Copa do Mundo de 1978: Todos os resultados

Relembre placares, polêmicas e o primeiro título da Argentina em 1978.

PorLance!São Paulo (SP)
10/06/2026 08:16
O artilheiro Mario Kempes celebra um de seus gols históricos na grande final contra a Holanda, liderando a seleção da Argentina na conquista de seu primeiro título mundial. (FIFA)
O artilheiro Mario Kempes celebra um de seus gols históricos na grande final contra a Holanda, liderando a seleção da Argentina na conquista de seu primeiro título mundial. (FIFA)
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A Copa do Mundo de 1978 foi realizada na Argentina sob uma ditadura militar, que utilizou o evento para propaganda.
O torneio ficou marcado pela ausência de Johan Cruyff, que se recusou a participar devido à situação política.
Mario Kempes se destacou como artilheiro e herói da Argentina, que conquistou seu primeiro título mundial ao vencer a Holanda na final.
Resumo supervisionado pelo jornalista!

A décima primeira edição da história dos Mundiais cruzou o Oceano Atlântico em junho de 1978 para desembarcar em solo sul-americano sob uma das conjunturas mais complexas e sombrias do esporte. A Argentina foi a nação escolhida para sediar a Copa do Mundo de 1978, um evento que acabou profundamente instrumentalizado pela violenta ditadura militar do general Jorge Rafael Videla. O regime utilizou a imensa paixão local pelo futebol como uma massiva cortina de fumaça propagandística para tentar ocultar as graves violações de direitos humanos que ocorriam no país.

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Os bastidores técnicos e políticos da competição provocaram desfalques de enorme impacto técnico antes mesmo do apito inicial. Revoltado com a situação política da Argentina (e por traumas familiares revelados anos depois), o genial craque Johan Cruyff recusou-se a defender a Holanda, privando o torneio de sua maior estrela. Além disso, o clima de extrema pressão psicológica e o calendário de jogos modificado para favorecer os donos da casa geraram intensos protestos das demais delegações estrangeiras ao longo de todo o mês.

Para receber os jogos, o comitê organizador concentrou as partidas em cinco cidades e reformou completamente estádios tradicionais, como o Monumental de Núñez, em Buenos Aires. O aspecto visual daquela Copa ficou eternizado pela icônica e impressionante chuva de confetes e papéis picados brancos que a torcida local arremessava nos gramados a cada entrada da seleção argentina. Essa atmosfera ensurdecedora e pulsante nas arquibancadas transformou-se no décimo segundo jogador da equipe albiceleste em campo.

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Para a Seleção Brasileira, o torneio em território argentino representou uma das campanhas mais controversas e politicamente carregadas de sua história. Sob o comando do técnico Cláudio Coutinho, um capitão do exército que introduziu conceitos científicos e físicos rígidos, o Brasil praticou um futebol pragmático e focado na força defensiva. A Amarelinha terminou a competição de forma invicta, mas acabou eliminada da final após um suspeito e amplamente debatido placar na rodada decisiva do grupo rival, rendendo ao time o eterno apelido de "campeão moral".

Apesar das suspeitas que mancharam os bastidores, o torneio consagrou a genialidade técnica e o faro de gol do atacante Mario Kempes, o "El Matador". Único atleta do elenco argentino que atuava no futebol europeu na época, Kempes carregou a responsabilidade ofensiva de seu país nos momentos de maior sufoco e dramaticidade. O desempenho avassalador do camisa 10 na grande e tensa finalíssima diante dos holandeses garantiu a explosão de alegria de um povo sofrido e colocou a Argentina de forma inédita na galeria dos campeões mundiais.

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Resultados da Copa do Mundo de 1978

Primeira fase - Grupo 1

O grupo de abertura do torneio foi considerado uma verdadeira chave da morte e entregou partidas equilibradas e de altíssima qualidade técnica em Buenos Aires. A Itália surpreendeu os prognósticos locais ao apresentar um futebol envolvente e vencer a própria dona da casa Argentina no confronto direto, avançando na liderança isolada. Franceses e húngaros deram adeus precoce com atuações abaixo do esperado.

