Ayrton Senna bate em Mônaco, ignora F1 e volta para casa a pé; relembre
Brasileiro perdeu vantagem de mais de 50 segundos ao bater sozinho no muro

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O mais famoso – e talvez maior – erro da carreira de Ayrton Senna ocorreu justamente no Grande Prêmio de Mônaco. Em 15 de maio de 1988, o brasileiro desperdiçou mais de 50 segundos de vantagem na liderança ao bater sozinho e abandonar a corrida. Como consequência, não apenas deixou escapar uma vitória praticamente certa, como também sumiu dos olhos de todos no paddock da Fórmula 1.
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A participação de Senna na terceira etapa da temporada terminou muito antes do previsto pelos fãs e pelo próprio piloto. Após garantir a pole position, a expectativa em uma corrida tão desafiadora quanto a de Mônaco era de liderar desde a largada até a bandeira quadriculada – e isso quase aconteceu, não fosse o escorregão do brasileiro.
O ano havia começado com uma vitória de Ayrton e outra de Alain Prost, companheiro do brasileiro na McLaren. O GP de Mônaco, porém, esteve nas mãos de Senna desde os treinos, cenário que se repetiu na classificação. Ao fim da sessão, o brasileiro foi 1,4 segundo mais rápido que o francês e garantiu a primeira colocação.
On the anniversary of Ayrton Senna's fabled qualifying lap at Monaco in 1988, we remember that remarkable moment. #LegendaryLaps pic.twitter.com/xSffWlQM1d
— McLaren Mastercard Formula 1 Team (@McLarenF1) May 14, 2018
Dos 50 segundos ao muro
O objetivo de transformar a pole em liderança do Mundial de Pilotos parecia tranquilo logo após o apagar das luzes. Senna fez uma largada impecável e rapidamente abriu vantagem para o segundo colocado, o austríaco Gerhard Berger. Inclusive, foi justamente o piloto da Ferrari quem ajudou o brasileiro a se distanciar do restante do pelotão.
Dentro dos perigosos e estreitos limites do Circuito de Mônaco, grandes disputas costumam ser raras, assim como as ultrapassagens. E foi exatamente isso que aconteceu com Alain Prost, que permaneceu preso atrás de Berger durante 53 das 78 voltas da corrida. O francês só conseguiu avançar ao aproveitar uma brecha na freada para a St. Devote, passando a perseguir Senna.
O problema é que Ayrton já tinha cerca de 50 segundos de vantagem sobre o companheiro, e nada indicava que a situação mudaria. Após um pedido da McLaren para reduzir o ritmo, já que não corria mais riscos na liderança, o brasileiro pareceu obedecer. Até que uma notícia surpreendeu os presentes no Principado e quem acompanhava a prova pela televisão: Senna havia batido.
Pouco depois, as imagens mostraram o carro do brasileiro parado junto ao guard rail na entrada do túnel. A expressão de Senna deixava clara a frustração com o erro. Tão irritado estava o piloto que recusou a ajuda dos comissários, retirou os equipamentos de proteção e deixou o circuito a pé, sem sequer retornar aos boxes naquele momento.
Mas, então, onde está Ayrton Senna?
Mesmo sozinho, o esperado era que Ayrton retornasse ao paddock para passar pelos procedimentos médicos, conceder entrevistas ou se reunir com a equipe. O paradeiro do brasileiro, porém, virou um mistério assim que ele desapareceu das imagens de TV. Horas de muita procura depois, o jornalista Reginaldo Leme conseguiu confirmar que o piloto já estava em casa, para onde caminhou após a batida.
O repórter chegou a conversar com Senna, que afirmou ter "perdido a concentração" durante a prova, o que resultou no acidente. Anos mais tarde, porém, Galvão Bueno apresentou uma versão diferente da história. Segundo o narrador, Ayrton voltou a acelerar nas voltas finais com a intenção de colocar uma volta sobre Prost, mas acabou cometendo o erro que encerrou sua corrida.
O resultado negativo em Mônaco acabou ficando para trás ao fim da temporada de 1988. Com oito vitórias – nos GPs de San Marino, Canadá, Detroit, Inglaterra, Alemanha, Hungria, Bélgica e Japão – Ayrton Senna conquistou seu primeiro título mundial na Fórmula 1. Alain Prost terminou em segundo lugar, apenas três pontos atrás do companheiro de equipe.
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Próxima etapa da F1
O próximo compromisso da F1 está marcado para os dias 5 a 7 de junho, quando acontece o Grande Prêmio de Mônaco. A disputa volta a contar com três treinos livres, além da classificação tradicional no sábado, antes da prova principal. A corrida principal está marcada para as 10h (de Brasília) do domingo (7).

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