menu hamburguer
imagem topo menu
logo Lance!X
Logo Lance!

O Dia D de Ancelotti: as escolhas para buscar o hexa com a Seleção

Treinador tem seis dias para consolidar base da estreia na Copa

Márcio Iannacca
Rio de Janeiro (RJ)
Dia 07/06/2026
10:41
Ancelotti conversa com Marquinhos durante treino da Seleção (Foto: Rafael Ribeiro / CBF)
imagem cameraAncelotti conversa com o capitão Marquinhos em treino da Seleção (Foto: Rafael Ribeiro / CBF)

  • Matéria
  • Mais Notícias
Conteúdo Especial
Carregando conteúdo especial...

MORRISTOWN, NJ (EUA) — O que a Seleção Brasileira de Carlo Ancelotti e as forças Aliadas que conseguiram vencer a Segunda Guerra Mundial têm em comum?

continua após a publicidade

O dia 6 de junho carrega um peso histórico que atravessa gerações. Em 1944, o chamado Dia D marcou o desembarque das forças Aliadas nas praias da Normandia, dando início à ofensiva que mudaria os rumos da Segunda Guerra Mundial e abriria caminho para a libertação da Europa Ocidental. O resultado final daquela batalha ainda estava distante, mas a direção da história começava a ser escrita ali.

Guardadas todas as proporções, o dia 6 de junho de 2026 pode representar algo semelhante para Carlo Ancelotti. Não pelo tamanho do acontecimento, evidentemente, mas pelo simbolismo de um marco inicial. A vitória por 2 a 1 sobre o Egito, em Cleveland, foi o último amistoso antes da estreia na Copa do Mundo e pode ter sido o momento definitivo para o treinador italiano consolidar as escolhas que levará na busca pelo hexacampeonato.

continua após a publicidade

Ancelotti e a base da Seleção

Ancelotti desembarcou nos Estados Unidos transmitindo segurança. A espinha dorsal da equipe parecia desenhada na sua cabeça. Alisson no gol. Wesley, Marquinhos, Gabriel Magalhães e Douglas Santos formando a linha defensiva. Casemiro e Bruno Guimarães comandando o meio-campo. Na frente, um conjunto móvel construído para explorar velocidade, técnica e troca constante de posições.

Mas, como acontece em qualquer planejamento, a realidade apresentou um obstáculo inesperado.

A lesão de Wesley contra o Egito abriu a primeira grande interrogação do Mundial. O lateral vinha sendo peça fundamental, não apenas por suas características individuais, mas pelo impacto que causava na estrutura coletiva da equipe.

continua após a publicidade

Sem a bola, o Brasil se organizava em um 4-4-2 compacto. Com a posse, porém, a fotografia mudava completamente. Douglas Santos fechava por dentro ao lado de Marquinhos e Gabriel Magalhães, formando uma linha de três defensores. Wesley ganhava liberdade total para avançar e praticamente atuar como um ponta pela direita.

Era uma engrenagem pensada para potencializar a agressividade ofensiva da Seleção.

Nem Danilo, nem Ibañez reproduzem esse comportamento de forma natural.

Danilo surge como a alternativa mais provável. Experiente, líder do elenco e conhecedor dos grandes torneios, oferece segurança e leitura tática. Em compensação, exige adaptações na forma de atacar. O corredor direito perde profundidade e o time passa a depender mais das movimentações dos homens de frente.

Ibañez representa uma solução diferente. Sua entrada poderia fortalecer a linha defensiva e permitir novas variações estruturais, mas também afastaria o Brasil da ideia original concebida por Ancelotti durante a preparação.

Se existe uma área em que o treinador parece confortável, ela está no meio-campo.

Casemiro e Bruno Guimarães formam hoje uma das duplas mais equilibradas da Copa. O volante do Manchester United funciona como o guarda-costas da equipe, protegendo a defesa e organizando as coberturas. Bruno é o elo entre a contenção e a criatividade. Marca, participa da construção e aparece na área adversária como elemento surpresa.

Não por acaso, foi dele o primeiro gol brasileiro diante do Egito.

Mas existe uma terceira alternativa que também pode ganhar força nos próximos dias. Em vez de mexer apenas na defesa, Ancelotti pode optar por reforçar o meio-campo com a entrada de Lucas Paquetá. O meia teve boa atuação diante do Panamá, quando participou da construção das jogadas e ajudou a dar fluidez à equipe. Contra o Egito, porém, passou mais discreto e não conseguiu repetir o mesmo nível de influência.

A presença de Paquetá adicionaria mais controle e qualidade na circulação da bola em uma região do campo que costuma decidir partidas de Copa do Mundo. Ao mesmo tempo, obrigaria o treinador a realizar ajustes no setor ofensivo. Não necessariamente uma mudança de conceito, já que a mobilidade dos atacantes continuaria sendo uma característica da equipe, mas provavelmente uma alteração de peças para acomodar um homem a mais na faixa central. Seria uma forma de tornar o Brasil mais forte na posse de bola e no controle do ritmo do jogo, especialmente diante de adversários que congestionam os espaços entre as linhas.

A grande dúvida parece estar alguns metros à frente.

O setor ofensivo é justamente onde as certezas de Ancelotti convivem com as atuações que pedem revisão. A ideia inicial passa por um quarteto extremamente móvel. Raphinha, Matheus Cunha e Luiz Henrique alternando posições constantemente, enquanto Vini Jr. parte do lado esquerdo para acelerar, driblar e atacar os espaços.

Na teoria, um sistema difícil de ser marcado.

Na prática, porém, a entrada de Endrick contra o Egito reacendeu o debate. O jovem atacante marcou o gol da vitória, aumentou a intensidade ofensiva e mostrou mais uma vez que consegue transformar poucos minutos em impacto imediato.

São aquelas dúvidas que todo treinador gosta de ter.

Por isso, o amistoso em Cleveland talvez tenha sido mais importante do que o placar sugere. Assim como o Dia D de 1944 não representou o fim da guerra, mas o começo da ofensiva decisiva, a vitória sobre o Egito não entregou troféus nem garantiu conquistas. O que ela fez foi indicar um caminho.

Um caminho que Ancelotti acredita já conhecer.

Resta saber se as certezas que o italiano trouxe na bagagem resistirão aos imprevistos que surgiram pelo percurso ou se, como acontece em toda grande campanha, serão justamente as boas dúvidas que ajudarão a conduzir o Brasil rumo ao tão sonhado hexacampeonato.

Seleção Brasileira de Ancelotti já tem base na cabeça do treinador (Foto: Rafael Ribeiro)
Seleção Brasileira de Ancelotti já tem base na cabeça do treinador (Foto: Rafael Ribeiro)

🔥 Aposte R$100 na Esportivabet e receba R$100 de volta se perder
*É preciso ter mais de 18 anos para participar de qualquer atividade de jogo de apostas. Jogue de forma responsável.

  • Matéria
  • Mais Notícias