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Lúcio de Castro: como a Marseillaise virou o maior hit do esporte?

França amplia domínio no esporte e abre distância para o Brasil no cenário mundial

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Lance!
Rio de Janeiro (RJ)
Dia 03/04/2026
07:00
Football : Matches amicaux : Colombie - France
imagem cameraKylian Mbappé reage após ter um gol anulado por impedimento durante amistoso contra a Colômbia (Foto: Franck Fife/AFP)

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Está ficando meio chato. E é até constrangedor. Futebol, vôlei, natação, judô, Olimpíadas e Copa do Mundo. Certo mesmo é que eles levaram a sério a convocação da Marseillaise e foram às armas. Formaram seus batalhões...

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Está bem esquisito para a gente. Difícil lembrar de outra freguesia recente assim. Jogar futebol contra a França virou sinônimo de derrota. Pior: de chocolate.

Começou lá com Platini e chegou a Mbappé, passando pela geração do Zidane. Dançamos em todas.
Antes fosse só nos gramados. Está ruim de encarar com a mão também. Literalmente. Vôlei, judô, basquete, ciclismo e muito mais. Para onde você olha no pódio, tem um deles por lá.

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Levaram a sério também a parte em que aquele considerado por muitos como o mais belo dos hinos fala que "o dia de glória chegou". Chegou e parece que resolveu ficar.

Um Estado muda tudo 🔵⚪🔴

Negócio assim não acontece ao acaso. Em tantas modalidades, já se vão mais de três décadas da mais absoluta consistência. Alguma coisa aconteceu. Sim. Aconteceu. Uma decisão de estado. Do Estado. Foi lá pelos anos 80. Com François Mitterrand no comando. E a decisão de que o esporte deveria ser uma política pública nacional.

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A partir daí, o país investiu em um sistema centralizado, com forte presença do Estado, financiamento público elevado e integração entre escola, clubes e centros de alto rendimento. Uma base ampliada, integrando escolas, federações e centros regionais. Até aí, um investimento estatal.
E daí um funil até o alto rendimento. Com foco em captação em áreas urbanas populares, vinculando esporte à educação e saúde. Técnicos percorrem o país identificando jovens talentos.

A maior parte vem da periferia e dos bairros populares, com inclusão de imigrantes também. Identificados, passam a treinar com acompanhamento escolar e esportivo integral. No coração de todo esse sistema, está o Institut National du Sport, de l'Expertise et de la Performance (INSEP), principal centro de alto rendimento do país, vinculado ao Ministério do Esporte.

Abrigando centenas de atletas de elite saídos da base do funil. Com acompanhamento científico, médico e psicológico para jovens em diversas modalidades olímpicas. Uma estrutura pública integrada e contínua. Com um modelo padrão comum: detecção precoce, centros públicos, apoio e continuidade como política de Estado.

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No judô, o filho mais ilustre do projeto é Teddy Riner, o maior judoca da história para muitos, com todos os títulos possíveis. Clarisse Agbegnenou e tantos outros.

Das piscinas vieram Léon Marchand e os irmãos Florent Manaudou e Laure Manaudou. No vôlei, comandados por um imparável Earvin Ngapeth, vindo desse funil assim como seus parceiros de seleção, também chegaram ao topo do mundo.

No futebol, o modelo ganha rosto no centro de formação de talentos do Clairefontaine National Football Institute, inaugurado em 1988 e parte de uma rede de 13 academias regionais. Dali saíram Thierry Henry, Mbappé, Blaise Matuidi e tantos outros.

Didier Deschamps, técnico da França, caminha pelo gramado ao fim da vitória por 3 a 1 em amistoso contra a Colômbia, no Northwest Stadium, em Landover (EUA) (Foto: Franck Fife/AFP)
Didier Deschamps, técnico da França, caminha pelo gramado ao fim da vitória por 3 a 1 em amistoso contra a Colômbia, no Northwest Stadium, em Landover (EUA) (Foto: Franck Fife/AFP)

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Melhor pular títulos e conquistas que vieram depois disso. Nenhuma análise sobre a França e o assustador retrospecto das últimas décadas irá prestar se não contar essa história por inteiro.
E como uma decisão de Estado fez essa revolução.

É possível que lá, como cá, alguém fique gritando que é "Lei Rouanet". Vai ficar gritando sozinho enquanto a Marseillaise toca sem parar. Ninguém escuta os bobos por muito tempo.

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