentos confirmei convicções que já carregava havia muitos anos. Em outros, precisei revê-las. Talvez esse tenha sido meu maior aprendizado. Não termino este Mundial apenas com respostas. Termino, principalmente, com perguntas melhores.

A Espanha conquistou a Copa porque construiu um ambiente extraordinariamente competitivo. Mas não porque controlou a competição. Ninguém controla uma Copa do Mundo.

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O campeão não foi uma fraude por ter contado com o acaso, nem uma consequência inevitável de um projeto perfeito. Foi uma equipe qualificada que construiu condições para competir e soube atravessar uma sequência de acontecimentos que jamais poderia controlar completamente.

Talvez essa seja a maior diferença entre organizações maduras e organizações ansiosas. As primeiras não acreditam que controlarão o futuro. Elas apenas trabalham para responder melhor quando ele chega diferente do esperado.

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O gol de Ferran Torres resume isso de maneira simbólica. Um jogador que perdera espaço durante a competição permaneceu preparado para decidir a partida mais importante de sua vida. Não porque alguém soubesse que aquele momento chegaria, mas porque o ambiente nunca lhe retirou o pertencimento.

Foi ali que percebi que ambientes fortes não são aqueles que escolhem bem seus 11 titulares. São aqueles que conseguem manter todos preparados para o momento em que o jogo pedir exatamente aquilo que apenas um deles poderá oferecer.

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Essa percepção me levou a outra reflexão, talvez ainda maior.

Equipes que mais me chamaram atenção na Copa pareciam redes

No início desta série escrevi que vivíamos a Copa dos ecossistemas. Hoje percebo que fui conservador. Talvez estejamos assistindo ao nascimento de uma nova arquitetura da liderança. Durante décadas desenhamos clubes, empresas e seleções como pirâmides. Alguém pensa no topo. Os demais executam abaixo.

As equipes que mais me chamaram atenção nesta Copa não pareciam pirâmides. Pareciam redes. A liderança circulava. Em alguns momentos estava no treinador. Em outros, no capitão. Depois, em um volante, em um atleta que saiu do banco ou em profissionais que sequer aparecem nas fotografias da comemoração.

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Começo a acreditar que o futuro pertence menos às organizações que distribuem autoridade e mais às que distribuem consciência. Liderança deixa de ser um lugar e passa a ser uma capacidade coletiva.

Isso mudou completamente a maneira como penso clubes, empresas e até a própria Seleção Brasileira. Não acredito que devamos copiar a Espanha. Copiar estruturas quase sempre produz caricaturas. Precisamos compreender os princípios.

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Precisamos colocar definitivamente a educação no centro do nosso futebol. Rever nossos processos de formação. Desenvolver atletas que interpretem o jogo e treinadores capazes de formar ambientes, e não apenas equipes.

Ao final desta Copa, saio convencido de que não precisamos abandonar aquilo que nos tornou diferentes. Precisamos apenas ter coragem de transformar aquilo que já não nos serve.

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É aí que enxergo o significado do título desta coluna. A essência nos lembra quem somos. O movimento impede que deixemos de ser relevantes.

Pensava que esses dois conceitos competiam entre si. Hoje penso exatamente o contrário.

Só permanece fiel à própria essência quem tem coragem de continuar mudando.

A bola parou de rolar. O nosso movimento, não.

Luis de la Fuente beija a taça da Copa do Mundo após conquista do título com a Espanha
Luis de la Fuente, técnico da Espanha, beija a taça da Copa do Mundo (Foto: Franck Fife/AFP)

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