Oscilação do Corinthians é problema crônico e não de comando técnico
Depois de apresentar um lampejo de melhora na partida diante do Bahia, Timão volta a jogar mal, mostra pobreza ofensiva e segue sem conseguir uma sequência de vitórias

O torcedor do Corinthians teve mais uma noite de decepção ao ver seu time jogar na última quarta-feira. Após dar esperanças para a torcida no duelo com o Bahia, na rodada anterior, a equipe voltou a jogar mal e mostrou que regrediu na derrota por 1 a 0 diante do Sport. Isso é outra demonstração de que a oscilação não é somente culpa do treinador, mas também algo crônico.
Há algumas formas de notar que isso é um problema recorrente e não depende de quem comanda o time. Basta pegar essas três partidas com Dyego Coelho. Na primeira, diante do Fluminense, a equipe praticamente não jogou e apresentou uma pobreza ofensiva preocupante. Na segunda, contra o Bahia, houve evolução, os jogadores tiveram mais movimentação, a formação foi mais leve e trouxe alternativas como os jovens Roni e Xavier no meio-campo.
No entanto, essa melhora de um jogo para o outro não teve sequência na terceira partida com Coelho, pelo contrário, o time pareceu ter regredido e se assemelhou mais àquele que perdeu por 2 a 1 para o Flu, no Maracanã. O mesmo técnico, praticamente o mesmo time, com moral pelo vitória, não foram elementos suficientes para engatar o segundo triunfo em sequência.
A primeira etapa foi quase que totalmente dominada pelo Sport, com raros lances de ataque, um deles proporcionado a partir de um lampejo de genialidade de Jô. No segundo tempo o Corinthians conseguiu se estabelecer no campo de defesa do adversário, mas sem levar perigo, algo que só foi conseguir já nos acréscimos com Léo Natel e Gil. Pouco para o domínio que teve do território. Faltou agressividade e participação dos principais jogadores.
O problema não é o treinador, e isso também pode ser provado com o que acontecia com Tiago Nunes, cujo trabalho ficou marcado justamente pela oscilação da equipe. A única sequência de vitórias do ex-técnico corintiano foram as quatro logo depois da parada, uma excepcionalidade na temporada. O restante dos triunfos foram acompanhados por derrotas ou empates.
Em comum nesses momentos, podemos citar os jogadores e o clube em si, com seus bastidores, dirigentes e até problemas financeiros, que têm sim sua influência no que acontece dentro de campo, mas são elementos não tão simples de se medir como fazer a análise das peças que não têm funcionado com Dyego Coelho e já não funcionavam com Tiago Nunes.
Embora seja praticamente unânime que o Corinthians conta com um elenco limitado, sem profundidade e extremamente carente em alguns setores, é inegável que ele dispõe de nomes muito fortes, que seriam titulares na maioria dos clubes de Série A, como Cássio, Fagner, Gil, Cantillo, Luan e Jô.
Acontece que nem todos eles se encontram em boa fase, alguns nunca estiveram, na verdade. Se essas peças não fazem a diferença, dificilmente o time vai conseguir estabilidade em um campeonato equilibrado como é o Brasileirão. Sem confiança, sem poder ofensivo e sem a solidez defensiva de outrora, o resultado deve continuar sem ser alcançado pelo Timão.
Independentemente do técnico que possa vir ou da efetivação do interino, há um problema a ser diagnosticado e resolvido, caso contrário as trocas de treinador serão mais constantes e passarão a trazer cada vez menos resultados para o clube. O trabalho de Tiago Nunes estava desgastado e precisava ser interrompido, mas sua saída não solucionou algo que era crônico. Coelho deve ter mais um tempo para buscar isso ou precisará contar com a "sorte".

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