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Brasil é apenas o 22º em posse de bola na Copa; Espanha lidera ranking

Controle do jogo, porém, não tem gerado tantos resultados positivos

PorThiago BragaSão Paulo (SP)
07/07/2026 07:34
Baena comemorando com seus companheiros o gol na vitória da Espanha sobre o Uruguai
Baena celebra gol da Espanha contra o Uruguai (Foto: Ulises Ruiz / AFP)

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Durante décadas, o Brasil foi sinônimo de controle do jogo. A posse de bola nunca foi um objetivo em si, mas quase sempre consequência da superioridade técnica. Na Copa do Mundo de 2026, porém, esse cenário mudou. A eliminação para a Noruega escancarou uma das maiores diferenças entre o Brasil e as principais seleções do torneio: a capacidade de comandar a partida com a bola nos pés.

Na derrota por 2 a 1 pelas oitavas de final, a equipe de Carlo Ancelotti teve apenas 32% de posse de bola, enquanto a Noruega terminou com 60%, segundo dados oficiais da Fifa. Desde que esse tipo de estatística passou a ser registrado, em 1966, o Brasil jamais havia ficado abaixo dos 40% em um jogo de Copa do Mundo. No acumulado do torneio, a Seleção encerrou a campanha apenas na 22ª colocação do ranking de posse de bola, muito distante das equipes que seguem brigando pelo título.

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1. Espanha — 59% de posse: controle absoluto do torneio

A Espanha lidera o ranking de posse de bola da Copa do Mundo porque faz desse fundamento a base de todo o seu futebol. A equipe de Luis de la Fuente controla o ritmo das partidas, ocupa o campo adversário e reduz ao mínimo o tempo em que precisa defender.

O domínio da posse ajuda a explicar outro dado impressionante: a seleção espanhola é a única que chegou às quartas de final sem sofrer gols. A circulação constante da bola diminui a exposição defensiva e permite que jogadores como Rodri, Pedri, Lamine Yamal e Dani Olmo ditem completamente o ritmo dos confrontos.

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2. Turquia — 58% de posse: muito volume, pouca eficiência

Poucas seleções tiveram tanto controle da bola quanto a Turquia, mas nenhuma transformou esse domínio em tão pouco resultado.

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A equipe voltou a disputar uma Copa do Mundo depois de 24 anos cercada de expectativa, terminou entre as seleções que mais trocaram passes e registrou 58% de posse média. Ainda assim, encerrou sua campanha sem marcar um único gol. Foram 62 finalizações em duas partidas, recorde negativo entre equipes que passaram em branco desde que esse levantamento começou a ser feito, em 1966.

Após derrota para o Paraguai, a Turquia foi eliminada da Copa do Mundo (Foto: Stu Forster/Getty Images/AFP)
Após derrota para o Paraguai, a Turquia foi eliminada da Copa do Mundo (Foto: Stu Forster/Getty Images/AFP)

3. Argélia — 56% de posse: futebol associativo e despedida precoce

A Argélia mostrou um modelo baseado em circulação paciente da bola e construção coletiva.

No empate por 3 a 3 com a Áustria, completou impressionantes 723 passes certos e protagonizou uma sequência de 110 passes consecutivos até construir um dos gols, marca superior às registradas pela histórica geração espanhola do início da década passada. Apesar da qualidade na posse, acabou eliminada pela Suíça no mata-mata.

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4. Coreia do Sul — 56% de posse: domínio sem classificação

A Coreia do Sul também apareceu entre as seleções que mais ficaram com a bola, encerrando a competição com média de 56%.

O melhor desempenho ocorreu na estreia diante da República Tcheca, quando controlou 62% da posse e venceu por 2 a 1. O rendimento, entretanto, caiu nas partidas seguintes, e a equipe acabou eliminada ainda na fase de grupos.

5. Alemanha — 56% de posse: controle territorial sem recompensa

A campanha da Alemanha resumiu um problema recorrente dos últimos anos.

Mesmo dominando completamente o Paraguai, com cerca de 75% de posse durante quase toda a partida e mais de 20 finalizações, os alemães não conseguiram transformar o volume ofensivo em classificação. A eliminação marcou mais uma queda precoce da tetracampeã mundial, que voltou a decepcionar em uma Copa do Mundo.

