Brasil encara a Escócia na Copa por liderança do grupo: veja pontos fortes, fracos e estilo de jogo
Seleção soma quatro pontos e lidera o Grupo C no saldo de gols; equipes se enfrentam no dia 24 de junho, às 19h (de Brasília), no Hard Rock Stadium, em Miami

A Seleção Brasileira tem na Escócia seu última adversário na fase de grupos da Copa do Mundo. Até o momento, são quatro pontos conquistados, com um empate na estreia diante o Marrocos, seguidos por uma vitória por 3 a 0 sobre o Haiti, que alçou a equipe de Carlo Ancelotti à liderança do grupo C.
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O duelo contra a Escócia, além de ser fundamental para garantir a classificação às oitavas de final, pode assegurar ao Brasil a liderança da chave. Caso termine na primeira colocação, a Seleção enfrentará o segundo colocado do Grupo F, formado por Holanda, Japão, Suécia e Tunísia, já eliminada da competição.
Classificação do grupo F (após a segunda rodada)
- Holanda: 4 pontos - 4 gols de saldo (7 gols marcados)
- Japão: 4 pontos - 4 gols de saldo (6 gols marcados)
- Suécia: 3 pontos - 0 gols de saldo (6 gols marcados)
- Tunísia: 0 ponto - -8 de saldo (1 gol marcado)*
*Eliminada da Copa.
No último compromisso da primeira fase, o Brasil terá pela frente uma seleção de perfil defensivo, capaz de alternar entre linhas de três e quatro defensores. No meio-campo, a equipe escocesa concentra sua organização em McTominay e McGinn, responsáveis por controlar o ritmo de jogo, iniciar as jogadas e, em muitos casos, concluir as ações ofensivas.
O confronto também reedita a abertura da Copa do Mundo de 1998, na França, vencida pelo Brasil por 2 a 1. Desde então, a Escócia não havia conseguido se classificar para um Mundial e retorna ao torneio após 28 anos.
Destaques individuais
O principal destaque da Escócia está no meio-campo. McTominay tem liberdade para transitar por diferentes faixas do campo e exerce papel mais ofensivo na seleção do que no Napoli. Além de participar da organização das jogadas, o jogador frequentemente aparece na área para atuar como elemento surpresa e ampliar o poder de finalização da equipe.
Com mais de 1,90 m de altura, McTominay também se destaca pela força no jogo aéreo, uma das principais armas da equipe comandada por Steve Clarke, tanto em ações ofensivas quanto defensivas. Sem a posse de bola, o meio-campista recua para compor a segunda linha de marcação, que pode contar com quatro ou cinco jogadores, a depender da estrutura adotada pela Escócia.
McGinn, do Aston Villa, é outro nome de destaque no meio-campo escocês. O jogador marcou, até o momento, o único gol da Escócia na Copa do Mundo, na vitória por 1 a 0 sobre o Haiti. Assim como seu companheiro, tem liberdade para se juntar aos atacantes nas ações ofensivas.
Ele vem de sua melhor temporada na carreira, na qual anotou 11 gols e oito assistências em 55 partidas, sendo um dos líderes da campanha do Aston Villa, campeão da Liga Europa.
Por fim, Andy Robertson. Principal referência técnica do futebol escocês na última década, o lateral foi titular durante a passagem de Jürgen Klopp pelo Liverpool e detém o recorde de mais assistências na história da Premier League por um defensor, com 64.
Capitão da Escócia e líder da defesa, Robertson vem de uma temporada de altos e baixos na Inglaterra e, nesta janela de transferências, acertou sua ida para o Tottenham, onde terá o atacante Richarlison como companheiro.
Robertson alterna equilíbrio defensivo com boa chegada ao ataque, sobretudo em triangulações e cruzamentos. A condição física, no entanto, aparece como principal ponto de atenção e pode ser explorada pelos pontas do Brasil, especialmente em jogadas de um contra um.

Inconsistência no gol
Tanto o titular Angus Gunn, do Nottingham Forest, quanto seu reserva imediato Liam Kelly, do Rangers, não foram titulares regulares por seus respectivos clubes na última temporada e aparecem como um dos pontos que a Seleção Brasileira pode explorar.
