Tenistória: Guto Miguel, do sobrepeso e da preguiça ao título de Roland Garros
Técnico Santos Dumont conta detalhes do trabalho com o goiano de 17 anos
Quem vê o goiano Luis 'Guto' Miguel, de 17 anos, primeiro brasileiro campeão juvenil de Roland Garros, voando em quadra, talvez não imagine o trabalho que o fez chegar até aqui. Mas, ao Lance!, Santos Dumont Guimarães, um dos dois técnicos do número 1 do mundo da categoria, contou um pouco dos desafios ao lado do pupilo. Confira no vídeo acima.
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Dumont e o técnico Kike Grangeiro começaram a treinar a principal estrela do Time Rede Tênis, em Brasília, há quatro anos:
- Um fato curioso é que o Guto (no início da parceria) era mais gordinho, cheinho, preguiçoso, trabalhava muito pouco. Naquela época, de cinco dias da semana, ele trabalhava um dia e meio, os outros enrolava. Um dos frutos legais do trabalho foi o Guto gostar de trabalhar e evoluir nesse processo. Então, a maior coisa é ele aprender a treinar, não é fácil, melhorar o volume de treinos, de físico, se alimentar adequadamente, é tudo um processo. Tudo o que aconteceu até agora é fruto de muito trabalho, de muitas viagens, frustrações, vitórias, e de sempre se superar.
A resiliência e maturidade, apesar da pouca idade, são duas das armas do goiano.
- No final do ano passado a gente teve uma superação muito grande. Jogamos torneios em Guadalajara, no México, que era para ele estar entre os 10 do mundo (juvenil), para ganhar os wild cards para os Challengers. No primeiro, o Guto fez três jogos de 3 horas, duríssimos, estava cansado mentalmente, e aí ele perdeu a semifinal, depois de abrir 6/0 e 3/0, contra um cara que ele não deveria perder, mas acabou superado por 7/6 no terceiro set. Quando acabou, falei: 'Cara, você não tem condição de estar aqui, a gente tem que ir embora, o mental está ruim'. Aí ele me pediu um tempo, que iria conversar com o pai dele e com o psicólogo. Depois, ele chegou para mim e falou: 'Vamos ficar, jogar, e ganhar, você está comigo?' Respondi que estou com ele sempre. Ele foi campeão, e, no final, nem comemorei. Ele perguntou por que e respondi que estava tão cansado mentalmente que não consegui comemorar tanto que eu deveria, mas que ele é campeão e conseguiu atingir. O Guto é muito desse jeito - define o técnico.
Técnico de Guto quer mais
Os dois treinadores têm a parceria do preparador físico Marcelo Prata, do nutricionista Henrique Bernardes, do fisioterapeuta Fernando Calixto e do psicólogo Pedro Lobo para seguir lapidando essa joia do tênis brasileiro:

- Todos nós trabalhamos muito bem para o Guto chegar onde chegou. Só que a gente quer mais, então esse é o início de um caminho longo. Muitas vezes duvidaram da gente, mas cada vez mais vamos trabalhar para provar que vamos conseguir.

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