Copa do Mundo de 1978: Todos os resultados
Relembre placares, polêmicas e o primeiro título da Argentina em 1978.

A décima primeira edição da história dos Mundiais cruzou o Oceano Atlântico em junho de 1978 para desembarcar em solo sul-americano sob uma das conjunturas mais complexas e sombrias do esporte. A Argentina foi a nação escolhida para sediar a Copa do Mundo de 1978, um evento que acabou profundamente instrumentalizado pela violenta ditadura militar do general Jorge Rafael Videla. O regime utilizou a imensa paixão local pelo futebol como uma massiva cortina de fumaça propagandística para tentar ocultar as graves violações de direitos humanos que ocorriam no país.
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Os bastidores técnicos e políticos da competição provocaram desfalques de enorme impacto técnico antes mesmo do apito inicial. Revoltado com a situação política da Argentina (e por traumas familiares revelados anos depois), o genial craque Johan Cruyff recusou-se a defender a Holanda, privando o torneio de sua maior estrela. Além disso, o clima de extrema pressão psicológica e o calendário de jogos modificado para favorecer os donos da casa geraram intensos protestos das demais delegações estrangeiras ao longo de todo o mês.
Para receber os jogos, o comitê organizador concentrou as partidas em cinco cidades e reformou completamente estádios tradicionais, como o Monumental de Núñez, em Buenos Aires. O aspecto visual daquela Copa ficou eternizado pela icônica e impressionante chuva de confetes e papéis picados brancos que a torcida local arremessava nos gramados a cada entrada da seleção argentina. Essa atmosfera ensurdecedora e pulsante nas arquibancadas transformou-se no décimo segundo jogador da equipe albiceleste em campo.
Para a Seleção Brasileira, o torneio em território argentino representou uma das campanhas mais controversas e politicamente carregadas de sua história. Sob o comando do técnico Cláudio Coutinho, um capitão do exército que introduziu conceitos científicos e físicos rígidos, o Brasil praticou um futebol pragmático e focado na força defensiva. A Amarelinha terminou a competição de forma invicta, mas acabou eliminada da final após um suspeito e amplamente debatido placar na rodada decisiva do grupo rival, rendendo ao time o eterno apelido de "campeão moral".
Apesar das suspeitas que mancharam os bastidores, o torneio consagrou a genialidade técnica e o faro de gol do atacante Mario Kempes, o "El Matador". Único atleta do elenco argentino que atuava no futebol europeu na época, Kempes carregou a responsabilidade ofensiva de seu país nos momentos de maior sufoco e dramaticidade. O desempenho avassalador do camisa 10 na grande e tensa finalíssima diante dos holandeses garantiu a explosão de alegria de um povo sofrido e colocou a Argentina de forma inédita na galeria dos campeões mundiais.
Resultados da Copa do Mundo de 1978
Primeira fase - Grupo 1
O grupo de abertura do torneio foi considerado uma verdadeira chave da morte e entregou partidas equilibradas e de altíssima qualidade técnica em Buenos Aires. A Itália surpreendeu os prognósticos locais ao apresentar um futebol envolvente e vencer a própria dona da casa Argentina no confronto direto, avançando na liderança isolada. Franceses e húngaros deram adeus precoce com atuações abaixo do esperado.
- 2 de junho – Itália 2 x 1 França – Estádio José María Minella (Mar del Plata)
- 2 de junho – Argentina 2 x 1 Hungria – Estádio Monumental de Núñez (Buenos Aires)
- 6 de junho – Itália 3 x 1 Hungria – Estádio José María Minella (Mar del Plata)
- 6 de junho – Argentina 2 x 1 França – Estádio Monumental de Núñez (Buenos Aires)
- 10 de junho – França 3 x 1 Hungria – Estádio José María Minella (Mar del Plata)
- 10 de junho – Itália 1 x 0 Argentina – Estádio Monumental de Núñez (Buenos Aires)
Primeira fase - Grupo 2
Esta chave entrou para a história das Copas do Mundo ao registrar a primeiríssima vitória de uma seleção do continente africano na competição: o triunfo da Tunísia sobre o México por 3 a 1. Apesar do feito histórico dos tunisianos, o grupo acabou dominado pelo pragmatismo europeu. A Polônia garantiu a liderança de forma invicta, avançando ao lado da atual campeã Alemanha Ocidental.
