Barrado pelos EUA, árbitro da Copa é recebido com festa de herói na Somália
Povo somali abraça árbitro de 34 anos impedido de trabalhar na Copa do Mundo

O sonho de ver o primeiro juiz somali em um Mundial acabou na fronteira. O árbitro somali Omar Abdulkadir Artan, escalado para a Copa do Mundo da Fifa de 2026, teve sua entrada negada nos Estados Unidos. Apesar do revés geopolítico, o povo somali fez festa em recepção de volta ao país natal e transformou o desembarque do profissional em um ato de orgulho nacional no Aeroporto Internacional Aden Abdulle Osman, em Mogadíscio.
O estopim e a decisão da Fifa
Artan acabou barrado assim que aterrissou no Aeroporto Internacional de Miami. A justificativa do governo norte-americano surpreendeu o mundo do esporte: um porta-voz do Departamento de Estado declarou à AFP que o juiz "é suspeito de estar vinculado a supostos integrantes de organizações terroristas", argumento que "inabilita o viajante para ser admitido nos Estados Unidos".
Diante do veto migratório, a FIFA confirmou que ele está fora do quadro de arbitragem do torneio, que começa justamente nesta quinta-feira (11).
Recepção calorosa e o orgulho de uma nação
A presença de Artan entre os 52 árbitros selecionados para trabalhar na Copa do Mundo de 2026, sediada em conjunto por Estados Unidos, México e Canadá, representava um marco histórico. Em abril, o presidente da Somália, Hassan Sheikh Mohamud, ressaltou que o profissional serve como símbolo de inspiração para a nova geração do país.
A quebra desse sonho gerou forte comoção. Mais de 100 torcedores lotaram os arredores da área VIP do principal aeroporto da capital somali. A multidão agitou bandeiras do país e aplaudiu o desembarque do voo da Turkish Airlines.
— Ele foi tratado de forma tão injusta que isso machuca qualquer pessoa preocupada com a humanidade — declarou Mohamed Said, um funcionário do governo.
Eleito o melhor árbitro de futebol masculino pela Confederação Africana de Futebol (CAF) em 2025, o juiz de elite não se deixou abater pelo episódio e já projeta a volta por cima no próximo ciclo mundialista.
— Estarei na próxima Copa do Mundo e continuarei fazendo com que a Somália se orgulhe... Apesar do que aconteceu comigo, não estou desmotivado — declarou Artan à imprensa.
Recebido como verdadeiro herói da nação em seu retorno, o juiz agora canaliza suas forças para carimbar o passaporte rumo à edição de 2030.
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