Como os pilares do Brasil conquistaram a confiança de Ancelotti
Treinador tem espinha dorsal da Seleção Brasileira para o início da Copa

MORRISTOWN, NJ (EUA) - Desde que assumiu a Seleção Brasileira, em maio de 2025, Carlo Ancelotti tem repetido um discurso nos bastidores e nas entrevistas: confiança é algo que se conquista. Ao longo dos 12 jogos à frente do Brasil, o treinador italiano consolidou uma espinha dorsal formada por seis jogadores que hoje são considerados intocáveis em sua equipe: Alisson, Marquinhos, Casemiro, Bruno Guimarães, Vini Jr. e Raphinha.
Mais do que titulares, eles representam diferentes aspectos que Ancelotti valoriza em um elenco campeão: liderança, experiência, personalidade, capacidade técnica e entendimento do jogo. O treinador ainda possui outros atletas de extrema confiança, como Danilo, frequentemente utilizado por sua versatilidade e influência no grupo, mas são esses seis nomes que formam a base da Seleção para a Copa do Mundo.
Veja o que cada um fez para conquistar a confiança do comandante italiano:
Alisson: experiência e segurança no gol

Considerado há anos um dos melhores goleiros do mundo, Alisson chegou ao ciclo de Ancelotti com uma vantagem difícil de ser ignorada: a bagagem. Prestes a disputar sua terceira Copa do Mundo, o goleiro do Liverpool participou de seis partidas sob o comando do italiano e sofreu apenas três gols.
A titularidade foi construída principalmente pela experiência em grandes competições. Em um torneio curto como a Copa, Ancelotti valoriza a capacidade de tomar decisões sob pressão, característica que Alisson já demonstrou em diversas oportunidades na carreira.
Marquinhos: liderança silenciosa e exemplo diário
Marquinhos disputou oito dos 12 jogos da era Ancelotti. Curiosamente, os dois nunca trabalharam juntos no Paris Saint-Germain. O italiano deixou o clube francês em maio de 2013, e o zagueiro chegou apenas no mês seguinte.
Ainda assim, o capitão da Seleção rapidamente ganhou a admiração do treinador. Nos bastidores, é visto como um exemplo de profissionalismo e comportamento. Recentemente, uma atitude de liderança envolvendo Gabriel Magalhães durante a final da Champions League reforçou ainda mais o respeito que possui dentro do grupo. Para Ancelotti, Marquinhos é uma referência técnica e moral do elenco.
— Gesto muito bonito, de um capitão, de um profissional sério que entende perfeitamente o que pode acontecer no futebol. Gabriel também. É uma pessoa inteligente, entendeu perfeitamente que no futebol se pode errar. O importante é ser capaz de superar rapidamente o erro. Acho que ele tem todas as características, e estou convencido de que já superou esse tema porque está focado no que vai acontecer nos próximos dias — disse o treinador.
Casemiro: o porta-voz de Ancelotti dentro de campo

Nenhum jogador simboliza tanto a conexão entre Ancelotti e a Seleção quanto Casemiro. O volante participou de 11 dos 12 jogos do treinador e marcou dois gols.
O retorno do meio-campista à equipe nacional coincidiu justamente com a chegada do italiano à CBF. Não foi por acaso. Casemiro foi peça fundamental do Real Madrid que conquistou cinco títulos da Champions League, dois deles sob o comando de Ancelotti.
Mais do que a qualidade técnica, o treinador vê no volante alguém capaz de transmitir sua filosofia de jogo aos companheiros. Internamente, Casemiro é tratado como uma espécie de extensão do técnico dentro das quatro linhas.
Bruno Guimarães: crescimento, liderança e protagonismo
Bruno Guimarães é um dos jogadores que mais evoluíram desde a chegada de Ancelotti. O meio-campista esteve presente em dez partidas e marcou dois gols.
O jogador do Newcastle conquistou espaço por meio de atuações consistentes e de uma postura cada vez mais madura dentro do grupo. O treinador aprecia sua capacidade de controlar o ritmo das partidas e assumir responsabilidades nos momentos decisivos.
A combinação entre qualidade técnica e liderança transformou Bruno em um dos pilares do meio-campo brasileiro.
Vini Jr.: a aposta que Ancelotti ajudou a transformar em estrela

Se existe um jogador que simboliza a relação de confiança construída ao longo dos anos, esse nome é Vini Jr. O atacante participou de dez jogos na Seleção sob o comando do italiano e marcou três gols.
Foi Ancelotti quem acompanhou de perto a transformação do brasileiro em protagonista mundial no Real Madrid. Juntos, conquistaram as Champions League de 2021/22 e 2023/24. Na última delas, Vini atingiu o auge ao conquistar o prêmio de melhor jogador do mundo.
O treinador sempre acreditou que o atacante poderia alcançar esse patamar. Agora, tenta repetir na Seleção a mesma fórmula que deu tão certo em Madri.
Raphinha: talento que encanta o treinador
Os números ainda não impressionam. Em seis partidas sob o comando de Ancelotti, Raphinha não marcou gols. Mas a confiança do treinador está longe de ser abalada.
Nos bastidores, Ancelotti frequentemente coloca o atacante entre os melhores jogadores do futebol mundial. O italiano valoriza sua capacidade de desequilibrar no um contra um, sua intensidade sem a bola e sua leitura tática.
Por isso, mesmo sem balançar as redes na era Ancelotti, Raphinha segue como uma das principais apostas do treinador para a Copa do Mundo.
Com essa base consolidada, Ancelotti acredita ter encontrado os líderes capazes de conduzir a Seleção Brasileira durante o Mundial. Um grupo que mistura experiência, personalidade e talento, ingredientes que o treinador considera indispensáveis para transformar um elenco competitivo em candidato real ao título.
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