Entenda como amistoso com o Panamá pode ajudar o Brasil contra o Haiti

Amistoso contra os panamenhos no Maracanã serviu de ensaio para a Copa

Enviados Especiais
17/06/2026 06:55
Raphinha disputa bola no amistoso do Brasil contra o Panamá
Raphinha disputa o lance contra defensor do Panamá (Foto: Mauro Pimentel / AFP)

Quando a Seleção Brasileira goleou o Panamá por 6 a 2 no amistoso de preparação para a Copa do Mundo, no Maracanã, ainda antes do embarque para os Estados Unidos, muita gente enxergou apenas mais um teste protocolar no calendário. Mas a escolha do adversário pelo departamento de Seleções Masculinas da CBF — comandado por Rodrigo Caetano — esteve longe de ser aleatória.

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Nos bastidores da preparação brasileira, a ideia era expor o time de Carlo Ancelotti a características que seriam encontradas dias depois na fase de grupos do Mundial. E, neste aspecto, o Panamá (que ocupa a 34ª posição no ranking da Fifa) cumpria um papel importante: representar o estilo de futebol frequentemente encontrado na América Central e no Caribe, região da qual faz parte o Haiti (83º na lista da entidade), adversário do Brasil (6º no ranking da federação) na próxima sexta-feira, na Filadélfia.

Não se trata de afirmar que Panamá e Haiti são seleções gêmeas ou que atuam exatamente da mesma maneira. As diferenças existem e são significativas. O Panamá atual, por exemplo, desenvolveu um modelo de jogo mais organizado com a bola nos pés, fruto do trabalho realizado nos últimos anos. Já o Haiti costuma apostar mais na velocidade, na força física e nos ataques verticais.

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Ainda assim, existe um ponto de encontro entre as duas equipes: ambas carregam características tradicionais do futebol da Concacaf. São seleções competitivas, intensas nos duelos individuais, fortes fisicamente e perigosas quando encontram espaço para acelerar as transições ofensivas.

Foi justamente esse cenário que a comissão técnica brasileira buscou reproduzir antes da Copa.

No amistoso disputado no Maracanã, o Brasil encontrou dificuldades durante parte da partida. Apesar da vitória elástica, a equipe não teve vida tranquila nos primeiros 45 minutos e sofreu com alguns momentos de intensidade do adversário. O panorama mudou na etapa final, quando a superioridade técnica dos brasileiros apareceu de forma mais clara e transformou o placar em goleada.

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O roteiro serve como alerta para o compromisso desta sexta-feira, na Filadélfia. O Haiti mostrou na estreia contra a Escócia que está longe de ser um mero participante da Copa do Mundo. Apesar da derrota por 1 a 0, a equipe caribenha criou dificuldades, manteve o jogo aberto até os minutos finais e obrigou os escoceses a permanecerem em estado de alerta até o apito final.

A impressão de que o Haiti será apenas um adversário defensivo também não encontra respaldo nos números. Na estreia da Copa do Mundo, apesar da derrota por 1 a 0 para a Escócia, os caribenhos foram mais agressivos ofensivamente. O Haiti terminou a partida com 15 finalizações, contra apenas nove dos escoceses. O dado chama ainda mais atenção quando analisadas as tentativas dentro da área: foram oito conclusões haitianas na zona mais perigosa do campo. A derrota acabou sendo determinada pela maior eficiência europeia, mas os números mostram uma equipe que não tem receio de atacar e criar volume ofensivo.

É justamente nesse aspecto que o amistoso contra o Panamá ganha relevância. Embora os panamenhos tenham características próprias, o Brasil enfrentou um rival acostumado a acelerar transições e atacar em velocidade sempre que recuperava a posse de bola. Mesmo encontrando dificuldades em alguns momentos da partida, especialmente no primeiro tempo, a Seleção conseguiu produzir ofensivamente. Foram 20 finalizações ao longo do jogo, sendo 12 na direção do gol defendido por Waterman. O volume de ataques permitiu à equipe de Carlo Ancelotti encontrar soluções diante de um adversário físico e competitivo, cenário semelhante ao que deverá encontrar diante do Haiti.

A experiência acumulada diante do Panamá pode ganhar valor justamente agora. Mais do que os seis gols marcados, o amistoso permitiu que o Brasil enfrentasse um rival acostumado a competir em alta intensidade, pressionar fisicamente e explorar espaços em velocidade. A partida se resolveu após as entradas de Endrick, Igor Thiago, Rayan e Lucas Paquetá. No jogo de sexta-feira, apenas o jogador do Flamengo deve ser titular. Os outros serão opções no banco de reservas.

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Ancelotti sabe que a partida contra o Haiti dificilmente será resolvida apenas pelo peso da camisa. O empate diante do Marrocos na estreia deixou claro que a Copa do Mundo costuma punir qualquer excesso de confiança.

Por isso, a goleada sobre o Panamá ganha uma nova leitura às vésperas do segundo compromisso brasileiro no Grupo C. O amistoso não serviu para apresentar um retrato perfeito do Haiti, mas funcionou como uma espécie de "clone regional", uma amostra das dificuldades que o futebol da Concacaf costuma impor.

Se o Panamá funcionou como um ensaio do futebol que o Brasil encontraria na Concacaf, os números da estreia do Haiti mostram que a Seleção terá pela frente um rival disposto a competir, atacar e testar novamente a capacidade brasileira de controlar um jogo de alta intensidade. Isso, na Copa do Mundo, costuma valer muito mais do que a posição de cada seleção no ranking da Fifa.

Copa America - Brasil x Haiti
No último duelo contra o Haiti, o Brasil venceu por 7 a 1 na Copa America Centenário, disputada nos Estados Unidos (Foto: HECTOR RETAMAL/AFP)

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