Quem entra na vaga de Raphinha? As cinco opções de Ancelotti na Seleção
Ancelotti começa a definir o substituto do atacante lesionado neste domingo (21)

A lesão de Raphinha na parte posterior da coxa abriu a primeira grande dúvida de Carlo Ancelotti na Copa do Mundo. O Brasil enfrenta a Escócia na próxima quarta-feira (24), em Miami, precisando confirmar a classificação à fase de mata-mata, e a escolha do substituto pode dizer muito sobre o que o treinador italiano enxerga para o futuro imediato da Seleção Brasileira.
A tendência, neste momento, é que Ancelotti preserve a estrutura que funcionou diante do Haiti. O treinador dificilmente mudará o sistema de jogo. Nos dois compromissos da Copa, o Brasil iniciou as partidas em um 4-3-3 que, na prática, apresenta variações interessantes com e sem a bola.
Sem a posse, Matheus Cunha e Lucas Paquetá ajudam a formar uma espécie de losango no meio-campo. Casemiro atua centralizado, Bruno Guimarães fecha pelo lado direito, Paquetá pelo esquerdo e Cunha fica mais adiantado, com liberdade para pressionar, marcar e atacar. Já Vini Jr e Raphinha participam da primeira linha de pressão sobre a saída de bola adversária.
Com a posse, o desenho muda. Raphinha abre o campo pela direita, Vini Jr faz o mesmo pelo lado oposto e Matheus Cunha e Paquetá atacam os espaços por dentro. É justamente essa função do camisa 11 que Ancelotti precisará repor contra os escoceses.
O Lance! vê cinco cenários possíveis.
Luiz Henrique
Hoje, parece ser o favorito.
Luiz Henrique conhece a função, já executou exatamente esse papel com Ancelotti e leva vantagem pela familiaridade com o modelo de jogo. Nos amistosos contra França e Croácia, em março, foi utilizado pelo treinador e teve atuações convincentes. Contra os croatas, inclusive, entrou como titular em uma equipe que ainda atuava no 4-2-4.
É verdade que os amistosos pré-Copa contra Panamá e Egito diminuíram seu prestígio momentaneamente. O desempenho foi abaixo do esperado e abriu espaço para que Lucas Paquetá ganhasse protagonismo na equipe titular, sendo um homem de meio-campo, mas no esquema 4-3-3.
Ainda assim, Luiz Henrique é quem melhor reproduz as características de Raphinha. Atua aberto pela direita, ataca a profundidade, aproxima-se dos atacantes e mantém o equilíbrio tático que Ancelotti valoriza. Por isso, larga com uma pequena vantagem na disputa.

Rayan
O jovem atacante aparece logo atrás.
Foi justamente ele o escolhido quando Raphinha deixou o gramado lesionado diante do Haiti. A partida já estava controlada, com vantagem de 2 a 0, e Ancelotti aproveitou o cenário favorável para lançar o atacante em sua estreia em Copas do Mundo.
Rayan admitiu depois da partida que sentiu o peso do momento. Disse que as pernas tremiam. O nervosismo apareceu em alguns lances e a atuação acabou sendo apenas razoável.
Por outro lado, o treinador conhece o potencial do jogador. Contra o Panamá, ele havia sido um dos destaques da Seleção e marcou um dos gols da vitória brasileira. Sua velocidade, capacidade de atacar espaços e ousadia no um contra um são características que agradam à comissão técnica.
A dúvida é saber se Ancelotti considera que este já é o momento ideal para entregar a titularidade em um jogo de Copa.
Gabriel Martinelli
Seria uma alternativa mais conservadora em termos de experiência, mas menos natural taticamente.
Martinelli conta com a confiança de Ancelotti e possui rodagem internacional importante. O problema é a posição. O atacante atua preferencialmente pelo lado esquerdo, exatamente o setor onde Vini Jr vem sendo o principal destaque brasileiro na competição.
Para utilizá-lo, seria necessário deslocá-lo para uma faixa do campo onde não costuma atuar regularmente. Não é impossível, mas parece um cenário pouco provável neste momento.
Endrick
Talvez a opção mais surpreendente.
Com Ancelotti, Endrick ainda não foi utilizado pelos lados do campo. O treinador o enxerga principalmente como referência ofensiva e homem de área.
Entretanto, existe um detalhe que torna essa possibilidade interessante. No Lyon, o atacante atuou diversas vezes pelo lado direito, explorando o fato de ser canhoto para cortar para dentro e finalizar. Foi justamente dessa maneira que construiu algumas de suas melhores atuações na França.
Caso seja escolhido, o Brasil ganharia um atacante mais agressivo e com maior capacidade de definição próximo ao gol. Seria uma mudança de característica sem alterar completamente o sistema. A dúvida é se o jogador conseguiria executar as funções de táticas de marcação.
Neymar
A alternativa mais impactante.
Recuperado da lesão grau 2 na panturrilha direita, Neymar vem acelerando o processo de recuperação física e treinando forte. A tendência, porém, é que inicie a partida no banco de reservas.
Mas não dá para descartar totalmente a hipótese.
Se escalado pelo lado direito, Neymar teria uma interpretação diferente da função. Com a bola, atuaria mais por dentro, aproximando-se de Matheus Cunha e Vini Jr. Sem a posse, o trabalho coletivo de Paquetá e Cunha ajudaria a compensar sua menor participação defensiva, permitindo que o camisa 10 permanecesse mais próximo da área adversária.
Seria uma solução menos vertical e mais criativa, capaz de transformar a dinâmica ofensiva da equipe.
No fim das contas, tudo indica que a disputa está concentrada entre Luiz Henrique e Rayan. O primeiro oferece segurança, experiência e maior encaixe tático. O segundo representa juventude, velocidade e uma aposta de futuro. Em uma Copa do Mundo, normalmente os treinadores escolhem o caminho mais seguro. E é justamente por isso que Luiz Henrique chega ao início da preparação para enfrentar a Escócia como o candidato mais forte para assumir a vaga deixada por Raphinha.

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