Torcedora organiza caravana só de mulheres para apoiar Seleção Brasileira em SP
Vivian, Vitória e Poliany assistirão à partida deste sábado na Neo Química Arena

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O sonho de ver a Seleção Brasileira Feminina de perto levou a mineira Vivian Alves, de 24 anos, a organizar uma caravana para o amistoso contra os Estados Unidos, na Neo Química Arena, neste sábado. Moradora de Paulínia, no interior de São Paulo, a contadora transformou uma paixão antiga pelo futebol feminino em um projeto que já levou dezenas de torcedores a finais históricas da modalidade e que agora chega a um novo capítulo: acompanhar a Seleção pela primeira vez.
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A ideia de organizar a viagem para o jogo surgiu de um desejo compartilhado por muitas integrantes do grupo. Vivian conta que sempre sonhou em assistir à Seleção no estádio e que, desta vez, a oportunidade apareceu no momento ideal.
— Há muito tempo esperávamos por essa oportunidade. O jogo caiu em um dia e horário que permitiam ir com tranquilidade e voltar sem pressa. Para muitas pessoas da caravana, assim como para mim, será a primeira vez vendo a Seleção ao vivo. É uma realização muito especial — contou, em entrevista ao Lance!.
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Apesar de ser a estreia do grupo em jogos da equipe comandada por Arthur Elias, a iniciativa já tem história. Esta será a nona caravana organizada por Vivian e suas irmãs, Vitória e Poliany. Tudo começou em 2019, quando a família decidiu reunir torcedores para acompanhar a final do Campeonato Paulista Feminino na Neo Química Arena.
Apaixonada por futebol desde criança, Vivian cresceu em uma família corinthiana, mas enfrentou as dificuldades de acompanhar a modalidade em uma época em que transmissões eram raras e o acesso aos estádios era mais limitado. Ela lembra que assistia às partidas onde fosse possível, seja pela televisão, internet ou até por transmissões improvisadas feitas por torcedores.
Quando surgiu a final estadual de 2019, veio também a ideia de levar mais pessoas para viver aquela experiência juntas. O projeto deu certo logo na primeira tentativa. Enquanto Vivian cuidava da logística e do contato com as empresas de transporte, Poliany produzia as artes de divulgação e Vitória ajudava a espalhar as informações entre grupos de amigos e redes sociais.
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Desde então, o trio esteve presente em praticamente todas as grandes finais que bateram recordes de público no futebol feminino brasileiro. As caravanas acompanharam decisões de Campeonato Paulista, Brasileirão Feminino e Supercopa Feminina, sempre com o mesmo objetivo: aproximar torcedores da modalidade.
Mais do que facilitar o transporte, o projeto nasceu para oferecer um ambiente seguro, especialmente para mulheres.
— A caravana foi criada exclusivamente para jogos de futebol feminino. Muitas pessoas se sentem mais seguras quando veem uma mulher organizando tudo. O objetivo sempre foi aproximar principalmente mulheres do interior, que muitas vezes não teriam oportunidade de ir aos jogos por causa da distância ou do receio de viajar sozinhas — explica.
Segundo ela, a iniciativa também permite que torcedores realizem sonhos simples, como conhecer ídolos, conseguir autógrafos e voltar para casa em segurança. Com o passar dos anos, porém, o grupo passou a representar algo maior.
— Hoje as pessoas não vão apenas porque o ingresso é mais acessível ou pelo transporte. Elas vão porque gostam de futebol feminino. Tem gente com camisa personalizada, tatuagem e discussão sobre escalação durante a viagem. Isso mostra como a modalidade cresceu — diz.
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Para o amistoso da Seleção, foram abertas 15 vagas, todas preenchidas. A viagem também marca uma novidade para a organizadora: pela primeira vez, a caravana será composta exclusivamente por mulheres.
— É algo muito simbólico para mim. Comecei a organizar essas viagens justamente para ampliar a presença feminina nos estádios e proporcionar uma experiência acolhedora. Fazer isso no nosso primeiro jogo da Seleção torna tudo ainda mais especial — afirma.
Vivian vê a Seleção Brasileira como um símbolo que ultrapassa os limites do esporte. Ela conta que não acompanhou de perto a geração que ajudou a consolidar o futebol feminino no país, mas estudou sua trajetória e reconhece a importância das pioneiras para a realidade atual.
— A Seleção representa sonho, persistência, garra e a força do esporte como ferramenta de transformação. Ainda existem muitas barreiras, mas seguimos construindo esse caminho todos os dias — destaca.
Entre as referências da modalidade, ela prefere fugir dos nomes mais óbvios. Sua inspiração é a ex-volante Grazi, que defendeu o Brasil em Copas do Mundo e Olimpíadas.
— Tenho a camisa dela na parede da minha sala e o autógrafo tatuado na pele. É uma lembrança de que a opinião dos outros não pode nos afastar dos nossos objetivos — conta.
No jogo contra os Estados Unidos, o grupo ficará dividido entre os setores Oeste e Leste da Neo Química Arena. Mesmo assim, Vivian acredita que a experiência será compartilhada da mesma forma. Para ela, a caravana que começou de forma improvisada em 2019 já se transformou em uma rede de apoio e pertencimento para quem acompanha o futebol feminino.
E os planos não param por aí. Com a Copa do Mundo Feminina de 2027 marcada para o Brasil, ela já projeta os próximos passos.
— Quem sabe a gente não consegue levar pessoas para assistir a uma Copa do Mundo? Esse sempre foi o objetivo: fazer mais gente viver de perto a emoção do futebol feminino.
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