Ex-Ancelotti, astro da Noruega promete dificultar a vida do Brasil na Copa
Capitão da Noruega superou críticas e falta de espaço na Espanha para se tornar um dos principais perigos ao esquema do técnico brasileiro

A partida entre Brasil e Noruega, duelo decisivo pelas oitavas de final da Copa do Mundo, coloca frente a frente duas equipes cercadas de astros do futebol mundial. A seleção norueguesa, que chega ao confronto com o objetivo de realizar a melhor campanha do país na história dos Mundiais, deposita suas esperanças em um dos principais jogadores do elenco: Martin Odegaard. O capitão da equipe nórdica e destaque neste torneio traz consigo uma antiga relação com o comandante brasileiro Carlo Ancelotti e com outros craques da Amarelinha.
Expectativa, chegada ao Real Madrid e relação com Ancelotti
Em janeiro de 2015, com apenas 16 anos de idade, Odegaard foi contratado como uma das maiores promessas do futebol mundial pelo Real Madrid. Na época, o elenco principal dos Merengues era treinado por Carlo Ancelotti, que se encaminhava para o fim de sua primeira passagem pela Espanha, que durou de julho de 2013 a junho de 2015.
O jovem desembarcou no clube cercado de expectativas que renderam até mesmo o apelido de "Messi Norueguês". As comparações e a pressão em cima do garoto aumentaram por integrar um grupo recém-campeão da Champions League (2014) e recheado de astros como Cristiano Ronaldo, Benzema, Toni Kroos, Luka Modrić, James Rodríguez, Isco e entre outros.
O atual capitão da seleção norueguesa comentou, em carta para o site "The Players Tribune" em 2023, sobre a sua chegada ao Real Madrid e como as percepções criadas pelas pessoas sobre ele não eram realistas.
— Mas, de uma forma estranha, acho que aquele momento acabou ajudando bastante a melhorar a percepção que as pessoas tinham de mim. Assim que você fica famoso, as pessoas esperam que você seja de um jeito específico. Como se você fosse um super-herói, capaz de tudo. Você sabe jogar futebol, então também precisa saber falar bem, ser confiante e se dedicar ao máximo o tempo todo. Mas isso não é realista — recordou Martin Odegaard.
Com o status de futura estrela, o jovem norueguês chegou à capital espanhola com um acordo especial, repleto de regalias e diferente dos atletas de sua idade. Ele treinaria diariamente com o elenco titular, mas jogaria regularmente pelo time B, o Real Madrid Castilla, que na época era comandado por Zinédine Zidane. Porém, esse planejamento inicial, traçado para o desenvolvimento do meia, acabou não sendo produtivo.
— Fizemos um plano com o clube: eu treinaria todos os dias com o time principal, mas também jogaria regularmente pelo time B. Na época, pareceu um plano inteligente, mas, no fim das contas, não consegui me firmar em nenhum dos dois grupos — afirmou o jogador em sua carta ao The Players Tribune.

Início da relação com Carlo Ancelotti
Nesse contexto de cifras milionárias e projeções elevadas, Odegaard iniciou sua trajetória no Real Madrid e sua convivência, mesmo que curta, com o atual técnico do Brasil, Carlo Ancelotti.
Após cinco meses de treinos com o elenco, o jovem teve a primeira chance na equipe principal sob o comando do treinador italiano. No dia 23 de maio de 2015, ele entrou na partida, substituindo Cristiano Ronaldo, tornando-se, na época, o atleta mais jovem a estrear com a camisa merengue, com 16 anos, cinco meses e seis dias, atuando por 32 minutos.
Apesar do debute precoce, Odegaard só voltou a entrar em campo pelo time principal do Real Madrid no ano de 2020. Nesse intervalo, passou pelo time B, conviveu com outros técnicos, acumulou empréstimos e acabou vendido. Em seu livro "Liderança Tranquila, Ganhando Corações, Mentes e Partidas", lançado em 2016, Ancelotti relembrou a contratação do norueguês, criticando a negociação conduzida pelo presidente Florentino Pérez.
— Quando Florentino compra um jogador norueguês, simplesmente você tem que aceitar. Pode ser que ele seja o melhor do mundo, mas não me importa, porque eu não pedi sua contratação. Foi um negócio fruto de relações públicas — escreveu o ex-treinador do Real Madrid.
Empréstimos e venda ao Arsenal
Carlo Ancelotti deixa o Real Madrid em junho de 2015 e Odegaard continua no clube. Atuando mais pelo Real Madrid Castilla, time B da equipe merengue, o jovem passou a ser visto como uma moeda de troca no mercado de transferências, sendo cedido em quatro oportunidades entre 2017 e 2021.
A primeira parada foi no SC Heerenveen, da primeira divisão holandesa. Pela equipe, o meia atuou 43 vezes, marcou três gols e deu cinco assistências, em uma passagem que durou de janeiro de 2017 a junho de 2018.
Ao retornar, o Real Madrid optou por cedê-lo novamente à Holanda, desta vez ao SBV Vitesse. Entre agosto de 2018 e junho de 2019, o jogador esteve em campo em 39 oportunidades, balançando as redes 11 vezes e distribuindo 13 assistências.
O terceiro empréstimo foi caracterizado como um passo definitivo de sua carreira. Em julho de 2019, o atleta foi repassado à Real Sociedad, onde obteve destaque, participando ativamente, com um gol, da partida que eliminou o próprio Real Madrid da Copa do Rei da temporada 2019/2020. No total, foram 36 jogos, sete gols e nove assistências pelo clube basco.
Durante o período em que esteve emprestado, o Real Madrid foi comandado por Julen Lopetegui (2018), Santiago Solari (2018-2019) e Zinedine Zidane (2016-2018 e 2019-2021). Foi apenas com o técnico francês, na temporada 2020/2021, que Odegaard recebeu novas chances na equipe principal de Madrid, somando nove jogos, mas sem participações em gols.

