'O talento bruto está na comunidade': a estratégia da KL Sports & Business Women no futebol feminino
Agência do Rio de Janeiro gerencia a carreira de 80 atletas na modalidade

Há sete anos no futebol feminino, a KL Sports & Business Women tem apostado em um caminho pouco convencional no mercado: buscar talentos onde muitos agentes ainda não olham. Comunidades do Rio de Janeiro e cidades fora do eixo tradicional do futebol brasileiro fazem parte do mapa da agência comandada por Lourenço Lessa, que atualmente gerencia 80 atletas ao redor do mundo.
Foi assim que a empresa encontrou nomes como Marília, convocada para a Seleção Brasileira. A filosofia da agência é investir em atletas em desenvolvimento e construir carreiras a longo prazo, acompanhando desde a formação até as oportunidades internacionais.
Em entrevista ao Lance!, Lourenço falou sobre os desafios do futebol feminino brasileiro, a importância de estudar as particularidades da modalidade e a expectativa para o impacto da Copa do Mundo Feminina de 2027 no mercado das jogadoras brasileiras.
Esta reportagem abre uma série especial do L! sobre o mercado de transferências no futebol feminino. Ao longo das próximas publicações, serão apresentados agentes, empresas e profissionais que atuam nas negociações de atletas, além de discutir o funcionamento desse mercado, seus desafios e as oportunidades que impulsionam o crescimento da modalidade.
➡️ Tudo sobre Futebol Feminino agora no WhatsApp. Siga nosso novo canal Lance! Futebol Feminino
Entrevista com Lourenço Lessa, da KL Sports & Business Women
Lance!: Como você entrou no mercado do futebol feminino e como surgiu esse trabalho da KL Sports & Business Women?
Lourenço Lessa: Eu trabalho no futebol há quase 18 anos e com o futebol feminino há sete anos. A empresa enxergou um mercado que estava sendo criado naquele momento e começamos a observar algumas jogadoras que tinham potencial. A primeira partida que assistimos foi um Vasco x Botafogo, onde identificamos atletas como Ronaldinha, Rhaizza e Ariely. Hoje, a Raia é atleta da nossa agência e a Ariely voltou ao Vasco, clube que a revelou.
Nós sempre trabalhamos com um olhar muito clínico para oportunidades de mercado. Investimos bastante em captação e em ações sociais. Acreditamos muito no talento bruto, que muitas vezes está nas comunidades. Nem sempre as oportunidades chegam para essas pessoas, então buscamos justamente identificar esse potencial.
Há sete anos, o mercado do futebol feminino era muito diferente. O maior salário das nossas atletas era de R$ 2 mil e ainda existia uma incerteza sobre a continuidade da modalidade. Hoje, vemos um cenário muito mais profissionalizado, com mulheres e homens se capacitando para trabalhar especificamente com o futebol feminino.
Lance!: Quais características e conhecimentos são fundamentais para trabalhar com gestão de carreira no futebol feminino?
Lourenço Lessa: O direito é fundamental. Conhecer os direitos e deveres ajuda em qualquer profissão. Mas, no futebol feminino, também é necessário estudar outras áreas.
Você precisa entender genética, sistema hormonal, aspectos da saúde da mulher e até psicologia. Não é possível utilizar as mesmas métricas do futebol masculino no feminino. São modalidades diferentes, com necessidades diferentes. Além disso, cada atleta é única. Algumas vêm de famílias com uma estrutura financeira maior, outras chegam das comunidades e enfrentam desafios completamente diferentes. O trabalho de gestão de carreira passa por entender o ser humano, suas características individuais e construir um planejamento de longo prazo. Ser agente não é apenas encontrar um clube para uma atleta. É ajudá-la a construir uma carreira.
Lance!: Existe algum case da agência que represente esse trabalho desenvolvido por vocês?
Lourenço Lessa: Se eu citar apenas um nome, seria injusto. Temos muitas histórias que nos orgulham. A Marília, por exemplo, chegou até nós há cerca de seis anos, quando jogava em Manaus. Era uma atleta que muitos agentes provavelmente não enxergariam naquele momento. Nós acreditamos no potencial dela, fizemos esse trabalho de desenvolvimento e hoje ela é atleta do Cruzeiro e da seleção brasileira.
A Flávia Mota também veio de uma realidade semelhante, hoje está no Flamengo e é uma das principais zagueiras do futebol brasileiro. Temos ainda a Rhaizza, que bateu o recorde de maior venda de uma jogadora brasileira da Europa para a Ásia. Ela saiu de uma comunidade do Rio de Janeiro, jogou na Albânia, na Turquia, na China e hoje é atleta do Corinthians.
Outro caso é o da goleira Tainá, que era a quinta goleira do Flamengo quando começamos a trabalhar com ela. Hoje, já passou por clubes importantes como Grêmio e Internacional e atua no América-MG. São histórias que mostram que o talento não escolhe classe social ou região do país. O nosso trabalho é identificar esse potencial e criar as oportunidades para que ele apareça.

