Análise: riscos e benefícios da atividade física em meio à pandemia
Diante da ameaça que o coronavírus nos traz, manter um comportamento sedentário pode ser desastroso. Porém, o exercício precisa ser moderado e de maneira cumulativa

De uma hora para outra, passamos a nos adaptar em diversos sentidos. Em virtude da pandemia, precisamos aprender novas formas de trabalho, consumo e de socialização. Mas, com as restrições para sair de casa, temos que levar para a sala de estar o que até bem pouco tempo era feito em academia, parques ou estúdios de atividade física.
Diante da ameaça que esse novo vírus nos traz, manter um comportamento sedentário pode ser desastroso, visto que a prática de atividade física, dentre outros fatores, melhora a resposta do sistema imunológico. Porém, para haver tal resposta positiva, o exercício precisa ser moderado e de maneira cumulativa.
Existe uma pequena diferença entre atividade física, que é qualquer atividade que coloque o corpo em movimento, gerando, obviamente, gasto calórico, e exercício, que é a atividade física planejada, estruturada e organizada. Portanto, não é apenas o treino moderado (30 minutos/dia, cinco vezes na semana) que gera ganho. Uma caminhada no parque, atividade de jardinagem, o que seja, de maneira cumulativa, também pode gerar ganho. Todas essas atividades são benéficas, pois podem diminuir risco de morte cardiovascular, diabetes tipo II, alguns cânceres, regula pressão arterial, reduz colesterol, retarda ou evita osteoporose, minora obesidade, ansiedade e depressão.
Porém, assim como todo medicamento, atividade física também tem riscos, embora infinitamente menores do que os benefícios. Toda atividade, quando iniciada ou reiniciada, deve ser acompanhada por profissionais de saúde, para diminuir a probabilidade de lesões. Avaliação pré-atividade física, correção de assimetrias e movimentos, e planejamento da atividade física devem estar presentes na cartilha de qualquer pessoa disposta a mudar sua qualidade de vida.
Com a volta das atividades em consultório, um número grande de queixas de lombalgia se tornou recorrente, muito provavelmente pela perda de tônus muscular paravertebral e abdominal, devido à inatividade. Outra patologia que se tornou muito comum é a síndrome do estresse tibial, pois, sem planejamento, voltam a treinar na mesma intensidade pré-isolamento e não respeitam a progressão de volume e intensidade, aumentando a sobrecarga, e ultrapassam a capacidade de remodelação óssea.
*Gustavo Caldeira é ortopedista e traumatologista, médico do esporte, cirurgião do joelho, coordenador ortopédico do HERC, coordenador de cirurgia do joelho do Hospital Federal do Andaraí e trabalha no departamento médico do futebol profissional do Flamengo.

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