Ancelotti faz 67 anos e sonha com presente na final da Copa
Treinador vai comemorar a data na concentração com os jogadores da Seleção

MORRISTOWN, NJ (EUA) - Carlo Ancelotti completa 67 anos nesta quarta-feira (10) vivendo uma situação rara em sua trajetória. Acostumado a passar a data ao lado da família, em meio ao período de férias do futebol europeu, o treinador italiano troca desta vez o ambiente familiar pela concentração da Seleção Brasileira. Em ano de Copa do Mundo, o comandante estará cercado por jogadores, membros da comissão técnica e funcionários da CBF enquanto lidera os preparativos para o principal desafio de sua carreira recente: conduzir o Brasil ao hexacampeonato.
Ao longo de décadas no futebol, Ancelotti construiu uma reputação que o coloca entre os maiores treinadores da história. Dono de um currículo repleto de títulos e recordes, ele chega ao aniversário carregando a responsabilidade de recolocar a Seleção Brasileira no topo do mundo após mais de duas décadas de espera.
A celebração, porém, deve seguir um roteiro já conhecido dentro da equipe nacional. Como é tradição na Seleção, a expectativa é de que o treinador receba homenagens ao longo do dia. Um bolo na concentração, o tradicional "parabéns para você" entoado pelos jogadores e membros da delegação e até mesmo uma comemoração no gramado do centro de treinamento do New York Red Bulls fazem parte do cenário esperado para marcar a data.
O aniversário de Ancelotti terá pouco espaço para descanso. Em vez de uma programação cercada pela família, como aconteceu em boa parte de sua carreira, o italiano passará a quarta-feira mergulhado nos preparativos para a estreia da Seleção na Copa do Mundo. Entre uma homenagem e outra, o técnico seguirá trabalhando na definição da equipe que enfrentará o Marrocos, no próximo sábado (13), em Nova Jersey. Afinal, o primeiro passo na caminhada rumo ao hexa já está logo ali, e nem mesmo os 67 anos interrompem a rotina de um treinador obcecado pelos detalhes.
— Eu não estou ansioso (em relação à Copa). Eu estou feliz, motivado, confiante e tranquilo. Porque eu acho que temos uma boa estrutura da equipe. Temos um bom ambiente, que está trabalhando muito bem. Agora, estamos tranquilos — disse o treinador.
Apesar do carinho e das homenagens, é difícil imaginar que Ancelotti esteja pensando em presentes nesta quarta-feira. O maior desejo do treinador tem endereço e data definidos: o MetLife Stadium, em Nova Jersey, no dia 19 de julho, quando será disputada a final da Copa do Mundo de 2026. Levantar a taça ao lado dos jogadores brasileiros seria o capítulo mais simbólico de uma carreira já histórica.
O currículo do italiano ajuda a explicar por que sua chegada à Seleção gerou tanta expectativa. Como treinador, Ancelotti conquistou praticamente tudo o que era possível no futebol de clubes. Foram passagens marcantes por equipes como Parma, Juventus, Milan, Chelsea, Paris Saint-Germain, Bayern de Munique, Napoli, Everton e, principalmente, Real Madrid.
Entre suas principais conquistas estão cinco títulos da Liga dos Campeões da UEFA como treinador, recorde da competição. Duas dessas conquistas vieram pelo Milan e outras três pelo Real Madrid. Além disso, tornou-se o primeiro técnico a conquistar os campeonatos nacionais das cinco principais ligas da Europa: Itália, Inglaterra, França, Alemanha e Espanha.
Sua galeria de troféus também inclui títulos mundiais de clubes, Supercopas da UEFA, Copas nacionais e campeonatos domésticos em diferentes países. Poucos profissionais conseguiram combinar longevidade, capacidade de adaptação e sucesso em contextos tão distintos quanto o italiano.
Agora, porém, a missão é diferente. Pela primeira vez, Ancelotti tem a responsabilidade de comandar uma seleção nacional. O desafio vai além da parte tática. Trata-se de administrar a pressão de um país apaixonado por futebol e que sonha com o retorno ao topo do mundo.
— Achei que poder dirigir a Seleção Brasileira — a equipe mais importante da história e a que ganhou mais Copas — seria uma grande oportunidade. A ideia de preparar a equipe do Brasil para a Copa do Mundo me pareceu incrível. A oportunidade surgiu e eu a abracei. Claro que também tenho que agradecer ao Real Madrid, que me deu a chance de vir e aproveitar essa nova experiência — analisou o italiano na época de sua chegada ao time nacional.
Nesta quarta-feira, os parabéns certamente serão muitos. Haverá abraços, homenagens e mensagens de felicitações. Mas quem convive com Ancelotti sabe que o treinador tem um objetivo muito maior em mente. Aos 67 anos, o italiano já conquistou quase tudo o que o futebol poderia oferecer. Falta apenas um presente para transformar uma carreira extraordinária em algo ainda mais grandioso: entregar ao Brasil a tão sonhada sexta estrela no dia 19 de julho, em Nova Jersey.


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