Ancelotti adota método que mantém elenco pronto no Brasil

Treinador tem 80% da espinha dorsal da Seleção pronta, diz Danilo

Enviados Especiais
18/06/2026 06:55
Ancelotti de braços cruzados no treino da Seleção
Ancelotti de braços cruzados no treino da Seleção (Foto: MAURO PIMENTEL / AFP)

FILADÉLFIA, PA (EUA) - Quem acompanha ou busca entender os treinamentos da Seleção Brasileira nos Estados Unidos talvez tenha percebido um detalhe que ajuda a explicar uma das marcas da carreira de Carlo Ancelotti. Mesmo quando divide o grupo, mistura titulares e reservas ou promove alterações durante as atividades táticas, o treinador italiano parece preocupado com algo que vai além da escalação para o próximo jogo: garantir que todos os jogadores entendam exatamente como a equipe deve funcionar.

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A cena tem se repetido nas atividades fechadas no centro de treinamento do New York Red Bulls, em Morristown. Em diferentes momentos das atividades, jogadores que não aparecem entre os prováveis titulares ocupam os mesmos espaços dos donos da posição, recebem orientações semelhantes e participam das mesmas dinâmicas coletivas. Não é coincidência. Trata-se de uma característica histórica do trabalho de Ancelotti.

Ao longo de passagens vitoriosas por Milan, Chelsea, Paris Saint-Germain, Bayern de Munique e Real Madrid, o treinador construiu a reputação de gestor de grupo capaz de manter o elenco inteiro preparado para responder quando necessário. Diferentemente de técnicos que trabalham movimentos extremamente mecanizados e repetitivos, o italiano prefere ensinar princípios coletivos de jogo.

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Na prática, isso significa que titulares e reservas aprendem a mesma estrutura. Todos precisam entender como a equipe se posiciona sem a bola, de que forma inicia a construção das jogadas, quais espaços devem ser ocupados no campo ofensivo e como reagir durante as transições. O objetivo é fazer com que qualquer mudança durante uma partida provoque o menor impacto possível na engrenagem coletiva.

Mas existe uma diferença importante.

Embora todos sejam treinados dentro da mesma ideia de jogo, Ancelotti não costuma exigir que cada atleta execute a função exatamente da mesma maneira. Pelo contrário. Uma das principais virtudes apontadas por jogadores que trabalharam com ele é justamente a capacidade de adaptar o sistema às características individuais.

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Foi assim em diferentes momentos de sua carreira. No Real Madrid, por exemplo, a equipe apresentava comportamentos distintos dependendo de quem ocupava a referência ofensiva. Com Karim Benzema, o ataque tinha mais mobilidade e associações curtas. Quando Joselu entrava em campo, o time passava a explorar mais cruzamentos e bolas aéreas. A estrutura permanecia semelhante, mas as soluções mudavam de acordo com as características do jogador.

Na Seleção Brasileira, essa filosofia pode ser decisiva durante uma Copa do Mundo. Em uma competição curta, suspensões, lesões e questões físicas obrigam treinadores a recorrer constantemente ao banco de reservas. Por isso, Ancelotti parece trabalhar para que atletas como Endrick, Gabriel Martinelli, Luiz Henrique, Igor Thiago, Rayan e outros nomes do grupo estejam tão familiarizados com os conceitos da equipe quanto os titulares.

A lógica é simples: quando surgir a necessidade de uma troca, o jogador não precisará aprender uma nova função em poucos minutos. Ele já terá treinado aqueles movimentos durante toda a preparação.

Na estreia, contra o Marrocos, Ancelotti deixou dívidas no ar surpreendeu com as escalações de Ibañez e Douglas Santos nas laterais, e Igor Thiago no ataque. Para a partida de sábado (19), contra o Haiti, na Filadélfia, o treinador também tem feito testes e vai definir e divulgar o time titular quando achar necessário.

— Todo time existe um núcleo duro, onde existem ali seis, sete, oito jogadores que são sim os jogadores titulares e que jogam sempre. E ali existem três, quatro jogadores que estão sempre em uma rotação em base ao jogo, ao adversário e à estratégia. Isso é o que se faz hoje, no futebol de hoje em dia, no futebol moderno, em que as estratégias mudam de acordo com o adversário sempre. Então, isso que aconteceu no último jogo, que talvez para mim teve uma importância exagerada, é o que acontece, é natural — afirmou o defensor Danilo.

Essa característica também ajuda a explicar o ambiente leve que tem marcado os treinamentos da Seleção nos Estados Unidos. Ancelotti é conhecido por priorizar atividades com bola e trabalhos táticos em campo reduzido. As sessões costumam ser menos voltadas para desgaste físico excessivo e mais direcionadas para tomada de decisão, posicionamento e entendimento do jogo.

À medida que o Brasil se aproxima do segundo desafio da fase de grupos, a principal mensagem dos treinamentos parece clara: para Ancelotti, não existem apenas 11 titulares. Existe um elenco inteiro que precisa estar pronto para responder quando a Copa exigir. E, em torneios desse tamanho, muitas vezes é justamente essa preparação silenciosa dos reservas que separa as equipes competitivas das campeãs.

— Hoje nós temos, muito provavelmente, um time 80% definido do que vai jogar, 70% definido do que vai jogar sexta-feira. E temos três jogadores, quatro que ainda não se sabe por vários motivos. Por indecisão do treinador, por uma questão tática, por uma questão física, por mania do treinador — finalizou Danilo.

Ancelotti reúne jogadores da Seleção antes do treino
Ancelotti reúne jogadores do Brasil antes do treino (Foto: Marcio Dolzan/Lance!)

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