Gunn disputou apenas uma partida de Premier League, na qual atuou por 45 minutos. As outras oito partidas na temporada foram pela Escócia, sendo duas delas já nesta edição da Copa do Mundo.
Sistema de jogo
A principal variação tática da Escócia está na linha defensiva. Em jogos de menor risco ou em que a equipe precisa atacar, a comissão técnica opta por um sistema com quatro defensores, com dois zagueiros e dois laterais. Em uma configuração mais defensiva, o time atua com dois laterais esquerdos, com Robertson em função mais recuada, enquanto Tierney compõe a linha de meio-campo.
Nesse contexto, a equipe atua com um atacante de referência, enquanto McTominay cumpre a função de elo entre o meio e o ataque. Sem a dobra de laterais, o time passa a ter dois jogadores no setor ofensivo, geralmente Adams e Shankland.
Em confrontos de maior contenção, Steve Clarke opta por formar a defesa com três zagueiros, além de dois laterais com funções mais defensivas, sem atuar como alas — uma das possibilidades do sistema.
Nesse contexto, a criação e a finalização das ações ofensivas ficam a cargo, principalmente, do meio-campo, com McTominay e McGinn, uma vez que o ataque conta com apenas uma referência, responsável por fixar os zagueiros adversários e fazer o jogo de pivô e a associação com os demais atletas.
A pressão no campo ofensivo e o controle das ações no meio-campo serão pontos-chave para o Brasil deixar o campo com os três pontos. Caso os escoceses atuem com cinco defensores, jogadas individuais dos pontas, principalmente de Vini Jr., serão fundamentais para criar vantagens numéricas em campo.
No mesmo cenário, Casemiro, Bruno Guimarães e Paquetá devem ter maior liberdade para construir as jogadas, especialmente a partir da primeira fase da construção, já que a Escócia tende a manter as duas linhas defensivas próximas da própria área.
Classificação para a Copa do Mundo
A Escócia não precisou da repescagem e garantiu vaga direta na Copa do Mundo nas Eliminatórias Europeias. Com 13 pontos, liderou o Grupo C, dois à frente da favorita Dinamarca. A chave também contou com Grécia e a lanterna Belarus.
Foram quatro vitórias, um empate e uma derrota, com apenas sete gols sofridos em seis partidas, o que demonstra o poder defensivo da equipe, principal aposta da comissão técnica, que mantém o plano na atual Copa do Mundo, com apenas um gol sofrido em dois jogos.
Escócia em Copas
| Dado | Informação |
|---|---|
Confederação | UEFA |
Primeira Copa do Mundo | Suíça 1954 |
Última Copa do Mundo | França 1998 |
Participações | 9 (1954, 1958, 1974, 1978, 1982, 1986, 1990, 1998, 2026) |
Melhores campanhas | 1954, 1958, 1974, 1978, 1982, 1986, 1990, 1998, 2026 (fase de grupos) |
Histórico geral | 25 jogos, 5 vitórias, 7 empates, 13 derrotas |
Gols marcados | 26 |
Gols sofridos | 42 |
O histórico da Escócia em Copas do Mundo aponta para o principal objetivo da seleção na atual edição da competição: alcançar a classificação ao mata-mata pela primeira vez na história. O aumento de 32 para 48 seleções, que passa a permitir a vaga de alguns dos terceiros colocados, aparece como um dos principais aliados da equipe para atingir a meta.
Lanterna na Eurocopa 2024
Para disputar a Eurocopa, a Escócia surpreendeu nas Eliminatórias e garantiu vaga direta ao terminar o grupo na segunda colocação, seis pontos à frente da Noruega, de Haaland, e quatro atrás da líder Espanha.
A campanha teve cinco vitórias, dois empates e apenas uma derrota, justamente para os espanhóis, fora de casa. Entre os principais resultados estão o triunfo por 2 a 1 sobre a própria Espanha, no Hampden Park, e a vitória sobre a Noruega como visitante.
Já na Eurocopa, a Escócia teve desempenho abaixo das expectativas. A equipe comandada por Steve Clarke somou apenas um ponto e terminou na última colocação do Grupo A, que também contou com Alemanha, Suíça e Hungria. Alemães e suíços avançaram às oitavas de final.
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