Ataque estrelado leva a França à terceira semifinal seguida de Copa do Mundo
Equipe agora espera o vencedor de Espanha x Bélgica

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Kylian Mbappé brilhou e conduziu a França à vitória por 2 a 0 sobre o Marrocos, resultado que colocou os franceses na semifinal da Copa do Mundo pela terceira edição consecutiva. Poucos países conseguiram sustentar uma sequência desse tamanho. Apenas quatro seleções alcançaram três semifinais seguidas na história do torneio.
A classificação nasceu em um roteiro que parece resumir a trajetória do camisa 10 no Mundial. Houve um pênalti desperdiçado, um momento de frustração, um golaço que mudou o rumo da partida e, logo depois, uma assistência para Ousmane Dembélé liquidar o confronto. Ao fim da tarde em Boston, o tornozelo direito recebia gelo no banco de reservas. A campanha francesa, porém, seguia aquecida pelo futebol de seu principal astro.
Um jogo decidido pela insistência de Mbappé
O Marrocos chegou às quartas de final disposto a repetir a estratégia que havia dificultado a vida da França no Catar e de tantos adversários nesta edição. Linhas baixas, poucos espaços e muita disciplina para sobreviver ao domínio territorial francês. Durante boa parte do primeiro tempo, a fórmula pareceu funcionar.
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A equipe de Didier Deschamps monopolizou as ações ofensivas, criou oportunidades em sequência e encontrou um inspirado Yassine Bounou pela frente. Aos 25 minutos, Mbappé sofreu pênalti de Noussair Mazraoui. A longa paralisação antes da cobrança quebrou o ritmo do atacante, que bateu sem a potência habitual e viu o goleiro marroquino espalmar a finalização. Nem por isso a França perdeu o controle da partida.

Os franceses terminaram o jogo com 22 finalizações contra apenas cinco do adversário, acertaram oito chutes na direção do gol, realizaram 13 conclusões dentro da área e trocaram 450 passes certos. Embora a posse de bola tenha permanecido rigorosamente equilibrada, com 46% para cada equipe e outros 8% em disputa, a ocupação dos espaços mostrou uma diferença muito maior do que os números sugerem.
O Marrocos só conseguiu finalizar uma única vez na direção da meta francesa, já aos 83 minutos.
A resistência caiu aos 60 minutos, quando Désiré Doué encontrou Mbappé entre os defensores. O atacante abriu o corpo e desenhou uma finalização precisa no canto de Bounou, transformando a frustração do pênalti perdido em mais um capítulo de sua coleção de gols decisivos.
Seis minutos depois, foi a vez de vestir o papel de garçom. Após troca rápida de passes com Michael Olise, Mbappé serviu Ousmane Dembélé, que bateu rasteiro para ampliar e praticamente selar a classificação.
Camisa 10 francês amplia recordes
Cada partida amplia a impressão de que esta Copa do Mundo pertence, em boa medida, a Kylian Mbappé.
O atacante chegou a oito gols e três assistências no torneio. São 11 participações diretas em gols, o maior número registrado por um jogador em uma única edição desde Gerd Müller, que participou de 13 gols pela Alemanha em 1970, com dez gols e três assistências.
O gol diante do Marrocos também o colocou ao lado de Lionel Messi, ambos com oito gols na artilharia desta edição, enquanto sua assistência reforçou outra característica que transforma o ataque francês em um dos mais completos do torneio.

A França tornou-se apenas a segunda seleção nos últimos cinquenta anos a contar com dois jogadores marcando cinco ou mais gols em uma mesma Copa do Mundo. Em 2002, o Brasil conquistou o pentacampeonato impulsionado pelos oito gols de Ronaldo e pelos cinco de Rivaldo. Agora, Mbappé soma oito, enquanto Dembélé chegou ao quinto.
O protagonismo do camisa 10 vai além dos números desta edição.
Com o gol sobre o Marrocos, Mbappé alcançou 12 gols em partidas de mata-mata de Copa do Mundo, recorde absoluto da história da competição. A marca supera os oito gols de Leônidas da Silva, obtidos em apenas cinco jogos eliminatórios, e também os oito de Ronaldo, distribuídos em dez partidas.
Uma seleção que vence pela força coletiva
Embora Mbappé concentre os holofotes, o desempenho francês explica por que a equipe continua sendo uma das candidatas mais sólidas ao título.
A produção ofensiva permanece espalhada por diferentes peças do ataque. Dembélé transformou sua quinta bola na rede em um complemento perfeito ao protagonismo do companheiro. Bradley Barcola e Désiré Doué também contribuíram ao longo da campanha, enquanto Michael Olise, mesmo sem marcar, permanece como um dos principais organizadores das jogadas ofensivas.
Essa variedade dificulta qualquer marcação individual. Neutralizar Mbappé já seria uma tarefa enorme. Neutralizar todo o setor ofensivo francês exige um nível de coordenação que nenhuma seleção conseguiu apresentar até aqui.
O Marrocos, por sua vez, encontrou dificuldades para transformar sua proposta defensiva em ameaça ofensiva. Sem seu principal atacante, Ismael Saibari, a equipe apostou em um sistema sem referência central. A ideia dependia das arrancadas de Brahim Díaz, Chemsdine Talbi e Bilal El Khannouss, movimento que nunca encontrou continuidade diante da organização francesa.
O contraste ficou evidente na distribuição das finalizações. Enquanto a França atacava por todos os corredores e acumulava chegadas dentro da área, os marroquinos passaram boa parte do jogo tentando recuperar a posse sem conseguir acelerar os contra-ataques que marcaram sua campanha.

No fim da partida, a única preocupação francesa surgiu quando Mbappé caiu sozinho e pediu substituição. O atacante deixou o gramado caminhando normalmente, recebeu gelo no tornozelo direito e, poucos minutos depois, tratou de afastar qualquer temor.
— Foi apenas uma pequena pancada no tornozelo. Estou completamente bem — afirmou.
A resposta tranquiliza uma seleção que já olha para a semifinal. Se o caminho até aqui apresentou desafios diferentes a cada rodada, o próximo adversário promete exigir ainda mais. A impressão, entretanto, é que a França chega ao momento decisivo do torneio sustentada por algo que vai além do brilho de seu maior craque: um ataque que distribui protagonismo.
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