EXCLUSIVO PARA ASSINANTES

Paquetá e Bruno Guimarães: sintonia entre amigos que fortalece a Seleção

Entrosamento entre os meias foi decisivo na vitória sobre o Haiti e expõe uma parceria construída no Lyon e no videogame

PorLucas BayerRio de Janeiro (RJ)
22/06/2026 07:00
Fotos de Lucas Paquetá e Bruno Guimarães (Foto: Arte)
Fotos de Lucas Paquetá e Bruno Guimarães (Foto: Arte)

Carregando conteúdo exclusivo...

Na vitória da Seleção Brasileira por 3 a 0 sobre o Haiti, Lucas Paquetá e Bruno Guimarães foram protagonistas no meio de campo e funcionaram como uma engrenagem de organização e criação. Bruno ditou o ritmo e sustentou a construção, enquanto Paquetá foi o elo criativo entre meio e ataque. Mas a sintonia entre os dois vai além de campo e nasce de uma relação construída ao longo dos anos fora dele.

continua após a publicidade

O entrosamento apareceu tanto nos números quanto na leitura de jogo. Bruno Guimarães se apresentou constantemente para a construção, participando da saída de bola e acelerando a progressão ofensiva com passes verticais. Já Paquetá atuou entre linhas, aproximando meio e ataque e sendo decisivo na criação das principais jogadas do Brasil. A sintonia entre os dois ajudou a Seleção a controlar o jogo com mais fluidez e intensidade, especialmente nas transições ofensivas.

Entrosamento que aparece nos números e na leitura de jogo

Bruno Guimarães foi um dos principais organizadores da saída de bola da Seleção. Contra o Haiti, se posicionou para receber passes em 77 ocasiões, assumindo papel central na progressão ofensiva. Sua atuação foi marcada pela busca constante por passes verticais e pela tentativa de acelerar o jogo com qualidade, conectando defesa e ataque com poucos toques.

continua após a publicidade

Além disso, o meio-campista teve papel importante sem a bola, participando ativamente da pressão e vencendo 8 dos 11 duelos que disputou, o que ajudou a manter o Brasil dominante territorialmente.

Bruno Guimarães em Brasil x Haiti
Bruno Guimarães em Brasil x Haiti: eficiência nos desarmes e nos passes (Foto: Roberto Schmidt/AFP)

Paquetá, por sua vez, foi o jogador que mais se aproximou da função de articulador clássico, de um camisa 10. Após uma estreia abaixo do esperado na competição, o meia respondeu com uma atuação mais solta, participativa e decisiva.

continua após a publicidade

Ele atuou entre linhas, explorando os espaços entre meio e ataque, e foi peça-chave na construção da jogada do gol de Vini Jr, além de aparecer em outras ações de criação que desequilibraram a defesa haitiana.

Paquetá conduz a bola na vitória do Brasil sobre o Haiti: articulador do meio-campo (Foto: Roberto Schmidt/AFP)

Funções complementares em campo

O que explica a boa atuação da dupla vai além da técnica individual. Existe uma lógica de complementaridade bem definida. Bruno Guimarães atua como o termômetro da Seleção: dita o ritmo, oferece profundidade de passe e sustenta a construção desde a base. Já Paquetá opera em uma zona mais avançada e criativa, flutuando entre setores e dando o último toque de qualidade na transição ofensiva.

Essa dinâmica ficou evidente ao longo do jogo. No terceiro gol do Brasil, por exemplo, enquanto a equipe iniciava a construção com Casemiro, Bruno acelerou sua projeção para frente, criando uma nova linha de passe e abrindo espaço para que Paquetá pudesse acionar Vini Jr com mais liberdade.

Já no segundo gol, a leitura coletiva apareceu de forma ainda mais clara: Bruno fechou linhas centrais, forçando a jogada haitiana para o lado, onde Paquetá interceptou a bola e iniciou a transição que resultaria em mais um gol brasileiro.

Após a partida da Seleção contra o Haiti, Paquetá enalteceu a parceria que tem com Bruno Guimarães em campo.

"A gente se conhece bastante desde a época de Lyon, com um entrosamento muito bom, se entende muito bem dentro de campo. Então, fico feliz de estar podendo ajudar ele também dentro de campo e acho que a gente tem que seguir crescendo e evoluindo."