A virada de chave na carreira de Odegaard veio em 2021. Após um período inicial de seis meses cedido ao Arsenal, o clube londrino adquiriu o passe do atleta em definitivo por € 35 milhões.
A trajetória pelo Real Madrid, iniciada sob forte impacto, terminou após seis anos com 11 partidas oficiais e nenhum gol. O próprio Odegaard declarou que a experiência moldou sua postura atual dentro de campo.
— Deixei de jogar com a faísca que era típica do meu jogo. Fiquei um pouco cauteloso demais por um tempo. Estava mais preocupado em não cometer erros do que em jogar o meu jogo. E o meu jogo sempre foi sobre fazer a diferença. Dar o passe difícil. Agora eu entendo por que isso aconteceu. Eu ainda era um garoto, mas aprendi que você tem que ser implacável. Tem que não se importar com nada. Tem que mostrar o seu verdadeiro eu em campo — desabafou o meia. escreveu Odegard em sua carta publicada no site The Players Tribune, no ano de 2023.
A volta de Ancelotti e a negociação com o Arsenal
A transferência definitiva para o Arsenal envolveu diretamente o técnico que o promoveu na estreia profissional. Carlo Ancelotti retornou ao Real Madrid em julho de 2021 e teve papel importante na liberação do astro para o futebol inglês.
Em abril de 2025, antes de um confronto contra o Arsenal pelas quartas de final da Champions League, o comandante italiano relembrou o período em que teve o norueguês no elenco, pontuando que a falta de espaço se devia à concorrência com um trio histórico composto por Modrić, Kroos e Casemiro, além do surgimento dos brasileiros Vinicius Jr. e Rodrygo.
— Ele era muito jovem. Já tinha esse talento aos 16 anos. Saiu do clube em busca de novas experiências e é um dos melhores meio-campistas da Europa atualmente — declarou o treinador à época.
O treinador completou, destacando a qualidade de Odegaard, a jovem idade com que ele chegou ao Real Madrid e a possibilidade de atuar em um dos melhores clubes da Europa.
— Martin Ødegaard era talentoso aos 16 anos, quando estava aqui no Real Madrid, assim como é excelente agora. Não havia espaço para ele provar sua qualidade, ele decidiu ir para outro lugar pela chance de jogar. Ele foi para um dos melhores clubes da Champions League — completou Ancelotti na entrevista coletiva.
A decisão da mudança de Odegaard se mostrou acertada. Após cinco anos no clube inglês, o meia-campista acumula conquistas importantes, final de Champions League e até o posto de capitão da equipe. O astro norueguês acumula 234 jogos, com 42 gols e 46 assistências, vestindo a camisa do Arsenal.
Classificação da Noruega e o jogo contra o Brasil na Copa
A Noruega venceu a Costa do Marfim por 2 a 1 e agora enfrenta o Brasil nas oitavas de final da Copa do Mundo. Com o resultado, os marfinenses se despedem da competição após a primeira classificação da história ao mata-mata.
Agora, a Seleção Brasileira terá Odegaard e Haaland pelo caminho na busca pelo hexacampeonato. As equipes se enfrentam no próximo domingo (5), às 17h (de Brasília), no MetLife Stadium, em Nova Jersey, por uma vaga nas quartas de final da Copa do Mundo. Será a segunda partida da Seleção no estádio, onde empatou por 1 a 1 com o Marrocos na estreia da fase de grupos.

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