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Esquema 4-2-4 da seleção deixa dúvida sobre fragilidade e encaixe de Neymar

Técnico e analista explicam a tática ofensiva de Ancelotti na Copa do Mundo

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Pedro Werneck
Rio de Janeiro (RJ)
Dia 21/05/2026
08:00
Carlo Ancelotti passa instruções a Matheus Cunha: atacante é peça importante do esquema (Foto: Victor Eleutério / Fotoarena / Folhapress)
imagem cameraCarlo Ancelotti passa instruções a Matheus Cunha: atacante é peça importante do esquema (Foto: Victor Eleutério / Fotoarena / Folhapress)

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O controverso esquema 4-2-4, com apenas dois volantes e quatro atacantes, foi o mais utilizado pela Seleção Brasileira sob comando de Carlo Ancelotti. Só cinco meio-campistas integram a lista dos 26 escolhidos pelo italiano para a Copa do Mundo, reforçando a ideia de um setor central menos povoado. Mas será que isso indica um time muito ofensivo e exposto na defesa? E Neymar se encaixaria nesta formação? É o que o Lance! tenta explicar com a ajuda do treinador Maurício Barbieri (Juventude) e do nosso colunista Gustavo Fogaça, o Guffo.

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— O esquema pode assustar quando visto como algo estático ou rígido. O que vai determinar e possibilitar esse equilíbrio é justamente a forma como esse esquema vai se flexibilizar ou adaptar ao que os jogos e adversários exigirem. Ou seja, o esquema (estrutura) em si não é determinante, mas sim como esse esquema ou estrutura funciona — refletiu o técnico ex-Flamengo e Vasco.

Campinho mostra possível escalação do Brasil de Ancelotti no 4-2-4 (Imagem gerada por IA)
Campinho mostra possível escalação do Brasil de Ancelotti no 4-2-4 (Imagem gerada por IA)

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Retorno às raízes?

Em 1958 e 1962, o Brasil foi bicampeão mundial com um 4-2-4: Garrincha, Vavá, Pelé e Zagallo formavam a base do quarteto ofensivo. Pelo menos na nomenclatura, o mesmo esquema é apontado como favorito para a Copa do Mundo de 2026. Mas é claro que a suposta igualdade numérica não se reflete totalmente no posicionamento em campo.

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Mesmo o time de 68 anos atrás já não era tão rígido. Zagallo executava o papel revolucionário de "falso ponta": saía da ponta esquerda para povoar o meio-campo. Pelé também se comportava como um camisa 10, com a função também de armar o jogo. No futebol de hoje, nem se fala. Boa parte dos times se posiciona de um jeito com a bola, de outro sem. E os limites entre 4-2-4, 4-3-3, 4-2-3-1 ou 4-4-2 não são tão claros assim.

Escalação do Brasil na final da Copa do Mundo de 1958
Escalação do Brasil na final da Copa do Mundo de 1958 (Imagem gerada por IA)

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Esquema com quatro atacantes é tão ofensivo assim?

Para o jornalista e analista de desempenho Guffo, a segurança da possível formação de Ancelotti passa pela recomposição dos pontas e o resguardo da dupla de volantes. Quando o adversário estiver atacando, o Brasil defenderá no clássico 4-4-2.

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— Para ter equilíbrio defensivo, os extremos (pontas) precisam recompor rapidamente, fechando os corredores para a subida dos laterais adversários. Ou seja, o time precisa saber se fechar sem a bola em duas linhas de quatro de forma rápida e eficiente. Para isso, o papel dos volantes é fundamental em guardar posição. Essa movimentação de quem joga pelo lado sem a bola será o segredo para o esquema não ser uma peneira — analisou.

O colunista não descarta, porém, que o italiano mude de esquema quando a Copa do Mundo começar. Até mesmo no último amistoso, contra a Croácia, o desenho da Seleção Brasileira se assemelhou ao 4-3-3, com o meia-atacante Matheus Cunha voltando para ajudar os volantes na armação.

Ancelotti sempre soube montar times muito fortes no 4-3-3. Eu diria que é o seu esquema tático favorito. Não seria estranho que, durante a Copa, ele entendesse que a Seleção deve jogar assim. Mudar o esquema pelo adversário não é muito recomendável. O melhor sempre é mudar as funções dos jogadores para surpreender — acrescentou Guffo.

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Onde Neymar se encaixaria?

Ancelotti não chegou a testar Neymar desde que assumiu a Seleção Brasileira. Segundo Barbieri, a entrada do craque no time titular não alteraria necessariamente o esquema.

— Sim, é possível encaixar Neymar nessa formação, o desafio é criar situações que possibilitem à equipe ter mais equilíbrio e melhor preenchimento de espaços sem bola — explicou.