- 1 de junho – Alemanha Ocidental 0 x 0 Polônia – Estádio Monumental de Núñez (Buenos Aires)
- 2 de junho – Tunísia 3 x 1 México – Estádio Gigante de Arroyito (Rosário)
- 6 de junho – Alemanha Ocidental 6 x 0 México – Estádio Chateau Carreras (Córdoba)
- 6 de junho – Polônia 1 x 0 Tunísia – Estádio Gigante de Arroyito (Rosário)
- 10 de junho – Alemanha Ocidental 0 x 0 Tunísia – Estádio Chateau Carreras (Córdoba)
- 10 de junho – Polônia 3 x 1 México – Estádio Gigante de Arroyito (Rosário)
Primeira fase - Grupo 3
A chave da Seleção Brasileira transformou-se em um enorme teste de paciência e nervos para os torcedores, com partidas truncadas em campos péssimos. O Brasil estreou com empates burocráticos e teve um gol legítimo de Zico anulado pelo árbitro Clive Thomas no último segundo contra a Suécia. A suada classificação veio na rodada final, avançando em segundo lugar atrás da surpreendente e organizada Áustria.
- 3 de junho – Áustria 2 x 1 Espanha – Estádio José Amalfitani (Buenos Aires)
- 3 de junho – Brasil 1 x 1 Suécia – Estádio José María Minella (Mar del Plata)
- 7 de junho – Áustria 1 x 0 Suécia – Estádio José Maria Minella (Mar del Plata)
- 7 de junho – Brasil 0 x 0 Espanha – Estádio José Amalfitani (Buenos Aires)
- 11 de junho – Espanha 1 x 0 Suécia – Estádio José Amalfitani (Buenos Aires)
- 11 de junho – Brasil 1 x 0 Áustria – Estádio José María Minella (Mar del Plata)
Primeira fase - Grupo 4
O Grupo 4 testemunhou o futebol vertical e encantador da excelente seleção do Peru, que desfilou enorme categoria sob a batuta de Teófilo Cubillas para liderar a chave de forma invicta. A tradicional e badalada Holanda sentiu imensamente a falta de entrosamento tático, tropeçou diante da Escócia na rodada final, mas assegurou a segunda vaga apenas nos critérios de saldo de gols.
- 3 de junho – Peru 3 x 1 Escócia – Estádio Chateau Carreras (Córdoba)
- 3 de junho – Holanda 3 x 0 Irã – Estádio Ciudad de Mendoza (Mendoza)
- 7 de junho – Escócia 1 x 1 Irã – Estádio Chateau Carreras (Córdoba)
- 7 de junho – Holanda 0 x 0 Peru – Estádio Ciudad de Mendoza (Mendoza)
- 11 de junho – Peru 4 x 1 Irã – Estádio Chateau Carreras (Córdoba)
- 11 de junho – Escócia 3 x 2 Holanda – Estádio Ciudad de Mendoza (Mendoza)
Segunda fase - Grupo A
Mantendo a fórmula da Copa do Mundo anterior, os oito classificados foram divididos em dois novos quadrangulares de pontos corridos. A chave "A" reuniu exclusivamente potências do futebol europeu em duelos físicos intensos. A Holanda reencontrou o seu melhor ritmo coletivo ao longo das rodadas, superou a Itália no confronto decisivo e carimbou seu passaporte para a grande final.