  • 2 de junho – Itália 2 x 1 França – Estádio José María Minella (Mar del Plata)
  • 2 de junho – Argentina 2 x 1 Hungria – Estádio Monumental de Núñez (Buenos Aires)
  • 6 de junho – Itália 3 x 1 Hungria – Estádio José María Minella (Mar del Plata)
  • 6 de junho – Argentina 2 x 1 França – Estádio Monumental de Núñez (Buenos Aires)
  • 10 de junho – França 3 x 1 Hungria – Estádio José María Minella (Mar del Plata)
  • 10 de junho – Itália 1 x 0 Argentina – Estádio Monumental de Núñez (Buenos Aires)

Primeira fase - Grupo 2

Esta chave entrou para a história das Copas do Mundo ao registrar a primeiríssima vitória de uma seleção do continente africano na competição: o triunfo da Tunísia sobre o México por 3 a 1. Apesar do feito histórico dos tunisianos, o grupo acabou dominado pelo pragmatismo europeu. A Polônia garantiu a liderança de forma invicta, avançando ao lado da atual campeã Alemanha Ocidental.

  1. 1 de junho – Alemanha Ocidental 0 x 0 Polônia – Estádio Monumental de Núñez (Buenos Aires)
  2. 2 de junho – Tunísia 3 x 1 México – Estádio Gigante de Arroyito (Rosário)
  3. 6 de junho – Alemanha Ocidental 6 x 0 México – Estádio Chateau Carreras (Córdoba)
  4. 6 de junho – Polônia 1 x 0 Tunísia – Estádio Gigante de Arroyito (Rosário)
  5. 10 de junho – Alemanha Ocidental 0 x 0 Tunísia – Estádio Chateau Carreras (Córdoba)
  6. 10 de junho – Polônia 3 x 1 México – Estádio Gigante de Arroyito (Rosário)

Primeira fase - Grupo 3

A chave da Seleção Brasileira transformou-se em um enorme teste de paciência e nervos para os torcedores, com partidas truncadas em campos péssimos. O Brasil estreou com empates burocráticos e teve um gol legítimo de Zico anulado pelo árbitro Clive Thomas no último segundo contra a Suécia. A suada classificação veio na rodada final, avançando em segundo lugar atrás da surpreendente e organizada Áustria.

  • 3 de junho – Áustria 2 x 1 Espanha – Estádio José Amalfitani (Buenos Aires)
  • 3 de junho – Brasil 1 x 1 Suécia – Estádio José María Minella (Mar del Plata)
  • 7 de junho – Áustria 1 x 0 Suécia – Estádio José Maria Minella (Mar del Plata)
  • 7 de junho – Brasil 0 x 0 Espanha – Estádio José Amalfitani (Buenos Aires)
  • 11 de junho – Espanha 1 x 0 Suécia – Estádio José Amalfitani (Buenos Aires)
  • 11 de junho – Brasil 1 x 0 Áustria – Estádio José María Minella (Mar del Plata)

Primeira fase - Grupo 4

O Grupo 4 testemunhou o futebol vertical e encantador da excelente seleção do Peru, que desfilou enorme categoria sob a batuta de Teófilo Cubillas para liderar a chave de forma invicta. A tradicional e badalada Holanda sentiu imensamente a falta de entrosamento tático, tropeçou diante da Escócia na rodada final, mas assegurou a segunda vaga apenas nos critérios de saldo de gols.

  1. 3 de junho – Peru 3 x 1 Escócia – Estádio Chateau Carreras (Córdoba)
  2. 3 de junho – Holanda 3 x 0 Irã – Estádio Ciudad de Mendoza (Mendoza)
  3. 7 de junho – Escócia 1 x 1 Irã – Estádio Chateau Carreras (Córdoba)
  4. 7 de junho – Holanda 0 x 0 Peru – Estádio Ciudad de Mendoza (Mendoza)
  5. 11 de junho – Peru 4 x 1 Irã – Estádio Chateau Carreras (Córdoba)
  6. 11 de junho – Escócia 3 x 2 Holanda – Estádio Ciudad de Mendoza (Mendoza)

Segunda fase - Grupo A

Mantendo a fórmula da Copa do Mundo anterior, os oito classificados foram divididos em dois novos quadrangulares de pontos corridos. A chave "A" reuniu exclusivamente potências do futebol europeu em duelos físicos intensos. A Holanda reencontrou o seu melhor ritmo coletivo ao longo das rodadas, superou a Itália no confronto decisivo e carimbou seu passaporte para a grande final.