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6. Colômbia — 55% de posse: equilíbrio para seguir viva

A Colômbia construiu sua campanha apostando em um futebol coletivo, sustentado pelo controle da posse e por uma circulação segura da bola.

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A média de 55% reflete uma equipe que prefere ditar o ritmo das partidas antes de acelerar as jogadas. O modelo permitiu aos colombianos avançarem na competição e agora enfrentarem a Suíça em busca de uma vaga nas semifinais.

7. Argentina — 55% de posse: a bola sempre encontra Messi

A atual campeã segue fiel ao modelo construído por Lionel Scaloni.

Argentina terá confronto decisivo contra Egito, valendo vaga nas quartas
Argentina terá confronto decisivo contra Egito, valendo vaga nas quartas (Foto: Chandan Khanna/AFP)

A Argentina controla a posse sem abrir mão da objetividade. Boa parte da construção termina inevitavelmente nos pés de Lionel Messi, responsável por acelerar ataques, criar espaços e decidir partidas. O equilíbrio entre posse, intensidade e talento individual mantém os argentinos entre os favoritos ao bicampeonato.

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8. Marrocos — 54% de posse: maturidade para alternar estratégias

Depois da campanha histórica em 2022, o Marrocos voltou a mostrar que aprendeu a competir em diferentes contextos.

A seleção alterna momentos de domínio territorial com períodos de defesa organizada, dependendo das características do adversário. Foi assim contra o Brasil, quando controlou boa parte do início da partida, e também diante do Canadá, confronto em que suportou maior pressão antes de confirmar a vaga nas quartas de final, onde enfrentará a França.

9. França — 54% de posse: equilíbrio entre controle e velocidade

A França não precisa monopolizar a bola para ser dominante, mas também aparece entre as dez seleções que mais controlaram a posse.

Mbappé comemora gol pela França contra Suécia na Copa do Mundo
Mbappé comemora gol pela França contra Suécia na Copa do Mundo (Foto: ANGELA WEISS / AFP)

A equipe de Didier Deschamps reúne jogadores capazes de acelerar ataques em poucos segundos, como Kylian Mbappé, Michael Olise, Ousmane Dembélé e Désiré Doué, sem perder a capacidade de administrar o ritmo quando necessário. Essa versatilidade ajuda a explicar por que os franceses possuem o melhor ataque da competição.

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10. Inglaterra — 53% de posse: adaptação conforme o adversário

A Inglaterra aparece fechando o top 10, embora sua campanha mostre que posse de bola não é uma obsessão.

Na vitória por 3 a 2 sobre o México, válida pelas oitavas de final, os ingleses tiveram apenas 33,2% de posse, a menor marca da seleção em uma Copa do Mundo desde 1966. Ainda assim, conseguiram vencer explorando transições rápidas e eficiência ofensiva. No acumulado do torneio, a média permanece em 53%.

Brasil aparece apenas em 22º e encerra Mundial longe da própria identidade

A presença do Brasil apenas na 22ª posição sintetiza uma campanha marcada por oscilações.

A equipe de Carlo Ancelotti iniciou o torneio alternando sistemas, tentando equilibrar intensidade, velocidade e posse de bola. O desempenho, porém, caiu justamente na partida decisiva. Contra a Noruega, a Seleção praticamente abriu mão do controle da bola, terminou a partida com apenas 32% de posse e sofreu o maior domínio estatístico de sua história em jogos de Copa do Mundo desde que esse tipo de levantamento passou a existir.

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Carlo Ancelotti no banco de reservas durante eliminação do Brasil para a Noruega
Carlo Ancelotti no banco de reservas durante eliminação do Brasil para a Noruega (Foto: Niyi Fote/Thenews2/Folhapress)

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O contraste com as seleções que lideram o ranking é evidente. Enquanto Espanha, França, Argentina e Marrocos chegaram às quartas impondo seus próprios ritmos, o Brasil terminou eliminado jogando no tempo do adversário. Em um torneio no qual controlar a posse voltou a ser um dos principais indicadores de competitividade, a campanha brasileira revelou uma seleção distante da identidade que construiu sua história nos Mundiais.

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