Ex-técnico da base do Cruzeiro relembra início de dupla que está na Copa do Mundo
A dupla chegou junta ao Cruzeiro

Ainda que não tenha um representante nesta Copa do Mundo, a Raposa criou três jogadores que estão no Mundial. Maurício e Éderson, dupla que atuou junta no Cruzeiro, foi contratada na mesma época e teve uma ascensão parecida.
Os dois atletas, revelados pelo Desportivo Brasil, de Porto Feliz, chegaram ao Cruzeiro em 2018, mas em cenários diferentes. Porém, ambos chamavam atenção de outro gigante brasileiro.
– Foi uma disputa, porque tanto o Ederson quanto o Maurício a gente queria trazer para o Cruzeiro, mas o Palmeiras queria os dois na época também. Então estava uma disputa muito grande. Como eles eram do Desportivo Brasil, havia a dúvida se viriam para o Cruzeiro ou iriam para o Palmeiras. Na época, a diretoria do Cruzeiro teve uma atitude inteligente. Como o Ederson era mais velho do que o Maurício, em vez de vir para o Sub-20, ele foi direto para o profissional. Isso atraiu mais o Ederson e o Maurício para virem para o Cruzeiro – relatou Ricardo Resende, ex-técnico do Sub-20 do Cabuloso em entrevista ao Lance!.
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Éderson trabalhou com Abel Braga e Mano Menezes
Éderson conviveu com os profissionais durante um período, aprendendo com Lucas Romero e Lucas Silva. Porém, sem ter espaço para o garoto no elenco principal, Mano Menezes orientou que ele fosse utilizado no Sub-20. Mas nesse período, a Raposa tinha que decidir se exercia ou não a compra do atleta em definitivo.
– Lembro que, na semifinal contra o Flamengo, fizemos dois jogos. Na volta, em Volta Redonda, vencemos por 4 a 1, e o Ederson marcou um belíssimo gol. Chamou muita atenção. Ele teve um desempenho muito bom na Copa do Brasil, e o Cruzeiro decidiu exercer a compra – contou Ricardo Resende.

Posteriormente, em meio à turbulência da temporada mais infeliz da histórica celeste, Abel Braga convocou o meia para retornar ao profissional.
Ederson sempre foi mais esse volante, volante/meia. Ele saía muito para o jogo, tinha bom chute, boa técnica. Eu brincava com ele: "Olha, Ederson, beleza, você tem liberdade para atacar, mas também tem que voltar aqui como segundo volante para ajudar um pouco o meio". Então você vê que ele já era um jogador moderno, o que eles chamam de box-to-box. Ele já chegou com essa bagagem. O Ederson tinha boa técnica, perna esquerda, perna direita, boa proteção de bola. Era um volante muito moderno. O Cruzeiro foi muito feliz na compra dele e teve uma participação muito importante na sua formação. Agora ele está muito bem no profissional
'O Maurício tinha muita personalidade'
Enquanto isso, Maurício chegou à Toca da Raposa mais jovem, ainda para o Sub-17, mas rapidamente subiu para o Sub-20. Depois do destaque em uma edição da Copa do Brasil Sub-20, foi 'roubado' por Mano Menezes.
– Lembro que o Mano Menezes até brincou comigo. Eu tinha uma boa relação com ele. O Mano falou: "Agora esquece o Maurício. O Maurício não desce mais para a base". Porque ele foi tão bem que o Mano continuou lapidando o jogador no profissional – conta Ricardo Resende.

– O Maurício também tinha muita personalidade. O Ederson era mais maduro por conta da idade, mas as características do Maurício eram marcantes. Tinha muita coragem para jogar. Era um meia-atacante que eu costumo chamar de meia vertical. Existe o meia mais armador, mais controlador do jogo. Mas o Maurício sempre foi um meia que buscava o gol, jogava em direção ao gol. Isso chamava muita atenção. Ele já tinha características muito modernas, mesmo sendo tão jovem – comenta.
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