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Por que Endrick ainda não joga na Seleção? Lance! explica o cenário

Apesar do brilho em amistosos, Ancelotti age com cautela para escalar o atacante

Enviados Especiais
16/06/2026 06:55
Endrick no empate da Seleção Brasileira contra Marrocos (Foto: Alexandre Brum/Agencia Enquadrar/Folhapress)
Endrick no empate da Seleção contra Marrocos: ele ficou no banco apesar da má atuação do ataque (Foto: Alexandre Brum/Agencia Enquadrar/Folhapress)
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MORRISTOWN, NJ (EUA) - A ausência de Endrick entre as principais opções de Carlo Ancelotti na Seleção Brasileira voltou a ganhar força após as recentes declarações do pentacampeão Vampeta. O ex-volante revelou ter ouvido de antigos companheiros do jogador que o atacante não teria conseguido se enturmar durante o Pré-Olímpico de 2024, competição que terminou com a histórica eliminação do Brasil na corrida por uma vaga nos Jogos de Paris.

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Mas será que essa é realmente a explicação para o pouco espaço do atacante de apenas 19 anos?

A resposta encontrada pelo Lance! após ouvir pessoas que acompanharam a trajetória de Endrick nas categorias de base da Seleção aponta para um cenário bem diferente.

Entre treinadores, integrantes de comissões técnicas e profissionais que conviveram com o jogador desde os tempos de Seleção Sub-15, o discurso é praticamente unânime: nunca houve relatos consistentes de problemas de comportamento ou relacionamento que justificassem uma eventual resistência ao atleta.

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Pelo contrário. Quem acompanhou o início da caminhada de Endrick na Seleção descreve um garoto extremamente focado, disciplinado e obcecado pela carreira. Ainda adolescente, já apresentava um comportamento considerado incomum para a idade.

Brilho e personalidade já aos 15 anos

Uma situação específica é frequentemente lembrada por quem esteve ao lado do atacante durante o tradicional Torneio de Montaigu, na França, uma das primeiras competições internacionais disputadas pelo jogador, em 2022. Aos 15 anos, ele estava na Seleção Brasileira sub-17 e foi artilheiro e eleito melhor jogador da competição.

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Enquanto boa parte dos jovens atletas vivia o deslumbre natural de uma convocação para a Seleção Brasileira — redes sociais, mensagens, novos seguidores e a atenção que a camisa amarela proporciona —, Endrick seguia outro caminho.

Namorando desde cedo, evitava excessos e, segundo relatos ouvidos pela reportagem, costumava alertar outros companheiros sobre os riscos das distrações fora de campo.

A prioridade era uma só: futebol.

Esse perfil, aliás, sempre chamou atenção.

Desde os 15 anos, Endrick demonstrava uma autoconfiança acima da média. Era o tipo de jogador que dizia que resolveria a partida, que assumia responsabilidades e que não escondia a convicção sobre o próprio talento.

Para alguns grupos, esse comportamento pode ser visto como liderança. Para outros, dependendo do contexto e da hierarquia estabelecida, pode ser interpretado de maneira diferente.

Há quem enxergue justamente aí uma possível origem para determinadas resistências que surgem naturalmente em ambientes competitivos. Não porque exista um problema concreto de convivência, mas porque Endrick nunca foi o atleta que seguiu discursos prontos.

Ele não costuma repetir frases de efeito nem adotar automaticamente referências apontadas pelo ambiente. É um jogador que construiu sua própria personalidade desde cedo e sempre demonstrou segurança ao expressar suas opiniões.

Nos bastidores da base, porém, isso jamais foi tratado como um problema. Muito pelo contrário. As avaliações sempre o colocaram como um atleta acima da média tanto tecnicamente quanto no aspecto comportamental.

Sua ascensão também foi incomum. Depois de brilhar em Montaigu, pulou etapas rapidamente. Saiu das categorias inferiores para equipes mais velhas, participou de ciclos acima de sua idade e acelerou um processo que normalmente leva anos.

Quando chegou ao profissional do Palmeiras, consolidou de vez a imagem de fenômeno.

Por isso, dentro da própria Seleção, existe dificuldade para encontrar fatos concretos que sustentem teorias sobre problemas extracampo.