Amizade no Lyon e conexão construída fora de campo

Se dentro de campo a sintonia chama atenção, fora dele a relação entre Paquetá e Bruno Guimarães ajuda a explicar parte do entrosamento. A amizade entre os dois, "crias" do Rio de Janeiro, cresceu na França, quando atuaram juntos no Lyon entre 2020 e 2022. Ali, além do futebol, construíram uma relação próxima também com as famílias, o que ajudou a consolidar uma conexão que vai além do ambiente profissional.

Paquetá e Bruno Guimarães no Lyon (Foto: Divulgação)
Paquetá e Bruno Guimarães no Lyon: amizade fortalecida na França (Foto: Divulgação)

Mas a origem da amizade vem de antes disso, de um cenário bem menos óbvio: o videogame. Os dois se conheceram e criaram laços jogando "Call of Duty", onde Paquetá chegou a usar o apelido "Paquetop".

Essa relação evoluiu para além das telas. Hoje, os dois também compartilham projetos fora do futebol, como a criação de um time de futebol 7, o Orelhas FC, que inclusive nasceu com a ambição de disputar a Kings League Brasil.

Orelhas FC, time de fut 7 de Bruno Guimarães e Paquetá (Foto: Divulgação
Orelhas FC, time de fut 7 de Bruno Guimarães e Paquetá (Foto: Divulgação)

📲 Siga o Lance! no WhatsApp e acompanhe as principais notícias do Brasil na Copa do Mundo

Apoio nos bastidores em momento decisivo da carreira

A relação ganhou ainda mais força em um dos períodos mais delicados da carreira de Paquetá, quando o meia foi investigado por suposta participação em esquema de apostas.

Durante esse período, Bruno Guimarães foi uma das principais figuras de apoio ao amigo. Segundo relatos do próprio jogador, houve troca constante de mensagens, encontros e conversas com familiares, em um processo de suporte emocional que ajudou Paquetá a atravessar o momento de incerteza.

"Desde o começo quando as coisas saíram, a gente se reunia e conversava. Não sei ainda se posso contar muitos detalhes do que envolveu, mas a gente estava se falando desde o começo. Eu, ele, minha esposa e a esposa dele conversamos bastante. A gente sempre tentou passar força, energia positiva para ele, sempre acreditando no Lucas, na versão dele e no irmão que ele é para mim. A gente até marcava de se encontrar para jantar e também sair pouco do mundo do futebol, porque foram dois anos, mas para ele pareceu uma eternidade. Foi um momento difícil para ele, mas a gente sempre tentou estar do lado dele. Enfim, tiveram muitas trocas muito longas de choro, agonia, mas de uma grande felicidade também conforme as audiências iam acontecendo e ele ia ganhando. Foi algo que fortaleceu ainda mais a amizade que a gente tem."

Lucas paquetá e Bruno Guimarães ao lado de suas esposas (Foto: Reprodução)
Duda Fournier, Lucas paquetá, Bruno Guimarães e Ana Lídia (Foto: Reprodução)

Bruno Guimarães chegou a afirmar que o período fortaleceu ainda mais a amizade entre os dois, destacando a importância de estar presente em um momento em que o colega vivia forte pressão fora de campo.

Posteriormente, quando Paquetá foi negociado ao Flamengo, em seu retorno ao clube, Bruno Guimarães, torcedor do Vasco, deixou a rivalidade de lado e celebrou o momento do amigo.

" E o Paquetá, fechou mesmo? Que ele seja feliz lá. Ele é meu irmão, quero que ele seja feliz. Mesmo no Flamengo. Eu sou Vasco, né (risos). Mas, fazer o que." - disse ao programa da TV Globo "Convocadas".

Bruno Guimarães e Lucas Paquetá (Foto: Reprodução)
Bruno Guimarães e Lucas Paquetá: parceria dentro e fora de campo (Foto: Reprodução)

Uma parceria que ultrapassa o futebol

Hoje, a imagem que fica é de uma dupla que se completa em múltiplos níveis: técnico, tático e humano. Paquetá e Bruno Guimarães não apenas ajudam a estruturar o meio de campo da Seleção Brasileira, como também simbolizam uma nova geração de jogadores conectados dentro e fora de campo, onde amizade, confiança e leitura de jogo caminham juntas.

🔥 Esportivabet — R$100 de volta se perder
É preciso ter mais de 18 anos para participar de qualquer atividade de jogo de apostas. Jogue de forma responsável.

Sugerida para você!


Mais LANCE!