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Goleiros transformam a Copa do Mundo em palco de atuações históricas

Orlando Gill, Vozinha e Eloy Room surpreenderam neste Mundial

PorThiago BragaSão Paulo (SP)
10/07/2026 07:30
Orlando Gill comemora
Orlando Gill comemorando classificação do Paraguai. (Imagem: Jewel SAMAD / AFP)

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Em um torneio em que atacantes acumulam manchetes, uma geração de goleiros sustentou seleções inteiras durante a campanha, resistiu a bombardeios, levou equipes além do que muitos imaginavam e transformou partidas desequilibradas em confrontos abertos até os minutos finais. Os números ajudam a explicar esse fenômeno, mas contam apenas parte da história da Copa do Mundo de 2026.

Entre os cinco goleiros com maior volume de intervenções no Mundial aparecem representantes de seleções com trajetórias muito diferentes. Orlando Gill, do Paraguai, lidera o ranking de defesas. Logo atrás surgem Eloy Room, de Curaçao, Diogo Costa, de Portugal, Yassine Bounou, do Marrocos, e Vozinha, de Cabo Verde. Cada um encontrou um caminho próprio para marcar esta edição da competição.

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1. Orlando Gill

Nenhum goleiro trabalhou tanto quanto Orlando Gill nesta Copa do Mundo. O paraguaio terminou a competição com 28 defesas, além de participar ativamente da construção da equipe, acumulando 141 ações dentro da área e 124 intervenções fora dela, indicadores que mostram um goleiro constantemente envolvido, tanto protegendo a meta quanto funcionando como opção para iniciar as jogadas.

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A eliminação para a França, nas oitavas de final, não diminuiu sua campanha. Mesmo sem conseguir impedir os gols de Kylian Mbappé, Gill deixou o torneio como o principal personagem paraguaio.

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O auge veio ainda na fase anterior. Contra a Alemanha, o goleiro defendeu dois pênaltis na disputa que terminou com vitória por 4 a 3, após empate por 1 a 1 no tempo regulamentar. Com quase dois metros de altura, transformou uma classificação improvável em uma das maiores histórias da seleção paraguaia em Mundiais.

2. Eloy Room

Poucas campanhas mudaram tanto de rumo quanto a de Curaçao. A estreia terminou com uma dura derrota por 7 a 1 para a Alemanha, resultado que parecia resumir o destino da equipe na competição.

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O protagonista da reação foi Eloy Room. O experiente goleiro encerrou o Mundial com 21 defesas, 81 ações dentro da área e 72 fora dela, números expressivos para uma seleção frequentemente pressionada pelos adversários.

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Sua atuação mais memorável aconteceu no empate sem gols diante do Equador. Aos 37 anos, Room realizou 16 defesas, igualando o recorde estabelecido por Tim Howard nas oitavas de final de 2014 contra a Bélgica e registrando a maior quantidade de intervenções de um goleiro em uma partida de 90 minutos de Copa do Mundo. O desempenho garantiu a Curaçao seu primeiro ponto na história do torneio e transformou o goleiro em um dos personagens mais celebrados daquela rodada.

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O goleiro Eloy Room, de Curaçao, em dividida com o Enner Valencia, do Equador (Foto: JUAN MABROMATA / AFP)
Eloy Room durante a partida contra o Equador (Photo by JUAN MABROMATA / AFP)

3. Diogo Costa

O terceiro lugar do ranking pertence a Diogo Costa, que encerrou a Copa do Mundo com 20 defesas, 114 ações dentro da área e 93 ações fora dela, números que refletem a importância do goleiro português em uma campanha marcada pelo equilíbrio.

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A despedida de Portugal aconteceu nas oitavas de final diante da Espanha, em um duelo decidido apenas nos minutos finais. Até ali, o goleiro do Porto havia construído uma atuação de alto nível. Foram pelo menos três grandes defesas ainda no primeiro tempo, fundamentais para impedir que a seleção espanhola transformasse sua superioridade territorial em vantagem no placar.

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Não foi um desempenho isolado. Diogo Costa já havia sido decisivo na vitória de virada sobre a Croácia, confirmando a condição de um dos jogadores mais importantes da equipe portuguesa durante todo o torneio. Mesmo sem evitar a eliminação, deixou os Estados Unidos entre os goleiros que mais trabalharam e também entre os que mais corresponderam quando foram exigidos.

4. Yassine Bounou

O Marrocos voltou a fazer uma campanha consistente em Mundiais, e boa parte dessa segurança passou novamente pelas mãos de Yassine Bounou. O goleiro terminou a competição com 19 defesas, além de 112 ações dentro da área e 91 intervenções fora dela, permanecendo entre os atletas mais ativos da posição.

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Nas quartas de final, diante da França, Bounou protagonizou mais um capítulo de sua especialidade. O marroquino defendeu um pênalti cobrado por Kylian Mbappé no primeiro tempo, mantendo sua seleção viva durante boa parte da partida, apesar da derrota por 2 a 0.

A cobrança defendida reforçou um retrospecto raro em Copas do Mundo. Somando as edições de 2022 e 2026, Bounou enfrentou nove pênaltis durante as partidas e sofreu apenas dois gols nesse tipo de lance, defendendo quatro cobranças. O desempenho consolidou o goleiro como um dos maiores especialistas do futebol internacional quando o assunto é enfrentar o cobrador cara a cara.

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bono bounou - marrocos
(KARIM JAAFAR / AFP)

5. Vozinha

A primeira participação de Cabo Verde em uma Copa do Mundo dificilmente será lembrada sem o nome de Vozinha. Aos 40 anos, o goleiro encerrou sua campanha com 18 defesas, 136 ações dentro da área e 102 ações fora dela, números que mostram o quanto precisou trabalhar ao longo do torneio.

O apelido nasceu ainda na infância, quando foi criado pelos avós enquanto o pai cumpria serviço militar e a mãe enfrentava longas jornadas de trabalho. Décadas depois, esse mesmo nome passou a ser conhecido por torcedores de diferentes partes do mundo.

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Defesa de Vozinha na partida contra a Argentina no mata-mata da Copa (Foto: ROBERTO SCHMIDT / AFP)
Defesa de Vozinha na partida contra a Argentina no mata-mata da Copa (Foto: ROBERTO SCHMIDT / AFP)

Logo na estreia, contra a poderosa Espanha, Vozinha protagonizou uma das atuações mais marcantes da fase de grupos. Suas intervenções garantiram o empate sem gols diante da então campeã europeia e renderam o prêmio de melhor jogador da partida concedido pela Fifa.

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