Uma fonte ouvida pela reportagem foi direta:

— Se existisse algo realmente comprometedor, provavelmente isso já teria aparecido em algum momento — disse essa fonte ao Lance!

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Endrick fez gol na estreia no Pré-Olímpico contra a Bolívia, mas caiu de desempenho na fase final (Foto Divulgação/CBF)

Decepção no Pré-Olímpico

O Pré-Olímpico, entretanto, continua sendo um capítulo importante da discussão.

Na competição disputada na Venezuela, Endrick ficou abaixo da expectativa criada ao seu redor. Não houve registros de problemas disciplinares ou conflitos internos, mas a sensação compartilhada por integrantes daquele ambiente foi de que o atacante não conseguiu apresentar todo o futebol de que era capaz.

— Para quem acompanha futebol, nós vimos o Endrick ser diferente desde que chegou ao Palmeiras, sempre muito promissor e sempre jogando em categorias acima. E desde cedo teve a ajuda dos profissionais do Palmeiras na sua formação, e sempre com a responsabilidade de assumir o protagonismo com muita naturalidade, esbanjando carisma. Por isso, carrega com ele o rótulo de atleta diferenciado, hoje muito bem assessorado, com um senso de profissionalismo impressionante. Enquanto estive à frente da seleção brasileira, tivemos a presença do Endrick apenas em uma oportunidade (Pré-Olímpico). Logo depois já estava na seleção principal e no Real Madrid. Todo grande jogador tem por característica fazer uma cobrança individual e querer sempre se superar. E ele mostrou isso ao se transferir para poder jogar e ser convocado. O Ancelotti é muito inteligente e vai saber fazer com que ele brilhe na Copa — afirmou Ramon Menezes, treinador da Seleção no Pré-Olímpico.

O Brasil fracassou na tentativa de classificação para Paris-2024 e o camisa 9 acabou carregando parte desse peso. Mas transformar aquele desempenho em justificativa para sua atual situação parece simplificar demais a questão.

Até porque existe um fator muito mais evidente: Carlo Ancelotti. No Real Madrid, o treinador italiano também utilizou Endrick com cautela. E os motivos foram amplamente conhecidos dentro do clube espanhol.

O primeiro deles foi a concorrência. Endrick passou a disputar espaço com alguns dos melhores atacantes do mundo em um elenco repleto de estrelas consolidadas. Em diversos momentos, Ancelotti optou por jogadores que entregavam características táticas específicas para cada partida.

Outro ponto importante foi o processo de adaptação. O treinador nunca escondeu que esperava evolução nos treinamentos e maior compreensão dos movimentos coletivos exigidos pelo sistema de jogo merengue.

Em mais de uma entrevista, Ancelotti ressaltou que o brasileiro precisava continuar trabalhando para conquistar espaço de forma natural.

Além disso, lesões musculares na coxa interromperam sequências que poderiam ter sido decisivas para acelerar sua integração ao elenco principal.

Endrick cumprimenta Ancelotti ao ser substituído em Real Madrid x Mallorca, pela La Liga
Endrick cumprimenta Ancelotti ao ser substituído em Real Madrid x Mallorca, por La Liga (Foto: Pierre-Philippe Marcou/AFP)

Ancelotti não quer queimar etapas

O histórico ajuda a entender o presente. Na Seleção Brasileira, Ancelotti parece seguir exatamente a mesma linha adotada em Madri: proteção, desenvolvimento gradual e ausência de pressa.

Muito mais do que qualquer suposto episódio do passado, a impressão nos bastidores é que o técnico italiano evita depositar expectativas excessivas sobre um jogador que ainda está construindo sua trajetória no mais alto nível do futebol mundial.

Endrick continua sendo tratado como um dos maiores talentos de sua geração. A questão não parece ser comportamento, relacionamento ou episódios do Pré-Olímpico. A questão, ao menos por enquanto, é timing.

E, na visão de Ancelotti, talvez ainda não tenha chegado o momento de entregar todo o peso do ataque brasileiro para um garoto de 19 anos.

Endrick treina no CT da Seleção em Morristown: à espera de uma chance (Foto Mauro Pimentel / AFP)

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