Marquinhos usa exemplo do PSG para blindar Seleção após estreia
Zagueiro relembra campanhas irregulares do time francês nas últimas Champions

MORRISTOWN, NJ (EUA) - O empate por 1 a 1 com Marrocos na estreia da Copa do Mundo ainda gera reflexões dentro da Seleção Brasileira. Se o resultado deixou dúvidas sobre o desempenho da equipe de Carlo Ancelotti em Nova Jersey, para o capitão Marquinhos a experiência recente no Paris Saint-Germain serve como um exemplo de que campanhas vitoriosas nem sempre começam de forma brilhante.
O zagueiro recorreu ao próprio histórico para defender calma e confiança no trabalho que vem sendo desenvolvido. Segundo ele, os últimos títulos conquistados pelo PSG foram construídos justamente depois de inícios turbulentos.
— Nos dois últimos anos no PSG não começamos bem, nos primeiros jogos, depois ganhamos confiança e conseguimos melhorar. E saímos campeões das competições. Em Copas do Mundo, a gente já viu isso também. Seleções que não começaram bem a Copa e depois conseguiram grandes coisas. O grupo sabe que pode melhorar. Temos um treinador que vai nos mostrar o que melhorar e vamos buscar resultados melhores nesses dois próximos jogos — afirmou.
A comparação feita por Marquinhos encontra respaldo nos números recentes do clube francês. Na temporada 2024-2025, o PSG atravessou uma primeira fase bastante irregular na Champions League. A equipe terminou apenas na 15ª colocação da fase classificatória, conquistando somente quatro vitórias em oito partidas. O desempenho obrigou os franceses a disputar os playoffs antes de avançar ao mata-mata. Mesmo longe do favoritismo naquele momento, o time cresceu ao longo da competição e terminou levantando a taça.
O roteiro se repetiu na temporada seguinte. Em 2025-2026, o PSG novamente sofreu para engrenar nas primeiras rodadas da principal competição europeia. A equipe encerrou a fase de grupos na 11ª posição e, mais uma vez, precisou passar pela etapa extra dos playoffs antes de alcançar as fases decisivas. O desempenho inicial esteve longe de empolgar, mas o crescimento coletivo ao longo dos meses foi determinante para mais uma campanha vencedora.
Por isso, o capitão brasileiro acredita que o empate diante dos marroquinos não deve ser tratado como um sinal definitivo sobre o potencial da Seleção nesta Copa. Internamente, a avaliação é de que a equipe ainda está assimilando conceitos de Ancelotti e possui margem significativa de evolução.
— Já passei por isso no meu clube, outros jogadores também. Sabemos que o nível é muito alto, que tudo passa pelos detalhes, por minimizar ao máximo os erros, por aproveitar também os erros do adversário e por sermos fortes, porque vamos passar por momentos difíceis — completou.
A fala do defensor também reforça um discurso que vem sendo repetido nos bastidores da delegação desde o empate na estreia: a Copa do Mundo é uma competição de construção gradual. Embora a atuação contra Marrocos tenha deixado algumas preocupações, especialmente em relação à criação ofensiva e ao encaixe defensivo em determinados momentos, a comissão técnica entende que o torneio oferece tempo para ajustes.
Agora, o Brasil volta suas atenções para o duelo contra o Haiti, na próxima sexta-feira (19), na Filadélfia. A partida ganhou peso extra após a igualdade na rodada inaugural. Ainda assim, dentro do grupo, a mensagem transmitida por Marquinhos é clara: o caminho até um possível título não será definido pelos primeiros 90 minutos da competição, mas pela capacidade da equipe de crescer quando a Copa começar a exigir mais de seus protagonistas.

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