Técnico do Paraguai critica rigor de expulsão pela Lei Vini Jr.: "Receio que o futebol perca sua essência"
Alfaro reconhece que cartão vermelho a Almirón seguiu nova regra da Fifa, mas considera punição excessiva e levanta debate sobre impacto das mudanças no jogo

A expulsão do meia Miguel Almirón no duelo entre Paraguai e Turquia, pela Copa do Mundo, segue repercutindo e abriu um novo debate sobre a aplicação da chamada "Lei Vini Jr.", norma recente da Fifa criada para coibir comportamentos considerados antidesportivos durante discussões em campo.
O lance ocorreu ainda no primeiro tempo da partida, quando o camisa 10 paraguaio foi advertido com cartão vermelho após cobrir a boca ao falar com um adversário durante uma discussão. A arbitragem acionou o VAR e confirmou a interpretação de que o gesto poderia indicar tentativa de ocultar ofensas, o que é punido com expulsão direta sob a nova diretriz.
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O técnico do Paraguai, Gustavo Alfaro, reconheceu que a decisão está alinhada ao regulamento, mas fez críticas ao rigor da punição e ao impacto que a regra pode ter na dinâmica do jogo.
— O jogador se movimenta dentro de um contexto de disputa, de emoção. Nós entendemos a regra, mas existe uma preocupação com o excesso. Receio que o futebol perca sua essência com esse tipo de intervenção - afirmou o treinador.
Segundo Alfaro, a aplicação imediata de uma expulsão em um lance interpretativo pode alterar o rumo de partidas equilibradas e aumentar a responsabilidade do VAR em decisões subjetivas.
— É uma regra nova, ainda em adaptação, e todos nós precisamos compreender melhor os limites disso dentro de campo. O futebol sempre teve contato, conversa, provocação. O problema é quando isso passa do limite, mas precisamos ter cuidado para não punir o jogo em si - completou.
A medida que ficou conhecida informalmente como "Lei Vini Jr." foi incorporada recentemente às diretrizes da Fifa em competições internacionais. A norma prevê punição mais severa em casos em que jogadores utilizem gestos como cobrir a boca durante discussões, o que pode ser interpretado como tentativa de ocultar insultos ou manifestações discriminatórias.
A decisão de expulsar Almirón tornou-se a primeira aplicação prática da regra em uma partida de Copa do Mundo, o que aumentou ainda mais a repercussão do caso. O lance rapidamente ganhou destaque internacional e abriu espaço para diferentes interpretações entre ex-jogadores, treinadores e analistas de arbitragem.
Dentro do vestiário paraguaio, a sensação é de que a decisão teve impacto direto no desempenho da equipe, que precisou atuar com um jogador a menos durante boa parte do confronto.
O Paraguai volta a campo na próxima quinta-feira (25), diante da Austrália, às 23h (de Brasília), ainda sob pressão no Grupo D, enquanto o caso de Almirón deve seguir sendo tema de discussão nos bastidores da competição.
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