Lateral do sub-20 do Grêmio, Júlia Arnold relembra início no futebol e apoio da mãe
Lateral de 18 anos relembra a infância no Rio de Janeiro, a influência da mãe, a mudança para Porto Alegre e os planos para alcançar o futebol profissional

A história de Júlia Arnold com o futebol começou antes mesmo de ela entender o que significava sonhar com uma carreira profissional. Enquanto muitas meninas precisaram enfrentar resistência para entrar em campo, a lateral-direita do Grêmio encontrou em casa uma das suas maiores incentivadoras.
Natural do Rio de Janeiro, Júlia de Oliveira da Silva Arnold, hoje com 18 anos, começou a dar os primeiros chutes na bola ainda na infância. Na época, a mãe buscava apenas uma atividade extracurricular para preencher o horário da filha enquanto trabalhava, e a primeira escolha foi o balé.
— Todos os dias eu chegava em casa e pedia para parar de fazer balé porque queria fazer futebol. Eu era muito nova e nem existia futebol feminino como existe hoje. Mas eu insistia tanto que acabaram deixando eu jogar — relembrou ela, em entrevista ao Lance!.
— Minha mãe sempre me levou para assistir aos jogos. Hoje ela acompanha até mais futebol feminino do que eu. Às vezes me liga para avisar que tem jogo passando na televisão. Ela sempre foi minha parceira.

A influência familiar ajudou a construir uma atleta determinada, mas as inspirações dentro de campo também tiveram papel importante. Como milhares de meninas brasileiras, Júlia cresceu admirando Marta e, por atuar como lateral, também é fã de Tamires.
— A Marta sempre foi uma inspiração. Mas, para mim, a Tamires sempre teve um significado especial. Como eu sou lateral, sempre admirei muito a forma como ela joga.
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Dos campos do Rio ao sonho gremista
O primeiro passo competitivo aconteceu no Bangu, por meio de uma escolinha parceira do clube, e Júlia teve a oportunidade de disputar competições e chamar atenção de equipes maiores. Pouco tempo depois, o Flamengo apareceu no caminho. Mais tarde vieram as passagens pelo Vasco, onde permaneceu nas categorias de base, até a transferência para o Grêmio no início deste ano.
Pela primeira vez, a lateral deixou o Rio de Janeiro para viver longe da família. Hoje, mora no alojamento do Grêmio, em Porto Alegre, e encara diariamente os desafios da independência.
— Eu sempre joguei em clubes do Rio. Estar perto da família e dos amigos influencia bastante. Mas vim para cá justamente para sair da zona de conforto e viver coisas diferentes através do futebol.
Apesar da distância de casa, a adaptação tem sido mais tranquila do que imaginava.
— As meninas, a comissão e todo mundo do clube me ajudaram muito. Está sendo um processo muito tranquilo (...) falaram que o frio ainda nem chegou. Então estou esperando para ver o que vem por aí — brincou.
Uma lateral por vocação
Diferentemente de muitas atletas que passaram por várias posições até encontrarem seu espaço em campo, Júlia praticamente nasceu lateral.
— Sempre fui lateral. Nunca me deram nem a opção de testar outra posição. Diziam: ela é lateral e pronto.
Hoje, a jovem enxerga justamente nessa versatilidade uma das maiores exigências da função.
— Acho que a maior dificuldade é a parte física. A lateral precisa atacar, defender, voltar, apoiar. É uma posição muito intensa. Eu gosto de apoiar bastante o jogo. Cruzamentos, chegadas na área e participação ofensiva fazem parte das minhas principais qualidades.
Curiosamente, o sobrenome Arnold também a acompanha no futebol de uma forma inusitada. A ex-jogadora alemã Julia Arnold, que construiu uma longa carreira no futebol feminino da Alemanha, com mais de 280 partidas entre FF USV Jena, FC Köln e FC Carl Zeiss Jena. Mas a coincidência mais divertida, segundo ela, envolve outro Arnold famoso.
— O meu título no futebol masculino é o Alexander-Arnold. Ele também é lateral-direito.
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Sonho de profissionalização
A chegada ao Grêmio também foi motivada pela perspectiva de crescimento profissional. Ainda no início da trajetória pelo clube gaúcho, Júlia já teve a oportunidade de participar de atividades com a equipe principal, experiência que considera fundamental para seu amadurecimento.
— Eu enxerguei uma projeção muito boa dentro do Grêmio. Já participei de alguns treinos no profissional e isso me fez voltar para o Sub-20 mais preparada, mais cascuda.
O futebol feminino que ela sempre sonhou
Integrante de uma geração que encontrou uma estrutura muito melhor do que a de atletas de décadas anteriores, Júlia reconhece a evolução das competições de base no Brasil. Hoje, o calendário é mais completo, com torneios nacionais e estaduais que oferecem sequência de jogos e desenvolvimento técnico.
— A gente sempre sonhou que o calendário aumentasse. Agora estamos vivendo isso. Claro que exige mais preparação física e mental, mas é exatamente o que queríamos.
Fora dos gramados, a lateral também já planeja o futuro. Com o ensino médio concluído, pretende iniciar o curso de Fisioterapia ainda neste ano.
— Minha ideia é nunca sair do futebol. Quero continuar ligada ao esporte de alguma forma — finaliza Júlia.

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