Convocação do volante Éderson mostra carência de talentos nas laterais
Sem os grandes nomes do passado, Ancelotti recorre a veteranos e zagueiros improvisados

- Matéria
- Mais Notícias
A opção de Carlo Ancelotti pelo volante Éderson para o lugar do lateral-direito Wesley, cortado da Seleção Brasileira neste domingo por causa de uma lesão muscular na coxa esquerda, confirma a carência de talentos para a posição. Diferentemente da tradição do passado, o Brasil já não tem laterais que são referência no futebol mundial.
Relacionadas
De Djalma Santos e Nílton Santos, passando por Carlos Alberto Torres, Jorginho e Branco até a dupla do penta, Cafu e Roberto Carlos, a Seleção Brasileira teve nomes marcantes nos dois lados da defesa em todos os títulos mundiais. Mesmo em tempos menos vitoriosos, o país revelou craques como Daniel Alves e Marcelo. Nenhum país produziu tantos bons jogadores nas laterais na história do futebol. No entanto, hoje a busca da Seleção se limita a opções "seguras" ou improvisações.
PH e Vitinho foram opções descartadas
Ancelotti convocou veteranos já longe do auge: Danilo, na direita, e Alex Sandro na esquerda. No caso do defensor rubro-negro, é uma improvisação, já que ele atua no clube como zagueiro. O mesmo vale para Ibañez, outro zagueiro que agora é o reserva imediato para a lateral direita. O treinador tinha Paulo Henrique, do Vasco, e Vitinho, do Botafogo, na lista de 55 pré-convocados, mas escolheu o volante Éderson, da Atalanta, da Itália, porque nenhum dos dois laterais de origem teve atuações convincentes na seleção.
Mesmo o titular cortado, Wesley, talvez não fosse a primeira opção do treinador. O jogador da Roma atuou durante a temporada no clube pelo lado esquerdo, com mais destaque ofensivo. Assim, sua utilização como defensor contra os principais pontas do mundo gerava uma certa preocupação. O principal candidato a ser titular na lateral direita era Éder Militão, zagueiro do Real Madrid, que já desempenhou a função. Mas ele sofreu grave lesão e não pôde ser convocado. Também por contusão, o Brasil perdeu Vanderson, do Mônaco.

Laterais-direitos (ou zagueiros improvisados) chamados na Era Ancelotti:
| Jogador | Clube | Idade | Convocações com Ancelotti |
|---|---|---|---|
Wesley | Roma (ITA) | 22 | 5 |
Vitinho | Botafogo (BRA) | 26 | 2 |
Vanderson | Mônaco (FRA) | 24 | 3 |
Paulo Henrique | Vasco (BRA) | 29 | 2 |
Éder Militão | Real Madrid (ESP) | 28 | 3 |
Danilo | Flamengo (BRA) | 34 | 2 |
Ibañez | Al-Ahli (SAU) | 27 | 1 |
➡️ Siga o Lance! no WhatsApp e acompanhe em tempo real as principais notícias do esporte
Na esquerda, Alex Sandro é sintoma da falta de renovação
Jogador de carreira sólida no futebol europeu, Alex Sandro enfrentou a competição de Filipe Luís e Marcelo pela lateral-esquerda da Seleção Brasileira durante o seu auge. Já mais velho, foi premiado pela longevidade e se firmou como titular devido à falta de boas opções jovens. Mesmo agora, aos 35 anos e em momento inconstante no Flamengo, surge como alternativa mais confiável para Ancelotti.
O segundo convocado na função, com grandes chances de titularidade durante a Copa, é Douglas Santos, do russo Zenit. O jogador teve boa passagem pelo Atlético-MG, mas voltou ao radar da Amarelinha de forma surpreendente aos 32 anos.
Outros quatro laterais-esquerdos foram chamados por Ancelotti durante o ciclo da Copa: Caio Henrique (Mônaco), Carlos Augusto (Inter de Milão), Luciano Juba (Bahia) e Kaiki Bruno (Cruzeiro). Os dois representantes do futebol europeu não fizeram temporadas de tanto destaque, enquanto os atletas que jogam no Brasil não foram testados no mais alto nível de enfrentamento e, por isso, foram descartados na lista final para o Mundial.
Portanto, a Seleção não tem atualmente laterais-esquerdos titulares nos maiores clubes do futebol europeu. Bem diferente de poucos anos atrás, quando Alex Sandro, Marcelo e Filipe Luís eram figuras importantes de Juventus, Real Madrid e Atlético de Madrid, respectivamente.
Laterais-esquerdos chamados na Era Ancelotti:
| Jogador | Clube | Idade | Convocações com Ancelotti |
|---|---|---|---|
Caio Henrique | Mônaco (FRA) | 28 | 3 |
Carlos Augusto | Inter de Milão (ITA) | 27 | 2 |
Alex Sandro | Flamengo (BRA) | 35 | 4 |
Douglas Santos | Zenit (RUS) | 32 | 3 |
Luciano Juba | Bahia (BRA) | 26 | 1 |
Kaiki Bruno | Cruzeiro (BRA) | 23 | 1 |
Improviso foi solução do campeão da Premier League
A necessidade de improviso evidencia a falta de opções do Brasil. No entanto, a crise dos laterais não é exclusiva da Seleção Brasileira. Na carência de jogadores que combinem poder ofensivo e segurança defensiva, alguns treinadores optam por abrir os zagueiros. Campeão da Premier League e vice da Champions League, o Arsenal joga com dois centrais improvisados: Calafiori e Ben White.
No universo das seleções, campeãs mundiais recentes servem como exemplo para o Brasil. Em 2018, a França utilizou o zagueiro Pavard na lateral-direita. Na edição anterior, o central Höwedes foi o lateral-esquerdo da campeã Alemanha. Portanto, uma improvisação de Ancelotti no setor pode ser menos desesperadora do que parece.
- Matéria
- Mais Notícias


















