Coreia do Sul volta para casa com protestos contra técnico Hong Myung-bo
Eliminação na fase de grupos provocou revolta nos torcedores, críticas à Federação local e pressão por mudanças estruturais no futebol sul-coreano

A eliminação precoce da Coreia do Sul na Copa do Mundo de 2026 provocou forte reação dos torcedores e culminou na saída do técnico Hong Myung-bo. O treinador desembarcou no Aeroporto Internacional de Incheon, na madrugada desta terça-feira (30), acompanhado por nove jogadores da seleção, sob clima de intensa hostilidade após a campanha abaixo das expectativas.
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Pouco mais de 24 horas antes do retorno ao país, Hong anunciou sua renúncia ao comando da equipe nacional, assumindo a responsabilidade pela eliminação ainda na fase de grupos do Mundial. A seleção sul-coreana encerrou sua participação em terceiro lugar no Grupo A, somando apenas três pontos, resultado insuficiente para avançar às fases eliminatórias.
A campanha começou de forma promissora, com vitória por 2 a 1 sobre a Tchéquia. No entanto, duas derrotas consecutivas por 1 a 0 diante do México e da África do Sul, considerada seleção de menor expressão no cenário internacional, comprometeram a classificação.
Mesmo com a possibilidade de avançar entre os melhores terceiros colocados da competição, a Coreia do Sul terminou apenas na décima posição entre as doze equipes que encerraram a primeira fase em terceiro lugar, ficando fora da disputa do mata-mata.
Torcedores miram Hong Myung-bo e cobram mudanças na Coreia do Sul
O retorno da delegação foi marcado por cenas de revolta. Centenas de torcedores aguardavam a chegada da equipe para protestar contra o desempenho apresentado na Copa do Mundo. Durante o desembarque, gritos de "Hong Myung-bo, saia daqui!" ecoaram no aeroporto, enquanto uma faixa com a frase "O futebol coreano está morto" simbolizava a insatisfação da torcida.
A segurança foi reforçada pelas autoridades locais, que montaram um corredor protegido entre o terminal e o veículo que transportava a delegação. Hong Myung-bo evitou qualquer contato com a imprensa e deixou o local sem conceder entrevistas.
Entre os jogadores que retornaram ao país estavam alguns dos principais nomes da seleção, como o meio-campista Lee Kang-in, do Paris Saint-Germain, o zagueiro Kim Min-jae, do Bayern de Munique, e o atacante Hwang Hee-chan, do Wolverhampton. Os demais atletas deverão desembarcar em grupos menores ao longo dos próximos dias, segundo informou a Associação Coreana de Futebol (KFA).
Pela primeira vez desde a Copa do Mundo de 2002, em edição disputada fora de casa, a Federação Coreana optou por não realizar cerimônia oficial de recepção para a seleção nacional, refletindo o clima de frustração que tomou conta do país.
Governo cobra explicações e Federação volta a ser alvo de críticas
A repercussão do fracasso ultrapassou o ambiente esportivo e chegou ao cenário político. O presidente da Coreia do Sul, Lee Jae Myung, solicitou ao Ministério da Cultura, Esportes e Turismo uma análise detalhada das causas da campanha decepcionante e pediu que sejam elaboradas medidas para evitar novos fracassos em competições internacionais.
A Federação Coreana de Futebol voltou a ser duramente criticada, especialmente pela decisão de reconduzir Hong Myung-bo ao cargo em julho de 2024. Desde sua contratação, parte da imprensa e dos torcedores questionava a transparência do processo de escolha e defendia mudanças profundas na gestão da entidade.

O desempenho no Mundial também reacendeu lembranças da Copa de 2014, no Brasil, quando Hong comandou a seleção sul-coreana em outra campanha frustrante. Na ocasião, a equipe terminou na última colocação do grupo, com um empate e duas derrotas.
Após mais uma eliminação precoce em Copas do Mundo, a Coreia do Sul inicia um período de reconstrução, pressionada por torcedores, autoridades e dirigentes a reformular seu projeto esportivo e recuperar o protagonismo no futebol asiático.
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