Sem a mesma intensidade de outrora, o astro santista pode ser um dos dois atacantes mais avançados do 4-2-4. Dessa forma, teria responsabilidade na armação, mas sem tanta exigência defensiva.

— A única função possível de encaixar o Neymar, para mim, é a de falso 9, dando total liberdade para circular entrelinhas e atacar espaços na área. Para isso, quem jogar ao seu lado no ataque vai precisar correr por ele sem a bola. Então, acho pouco provável que Neymar e Vini Jr. joguem juntos, por exemplo. Salvo, claro, em uma situação de desespero, em que tenha que reverter um resultado — opinou Guffo.

Vini Jr e Neymar se abraçam e sorriem em jogo da Seleção Brasileira
Vini Jr e Neymar se abraçam e sorriem em jogo da Seleção Brasileira (Foto: Carl de Souza / AFP)

A convocação brasileira oferece diferentes opções de jogadores de alta intensidade e entrega defensiva, que poderiam formar essa dupla com Vini ou Neymar. É o caso de Matheus Cunha, Rayan, Endrick e Igor Thiago. Os pontas também se notabilizam pela dedicação nos dois lados do campo. Gabriel Martinelli, Luiz Henrique e Raphinha são opções, mas Cunha, Rayan e Endrick podem jogar abertos. Por essas características, o 4-2-4 é menos desequilibrado do que parece à primeira vista.

E existe até a possibilidade de Neymar e Vini Jr., hoje as duas maiores estrelas do time, formarem dupla mais à frente no ataque. Ambos têm menor poder de marcação e caberia mais aos pontas a função de recompor e ajudar a defesa quando o time perdesse a bola. Neste caso, Matheus Cunha e Martinelli sairiam da equipe titular, Luiz Henrique entraria na ponta-direita e Raphinha jogaria mais à esquerda.

Arte com campinho do esquema 4-2-4 da seleção

Essa formação se aproxima bastante da função exercida por Neymar no Santos sob o comando de Cuca. No clube paulista, Neymar deixou de atuar preso ao lado do campo e passou a flutuar pelo setor ofensivo, aproximando-se mais da bola e participando intensamente da construção ofensiva. A movimentação constante também ajuda a abrir espaços para infiltrações dos companheiros na Seleção Brasileira, especialmente jogadores rápidos como Vinícius JúniorRaphinha ou Luiz Henrique.

Paquetá seria coringa no meio-campo

A versatilidade das peças é outra vantagem da convocação. Raphinha também pode jogar como meia-atacante. Matheus Cunha roda por todas as posições do ataque. Entre os meias, destaque para Lucas Paquetá, que pode ser segundo volante, formar uma trinca com dois parceiros de meio-campo e até atuar aberto por qualquer um dos lados. Por esses motivos, o que começa como aparente 4-2-4 pode virar outros esquemas ao longo da Copa do Mundo e de cada partida.

— O esquema se transforma em campo. Essa análise ou convicção sobre o 4-2-4 tem maior relação com as características dos jogadores do que com o funcionamento real do sistema. Os dois pontas descem e temos um 4-4-2, um atacante desce, os pontas buscam o interior e temos um 4-2-3-1, ou seja, o que no fim determina são os movimentos e dinâmicas que são criados a partir dessa estrutura inicial — concluiu Maurício Barbieri.

Raphinha marca jogador da França em amisotoso
Raphinha ajuda o Brasil na marcação durante o amistoso contra a França (Foto: André Durão / Agencia Enquadrar / Folhapress)

Convocação de Carlo Ancelotti

Goleiros:

  1. Alisson (Liverpool)
  2. Ederson (Fenerbahçe)
  3. Weverton (Grêmio)

Defensores:

  1. Marquinhos (Paris Saint-Germain)
  2. Gabriel Magalhães (Arsenal)
  3. Bremer (Juventus)
  4. Danilo (Flamengo)
  5. Ibañez (Al-Ahli)
  6. Wesley (Roma)
  7. Douglas Santos (Zenit)
  8. Alex Sandro (Flamengo)
  9. Léo Pereira (Flamengo)

Meio-campistas:

  • Casemiro (Manchester United)
  • Bruno Guimarães (Newcastle)
  • Fabinho (Al-Ittihad)
  • Danilo (Botafogo)
  • Lucas Paquetá (Flamengo)

Atacantes:

  • Raphinha (Barcelona)
  • Gabriel Martinelli (Arsenal)
  • Luiz Henrique (Zenit)
  • Vini Jr (Real Madrid)
  • Matheus Cunha (Manchester United)
  • Neymar (Santos)
  • Endrick (Lyon)
  • Igor Thiago (Brentford)
  • Rayan (Bournemouth)

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