Bia Menezes vê São Paulo forte em 2026: 'Buscamos o topo'
Em entrevista ao Lance!, a lateral falou sobre período lesionada, momento no clube e Seleção Brasileira

A lateral-esquerda Bia Menezes voltou a ganhar espaço no São Paulo após superar a primeira cirurgia da carreira. Recuperada antes do prazo inicialmente previsto pelos médicos, a jogadora já soma duas assistências nos cinco jogos disputados desde o retorno aos gramados.
A recuperação surpreendeu até mesmo os prognósticos mais otimistas. Quando foi submetida ao procedimento cirúrgico devido a um rompimento ligamentar na sindesmose do tornozelo, a estimativa era de cerca de seis meses para retornar aos gramados. O processo, porém, avançou de forma positiva e permitiu que ela estivesse novamente à disposição da comissão técnica em quatro meses.
— O médico tinha me passado seis meses e eu consegui voltar com quatro. Vou completar seis meses agora já jogando. Voltar antes do previsto, sem dor e contribuindo para a equipe é algo muito positivo — afirmou, em entrevista ao Lance!.
Segundo a lateral, os primeiros jogos serviram para recuperar sensações que somente a sequência de partidas consegue proporcionar.
— A parte física acaba sentindo porque o grupo inteiro já estava em um ritmo diferente. Mas contra o Santos foi o jogo em que me senti melhor fisicamente, consegui responder melhor ao que a partida exigia. Aos poucos o ritmo, a velocidade e o cognitivo vão voltando — explicou.
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Bia vê crescimento do futebol feminino
Natural de São Bernardo do Campo, no ABC Paulista, Bia iniciou a trajetória nas categorias de base do Centro Olímpico e acompanhou de perto as transformações do futebol feminino brasileiro ao longo da última década.
Ao olhar para trás, ela acredita que a principal diferença em relação aos primeiros anos da carreira está nas oportunidades que passaram a surgir para as novas gerações de atletas.
— A Bia de 2014 acreditava que poderia viver do futebol feminino. Hoje eu vivo do futebol feminino. A evolução foi muito grande e trouxe mais oportunidades para quem está chegando agora, tanto na parte financeira quanto no desenvolvimento como atleta.
Apoio familiar foi decisivo durante a recuperação
Se o processo físico exigiu disciplina, o aspecto emocional também representou um desafio importante no período lesionada. Bia revelou que interrompeu as sessões de terapia após sofrer a lesão porque não queria reviver constantemente a situação, mas encontrou na família e nos amigos a base necessária para atravessar o período mais delicado da recuperação.
Morando sozinha em São Paulo, a atleta contou com a presença da madrinha, que viajou do Nordeste para acompanhá-la, além do apoio constante da namorada, do pai, do avô e de amigos que se aproximaram ainda mais durante o processo.
— Foi um momento difícil. Eu tinha minhas preocupações, mas sempre tinha alguém ao meu lado para estender a mão. Acho que saio mais forte dessa experiência porque tive pessoas muito importantes me ajudando durante todo o caminho.
A jogadora também destacou o trabalho conjunto realizado entre profissionais externos e o departamento médico do São Paulo, além da confiança recebida do técnico Thiago Viana.
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Reformulação do elenco e briga pelas primeiras posições
O retorno de Bia acontece em um momento de mudanças no São Paulo. Depois de uma temporada marcada pela disputa da Libertadores, o clube promoveu uma ampla reformulação no elenco para 2026, com diversas contratações e novas peças chegando ao grupo.
Para a lateral, o processo de adaptação tem sido construído diariamente, à medida que as atletas passam a conhecer melhor as características umas das outras. O São Paulo ocupa a terceira colocação Brasileirão e segue na disputa pelos principais objetivos da temporada, como o Paulistão e a Copa do Brasil.
— A gente precisa entender o tamanho do peso da camisa e a trajetória que o São Paulo vem construindo desde a reativação. O título da Supercopa também trouxe para a gente uma certa responsabilidade, elevou o nível, subiu o sarrafo automaticamente. Então, acho que essa disputa é muito pau a pau porque são clubes que investem bastante no futebol feminino. Estar nas primeiras posições para a gente é ótimo. As meninas que chegaram entenderam muito bem a importância de estar na parte de cima da tabela, porque isso traz benefícios para a segunda fase. Acho que isso é muito fruto do coletivo, do trabalho que vem sendo feito. As coisas vão acontecendo e é importante valorizar esse topo da tabela, porque ele é muito difícil.
O São Paulo no Paulistão
Além do Brasileirão, o Campeonato Paulista aparece como uma das grandes metas do clube na temporada. Bia destacou o nível de dificuldade da competição e lembrou que boa parte das equipes que disputam as primeiras posições do cenário nacional também estão presentes no estadual.
— O Paulista é extremamente competitivo. Se você olhar a parte de cima da tabela do Brasileiro, a maioria dos clubes está lá também. Praticamente toda rodada é um clássico e não existe jogo fácil.
Segundo a jogadora, o objetivo permanece inalterado independentemente da competição.
— A ambição do Tricolor é a mesma do ano passado, como todos os anos. A gente busca sempre estar no topo da tabela, sempre título. Esse é o principal objetivo de todo e qualquer clube, e o nosso não é diferente.

Seleção brasileira como objetivo
Com passagens pelas categorias de base e também pela seleção principal, Bia acompanha atentamente o trabalho conduzido pelo técnico Arthur Elias no ciclo para a Copa do Mundo de 2027. Apesar de admitir o desejo de voltar a vestir a camisa da seleção, ela prefere tratar o assunto como consequência do desempenho apresentado no clube.
— Se eu disser que não penso na seleção, estaria mentindo. Mas tenho consciência de que preciso primeiro performar bem no São Paulo. O que vai me levar até lá é o que eu fizer dentro de campo.
A lateral também afirmou estar à disposição para atuar em diferentes funções, caso receba uma oportunidade na equipe nacional. Diante da utilização frequente de alas por Arthur Elias, Bia garantiu que não vê problema em desempenhar outras funções dentro do sistema.
— Não pode existir vaidade quando se trata de seleção brasileira. Se precisar jogar de ala, vou jogar de ala. Se precisar jogar mais à frente, também vou. O importante é defender a seleção e ajudar o grupo.
Ao projetar o restante da temporada, Bia espera encerrar o ano celebrando conquistas coletivas e consolidando o retorno após a lesão.
— Quero estar contando que fomos campeãs do Brasileiro, do Paulista e da Copa do Brasil, que conquistamos uma vaga na Libertadores e que consegui ajudar o São Paulo durante toda a temporada, sem novas lesões.

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