- 14 de junho – Holanda 5 x 1 Áustria – Estádio Chateau Carreras (Córdoba)
- 14 de junho – Itália 0 x 0 Alemanha Ocidental – Estádio Ciudad de Mendoza (Mendoza)
- 18 de junho – Holanda 2 x 2 Alemanha Ocidental – Estádio Chateau Carreras (Córdoba)
- 18 de junho – Itália 1 x 0 Áustria – Estádio Ciudad de Mendoza (Mendoza)
- 21 de junho – Áustria 3 x 2 Alemanha Ocidental – Estádio Chateau Carreras (Córdoba)
- 21 de junho – Holanda 2 x 1 Itália – Estádio Ciudad de Mendoza (Mendoza)
Segunda fase - Grupo B
A chave transformou-se no cenário da maior e mais ruidosa polêmica da história das Copas. Brasil e Argentina travaram um clássico violento que terminou empatado em Rosário. Na última rodada, jogando horas depois do Brasil e sabendo o resultado necessário, a Argentina precisava vencer o Peru por quatro gols de diferença. A goleada por 6 a 0 sobre os peruanos levantou imensas suspeitas de facilitação e colocou os donos da casa na final.
- 14 de junho – Brasil 3 x 0 Peru – Estádio Ciudad de Mendoza (Mendoza)
- 14 de junho – Argentina 2 x 0 Polônia – Estádio Gigante de Arroyito (Rosário)
- 18 de junho – Argentina 0 x 0 Brasil – Estádio Gigante de Arroyito (Rosário)
- 18 de junho – Polônia 1 x 0 Peru – Estádio Ciudad de Mendoza (Mendoza)
- 21 de junho – Brasil 3 x 1 Polônia – Estádio Ciudad de Mendoza (Mendoza)
- 21 de junho – Argentina 6 x 0 Peru – Estádio Gigante de Arroyito (Rosário)
Disputa do terceiro lugar da Copa do Mundo
A partida de consolação serviu para ratificar a excelente e digna campanha construída pela Seleção Brasileira em território rival. Enfrentando a forte e técnica equipe da Itália em Buenos Aires, o Brasil saiu atrás no marcador, mas buscou uma virada na base do brio e da qualidade técnica com gols de Nelinho (em um chute de trivela antológico) e Dirceu, assegurando a medalha de bronze invicta.
- 24 de junho – Brasil 2 x 1 Itália – Estádio Monumental de Núñez (Buenos Aires)
Final da Copa do Mundo de 1978
A grande e aguardada decisão da Copa do Mundo de 1978 reuniu Argentina e Holanda no Estádio Monumental de Núñez perante mais de 71 mil torcedores inflamados em uma atmosfera sufocante. A partida começou com contornos de drama e catimba por parte dos argentinos, que atrasaram o início do jogo protestando contra uma proteção de gesso no braço do holandês René van de Kerkhof. Quando a bola rolou, a imposição física ditou o ritmo das ações. Mario Kempes abriu o placar na etapa inicial inflamando a torcida, mas a Holanda buscou o empate heróico aos 37 minutos do segundo tempo com uma cabeçada cirúrgica de Dick Nanninga. No último minuto regulamentar, o holandês Rensenbrink carimbou a trave argentina, raspando o gol do título europeu e arrastando o duelo para a prorrogação.
No tempo extra, empurrada pela fantástica e ensurdecedora festa de papel picado nas arquibancadas, a seleção da Argentina demonstrou maior perna e equilíbrio emocional para garantir a glória máxima. Aos 15 minutos do primeiro tempo suplementar, Kempes brigou com a zaga de forma heróica e empurrou a bola para as redes para desempatar o clássico. Na etapa final, Daniel Bertoni aproveitou uma assistência perfeita do próprio Kempes para chutar cruzado, decretar o placar final de 3 a 1 e sepultar as esperanças holandesas. O apito final coroou a Argentina como campeã mundial pela primeira vez na história do futebol.
- 25 de junho – Argentina 3 x 1 Holanda (Prorrogação) – Estádio Monumental de Núñez (Buenos Aires)
Classificação final da Copa do Mundo de 1978
Abaixo, confira a tabela de classificação final do torneio de 1978, estruturada oficialmente de forma retroativa pela FIFA com base nas fases alcançadas, pontos acumulados e saldo de gols de cada nação:
- Argentina (Campeã)
- Holanda (Vice-campeã)
- Brasil
- Itália
- Polônia
- Alemanha Ocidental
- Áustria
- Peru
- Tunísia
- Espanha
- Escócia
- França
- Suécia
- Irã
- Hungria
- México
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