Onde fica o Haiti? Seleção joga contra o Brasil na Copa do Mundo

Seleção caribenha enfrenta o Brasil nesta sexta-feira (19)

PorJoanna ColaçoRio de Janeiro (RJ)
19/06/2026 20:00

Supervisionado porNathalia Gomes,
Onde fica o Haiti? (Foto: Divulgação)
Onde fica o Haiti? (Foto: Divulgação)

Brasil e Haiti entram em campo nesta sexta-feira (19), às 21h20 (de Brasília), pela segunda rodada do Grupo C da Copa do Mundo de 2026. Além do confronto inédito em Mundiais, o duelo desperta a curiosidade de muitos torcedores sobre o país caribenho, que possui uma história marcada por resistência, tragédias e fortes laços com o Brasil.

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Onde fica o Haiti?

O Haiti está localizado no Caribe, ocupando a porção oeste da ilha de Hispaniola, que divide com a República Dominicana. O país é banhado pelo Mar do Caribe, tem cerca de 11,5 milhões de habitantes e sua capital é Porto Príncipe.

As línguas oficiais são o francês e o crioulo haitiano. Apesar da riqueza cultural e histórica, o Haiti enfrenta há décadas graves crises políticas, econômicas e humanitárias, agravadas por desastres naturais.

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BOSTON, MASSACHUSETTS - JUNE 13: Carlens Arcus #2 of Haiti in action during the FIFA World Cup 2026 Group C match between Haiti and Scotland at Boston Stadium on June 13, 2026 in Boston, Massachusetts. Mattia Ozbot/Getty Images/AFP (Photo by Mattia Ozbot / GETTY IMAGES NORTH AMERICA / Getty Images via AFP)

Três curiosidades sobre o Haiti:

1. Primeiro país das Américas a abolir definitivamente a escravidão

O Haiti entrou para a história ao se tornar a primeira nação independente da América Latina e do Caribe e o primeiro país do continente a abolir permanentemente a escravidão.

A independência foi proclamada em 1º de janeiro de 1804, após uma revolução liderada por escravizados contra o domínio francês. O processo representou uma das maiores vitórias dos movimentos antiescravistas da história.

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No entanto, a conquista teve um alto custo. Em 1825, sob pressão da França, o Haiti foi obrigado a pagar uma indenização aos antigos colonizadores para obter reconhecimento diplomático. A dívida comprometeu durante décadas as finanças do país e é apontada por historiadores como um dos fatores que dificultaram seu desenvolvimento.

Em 2025, o governo francês criou uma comissão para avaliar os impactos históricos dessa cobrança sobre a economia haitiana, embora não tenha anunciado qualquer reparação financeira.

2. A batalha que inspirou a camisa da seleção e a ligação com a Polônia

Durante a Copa do Mundo de 2026, a seleção haitiana precisou alterar o uniforme após a FIFA considerar que uma ilustração estampada na camisa fazia referência a uma mensagem de caráter político.

A imagem representava a Batalha de Vertières, travada em 18 de novembro de 1803. O confronto marcou a derrota definitiva das tropas de Napoleão Bonaparte e abriu caminho para a independência do Haiti.

O uniforme também gerou confusão nas redes sociais. Muitos acreditaram que a camisa trazia a bandeira da Polônia, mas a Federação Haitiana explicou que a imagem retratava uma versão histórica da bandeira haitiana. A semelhança ocorreu porque o tom de azul foi alterado para destacar o desenho sobre o tecido escuro.

Apesar do engano, Haiti e Polônia realmente compartilham uma curiosa conexão histórica. Em 1802, soldados poloneses enviados por Napoleão para combater a revolução haitiana desertaram e passaram a lutar ao lado dos rebeldes. Após a independência, muitos permaneceram no país e receberam cidadania haitiana.

3. O Jogo da Paz e os laços com o Brasil

A relação entre Brasil e Haiti ganhou força no início dos anos 2000.

Em 2004, a Seleção Brasileira, recém-campeã mundial, disputou em Porto Príncipe o chamado "Jogo da Paz". A partida amistosa fez parte de uma campanha de desarmamento durante a missão de estabilização da ONU, liderada pelo Brasil.

Com craques como Ronaldo e Ronaldinho Gaúcho em campo, o amistoso reuniu milhares de torcedores e ficou marcado como um dos momentos mais simbólicos da relação entre os dois países.

Seis anos depois, em 2010, um terremoto devastador matou mais de 200 mil pessoas no Haiti, incluindo a médica brasileira Zilda Arns, fundadora da Pastoral da Criança.

A tragédia intensificou o fluxo migratório para o Brasil. Para acolher os haitianos, o governo brasileiro criou políticas específicas de vistos humanitários e regularização migratória.

Dados do Observatório das Migrações Internacionais (OBMigra), em parceria com a Agência da ONU para Refugiados (ACNUR), mostram que mais de 186 mil haitianos entraram no Brasil entre 2010 e 2024. No mesmo período, foram registradas 40.483 solicitações formais de refúgio, enquanto a maior parte dos imigrantes obteve residência por meio de programas human

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