  1. 14 de junho – Holanda 5 x 1 Áustria – Estádio Chateau Carreras (Córdoba)
  2. 14 de junho – Itália 0 x 0 Alemanha Ocidental – Estádio Ciudad de Mendoza (Mendoza)
  3. 18 de junho – Holanda 2 x 2 Alemanha Ocidental – Estádio Chateau Carreras (Córdoba)
  4. 18 de junho – Itália 1 x 0 Áustria – Estádio Ciudad de Mendoza (Mendoza)
  5. 21 de junho – Áustria 3 x 2 Alemanha Ocidental – Estádio Chateau Carreras (Córdoba)
  6. 21 de junho – Holanda 2 x 1 Itália – Estádio Ciudad de Mendoza (Mendoza)

Segunda fase - Grupo B

A chave transformou-se no cenário da maior e mais ruidosa polêmica da história das Copas. Brasil e Argentina travaram um clássico violento que terminou empatado em Rosário. Na última rodada, jogando horas depois do Brasil e sabendo o resultado necessário, a Argentina precisava vencer o Peru por quatro gols de diferença. A goleada por 6 a 0 sobre os peruanos levantou imensas suspeitas de facilitação e colocou os donos da casa na final.

  1. 14 de junho – Brasil 3 x 0 Peru – Estádio Ciudad de Mendoza (Mendoza)
  2. 14 de junho – Argentina 2 x 0 Polônia – Estádio Gigante de Arroyito (Rosário)
  3. 18 de junho – Argentina 0 x 0 Brasil – Estádio Gigante de Arroyito (Rosário)
  4. 18 de junho – Polônia 1 x 0 Peru – Estádio Ciudad de Mendoza (Mendoza)
  5. 21 de junho – Brasil 3 x 1 Polônia – Estádio Ciudad de Mendoza (Mendoza)
  6. 21 de junho – Argentina 6 x 0 Peru – Estádio Gigante de Arroyito (Rosário)

Disputa do terceiro lugar da Copa do Mundo

A partida de consolação serviu para ratificar a excelente e digna campanha construída pela Seleção Brasileira em território rival. Enfrentando a forte e técnica equipe da Itália em Buenos Aires, o Brasil saiu atrás no marcador, mas buscou uma virada na base do brio e da qualidade técnica com gols de Nelinho (em um chute de trivela antológico) e Dirceu, assegurando a medalha de bronze invicta.

  • 24 de junho – Brasil 2 x 1 Itália – Estádio Monumental de Núñez (Buenos Aires)

Final da Copa do Mundo de 1978

A grande e aguardada decisão da Copa do Mundo de 1978 reuniu Argentina e Holanda no Estádio Monumental de Núñez perante mais de 71 mil torcedores inflamados em uma atmosfera sufocante. A partida começou com contornos de drama e catimba por parte dos argentinos, que atrasaram o início do jogo protestando contra uma proteção de gesso no braço do holandês René van de Kerkhof. Quando a bola rolou, a imposição física ditou o ritmo das ações. Mario Kempes abriu o placar na etapa inicial inflamando a torcida, mas a Holanda buscou o empate heróico aos 37 minutos do segundo tempo com uma cabeçada cirúrgica de Dick Nanninga. No último minuto regulamentar, o holandês Rensenbrink carimbou a trave argentina, raspando o gol do título europeu e arrastando o duelo para a prorrogação.

No tempo extra, empurrada pela fantástica e ensurdecedora festa de papel picado nas arquibancadas, a seleção da Argentina demonstrou maior perna e equilíbrio emocional para garantir a glória máxima. Aos 15 minutos do primeiro tempo suplementar, Kempes brigou com a zaga de forma heróica e empurrou a bola para as redes para desempatar o clássico. Na etapa final, Daniel Bertoni aproveitou uma assistência perfeita do próprio Kempes para chutar cruzado, decretar o placar final de 3 a 1 e sepultar as esperanças holandesas. O apito final coroou a Argentina como campeã mundial pela primeira vez na história do futebol.

  1. 25 de junho – Argentina 3 x 1 Holanda (Prorrogação) – Estádio Monumental de Núñez (Buenos Aires)

Classificação final da Copa do Mundo de 1978

Abaixo, confira a tabela de classificação final do torneio de 1978, estruturada oficialmente de forma retroativa pela FIFA com base nas fases alcançadas, pontos acumulados e saldo de gols de cada nação:

    1.
  1. Argentina (Campeã)
  2. 2.
  3. Holanda (Vice-campeã)
  4. 3.
  5. Brasil
  6. 4.
  7. Itália
  8. 5.
  9. Polônia
  10. 6.
  11. Alemanha Ocidental
  12. 7.
  13. Áustria
  14. 8.
  15. Peru
  16. 9.
  17. Tunísia
  18. 10.
  19. Espanha
  20. 11.
  21. Escócia
  22. 12.
  23. França
  24. 13.
  25. Suécia
  26. 14.
  27. Irã
  28. 15.
  29. Hungria
  30. 16.
  31. México

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