Marlon, aos 41 anos, revela motivos para ter desistido da aposentadoria
Levantador do Fiat/Minas tem no currículo o título mundial com o Brasil em 2010

A média de idade do time titular do Fiat/Minas que entrou em quadra na vitória por 3 sets a 0 sobre o Vôlei Renata, no último sábado, em Campinas (SP), pela segunda rodada do returno da Superliga Cimed Masculina de vôlei, sem o levantador e capitão Marlon, era de 24 anos. Com ele, a média sobe para 27.
Mesmo sendo um dos jogadores mais velhos inscritos na atual temporada, Marlon, 41 anos, foi o destaque do triunfo mineiro no interior paulista. Jogando como passe na mão na maioria das vezes, fez estrago no time adversário e confirmou a tese de que levantador é como vinho: quanto mais velho, melhor.
Depois do jogo contra o Vôlei Renata, sempre muito solicito com torcedores e elogiado pelos rivais, Marlon bateu um papo com o Web Vôlei. Falou da família – a esposa Bárbara Yared e os filhos Marlinho, de 9 anos e Noah, de 3, são prioridade no momento -, elogiou a postura do jovem time minastenista, falou da atual relação com o voleibol e admitiu que já era para ter se aposentado no ano passado. Ainda bem – para o Fiat/Minas e para os amantes do vôlei – ele continua na ativa.
– Eu fiz um plano de carreira e, nele, eu iria me aposentar aos 40 anos, ou seja, na temporada passada. Mas, trabalhar em um clube com a estrutura do Minas e com essa molecada só me motiva mais. Me motiva, principalmente, por saber que eles precisam de mim para fazer essa passagem, e que por outro lado eu preciso deles para manter essa chama acesa. É uma troca muito bacana. Esse é o meu combustível – disse o jogador, que tem alguma passagens pontuais pela Seleção Brasileira – a primeira delas na Liga Mundial de 2008 – e foi campeão mundial em 2010, na Itália, como reserva de Bruninho.
– Eu aprendo muito com eles, diariamente. Eles são muito técnicos. Chegaram com uma técnica muito apurada. Agora é lapidar e isso o Minas sabe fazer como ninguém, o Nery (Tambeiro, técnico do Fiat/Minas) sabe fazer muito bem.
Essa é a terceira passagem de Marlon pelo clube mineiro. Ele defendeu o Minas nas temporadas 2004 a 2006, depois em 2010/2011 e, agora, está em Belo Horizonte desde 2017.
– Estar no Minas, com essa comissão técnica, e esse perfil de time, foi fundamental para a decisão de adiar a aposentadoria. Talvez, se estivesse em outro clube, estaria sendo exigido de uma maneira que não quero mais para mim. Fisicamente, principalmente. Estou em outro momento da minha vida, de curtir o entorno, curtir a família. Adoro saber que meus filhos estarão na arquibancada me vendo jogar, é uma motivação a mais para jogar cada vez melhor.
Natural de Guaíra (PR), 1,89m de altura, 80kg, Marlon é descendente de japonês e, na infância, chegou a visitar a cidade do avô materno, Saga Ken, perto de Osaka. Revela que é fascinado pela cultura japonesa e que gostaria de um dia ter defendido a camisa do Japão, mas o processo de naturalização é longo. As características orientais vão além dos olhinho puxados: educação, gentileza e tranquilidade – mesmo nos momentos difíceis dos sets – saltam aos olhos da torcida e de quem convive com ele.
E, essa tranquilidade é fundamental para orquestrar uma equipe com um potencial físico e técnico enorme, como a do Fiat/Minas, com futuras promessas do vôlei como Flávio, Davy, Felipe Roque, Rogerinho, Maique, Cledenilson e Honorato.
– É um time resiliente. Apesar de jovem, não se conforma com as derrotas contra adversários que teoricamente poderia perder. Aceita conselhos, ouve, treina forte, porque sabe que tem potencial. Todos sabem que podem melhorar e isso é muito importante.
A vitória contra o Sesc RJ, por 3 sets a 2, de virada, pelas quartas de final da Copa Brasil, foi um exemplo dessa resiliência, acredita Marlon. O Fiat/Minas, oitavo colocado na Superliga, enfrentou o então líder, por vaga na semifinal, um rival de investimento muito maior e com estrelas como o oposto Wallace, maior pontuador da temporada até agora.
– O time entendeu que cada ponto conta, cada jogo é uma história e que é possível vencer, desde o jogo encaixe. E foi o que aconteceu naquele jogo. Quem sai do banco, sabe o que tem de fazer e, como são jogadores bons tecnicamente e têm muito potencial físico, têm condição de fazer grandes partidas. Falta experiência, claro. Mas isso é com o tempo.
O Fiat/Minas enfrenta o EMS/Taubaté – quarto colocado na tabela da Superliga, com 29 pontos (10 vitórias e 3 derrotas), no próximo sábado, em Lages (SC), às 21h, por uma vaga na final, domingo, às 19h30.
A outra semifinal será disputada entre o atual campeão Sada/Cruzeiro e Copel Telecom/Maringá, às 19h. Todos os jogos da fase final terão transmissão pelo SporTV.
Pela Superliga, o adversário é o São Judas, dia 29.01 (terça-feira), às 17h, na Arena do Minas, pela terceira rodada do returno. O Fiat/Minas ocupa a sexta posição, com 20 pontos (7 vitórias e 6 derrotas). A partida também terá transmissão pelo SporTV.

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