Lance!: Como funciona a rotina de trabalho da agência?
Lourenço Lessa: Nós viajamos muito. O futebol exige presença. Não é um trabalho que pode ser feito apenas sentado em um escritório esperando as coisas acontecerem. Nosso escritório fica em Niterói, no Rio de Janeiro, e foi pensado especialmente para o futebol feminino. Mas grande parte do nosso trabalho acontece acompanhando as atletas, visitando clubes e estando próximos das jogadoras.
A profissão pede muita dedicação. Muitas vezes, tanto nós quanto as atletas abrimos mão de estar perto da família para acompanhar a carreira delas da melhor forma possível.
Lance!: Como você avalia o mercado brasileiro do futebol feminino atualmente e quais são os principais desafios?
Lourenço Lessa: O futebol feminino evoluiu muito nos últimos anos. Hoje temos melhores salários, mais competições de base e clubes investindo em categorias como sub-15 e sub-12.
Ainda há muito espaço para crescimento, principalmente nas competições de base, que precisam de mais calendário e oportunidades. Quanto mais cedo as meninas começarem a jogar e a competir, melhor será o nível técnico do futebol feminino brasileiro.
Um erro muito comum é querer comparar o futebol feminino ao masculino. O investimento na modalidade feminina começou há cerca de dez ou quinze anos, enquanto o masculino possui mais de um século de história. São produtos diferentes e precisam ser analisados dessa forma.
Outro ponto positivo é a relação do futebol feminino com o público. Os ingressos costumam ser mais acessíveis, permitindo que famílias frequentem os estádios. Isso ajuda a criar uma nova geração de torcedores.
Lance!: Os contratos no futebol feminino ainda costumam ser mais curtos do que no masculino. Como você vê essa questão?
Lourenço Lessa: Os contratos mais curtos eram uma realidade muito comum no início do crescimento do futebol feminino. Hoje, vejo que a gestão dos clubes evoluiu bastante.
Também é importante que esse crescimento seja sustentável. Não adianta oferecer salários muito altos sem planejamento financeiro. O futebol feminino está crescendo de forma consistente, e isso passa por uma administração responsável. Os contratos mais longos estão se tornando cada vez mais comuns, acompanhando a profissionalização do mercado. É um processo natural de amadurecimento da modalidade.
Lance!: Quantas atletas fazem parte do portfólio da agência atualmente?
Lourenço Lessa: Hoje trabalhamos com cerca de 80 atletas no futebol feminino, entre brasileiras, sul-americanas, africanas e europeias. Preferimos trabalhar com um número que nos permita oferecer um acompanhamento individualizado. Não adianta ter centenas de atletas se você não consegue dedicar o tempo necessário para cada uma delas.
Lance!: O que você espera do impacto da Copa do Mundo Feminina de 2027 para o mercado brasileiro?
Lourenço Lessa: As expectativas são muito altas. A seleção brasileira tem condições reais de disputar o título e conta hoje com atletas espalhadas pelas principais ligas do mundo.
O futebol feminino brasileiro já não está mais concentrado apenas no mercado nacional. Temos jogadoras atuando na França, Itália e em diversos outros países, o que fortalece a seleção e aumenta a visibilidade das atletas brasileiras.
A Copa do Mundo tem tudo para acelerar ainda mais o crescimento da modalidade no país. Acredito que veremos um aumento do interesse do público, mais investimentos e novas oportunidades para as jogadoras brasileiras no mercado internacional.

Tudo sobre

Futebol Feminino
Corinthians vira sobre Santa Fe e está na final da Libertadores feminina
Há 2 horas
Futebol Feminino
Futebol feminino cresce em audiência, e perfil Brasileiras soma 36 milhões de visualizações em 2026
Há 7 horasFutebol Feminino
A Copa é Delas: 5º episódio destaca Tarciane, Formiga e as sedes do Mundial de 2027
Há 9 horas
Onde Assistir
Corinthians x Independiente Santa Fe: onde assistir, horário e escalações
Há 1 dia
Onde Assistir
Cruzeiro x Olimpia: onde assistir, horário e escalações
Há 1 dia
Futebol Feminino
Como o Barcelona transformou o futebol feminino em potência esportiva e comercial
Há 1 diaMais LANCE!

Ana Flávia destaca momento histórico e projeta duelo do Cruzeiro por vaga na final da Libertadores Feminina

CBF detalha semifinal da Copa do Brasil Feminina; veja datas, horários e onde assistir

Alexia Putellas conquista terceira Bola de Ouro e manda recado a ex-companheiras

IA projeta chance de final brasileira na Libertadores Feminina; veja probabilidades

Bola de Ouro feminina: Lorena é a única brasileira e termina em 28º

Corinthians vive semana com jogos decisivos na temporada; veja calendário

Bola de Ouro 2026: saiba onde assistir, horário e indicados ao prêmio nesta segunda-feira

Com Flamengo e três brasileiros, quem são os indicados ao prêmio da Bola de Ouro?

Letícia celebra retorno aos gramados e classificação do Cruzeiro às quartas da Libertadores

Gabi Zanotti fica a um gol do centésimo pelo Corinthians

Botafogo anuncia patrocínio do Guaraná Antarctica para o time feminino

CBF define confrontos das semifinais da Copa do Brasil Feminina

Bola de Ouro 2026: veja quando será, horário, onde assistir e todos os indicados
