Artilheiro da Copa de 1966: Eusébio, de Portugal
Conheça a lenda de Eusébio, o Pantera Negra, na Copa do Mundo de 1966.

A oitava edição da Copa do Mundo, realizada em 1966 na Inglaterra, representou o aguardado retorno do esporte ao seu país de origem. Jogando em casa e com um estilo de jogo pragmático e de muita imposição física, os ingleses tinham a missão quase obrigatória de conquistar sua primeira taça. O torneio também foi marcado por inovações extracampo, como as primeiras transmissões via satélite e a criação da primeira mascote da história, o leão Willie, consolidando ainda mais a competição como um espetáculo global incomparável. O Lance! relembra o artilheiro da Copa de 1966: Eusébio, de Portugal.
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Em meio às tradicionais potências mundiais da época, a seleção de Portugal desembarcou na terra da Rainha para fazer a sua estreia absoluta em Copas do Mundo. Longe de ser tratada como uma mera participante, a equipe lusitana era muito respeitada pelo talento que concentrava, formando a base do seu time com os grandes destaques do fortíssimo Benfica, clube que dominava o cenário europeu e empilhava taças continentais. Era um elenco afiado que misturava técnica apurada, muita velocidade e uma obediência tática exemplar.
Artilheiro da Copa de 1966: Eusébio, de Portugal
O grande pilar dessa formidável geração portuguesa era um atacante nascido em Moçambique, na época uma província ultramarina de Portugal. Dono de uma explosão muscular impressionante, um chute potentíssimo de perna direita e uma agilidade fora do comum, ele aterrorizava os zagueiros com suas arrancadas fulminantes. Essas características atléticas únicas lhe renderam o famoso e temido apelido de "Pantera Negra", transformando-o na grande atração esportiva e no alvo das atenções de toda a imprensa mundial.
Chegando ao torneio com o imenso prestígio de ter vencido a Bola de Ouro (prêmio de melhor jogador da Europa) um ano antes, o craque português não sentiu o peso da camisa em sua primeira participação em um Mundial. Diferente de muitos jogadores que travam diante da gigantesca pressão de uma Copa, ele brilhou com uma intensidade rara. O atacante exibiu um repertório completo de finalizações, cobranças de faltas magistrais de longa distância e uma precisão impecável e fria na marca do pênalti.
O dono dessa jornada inesquecível foi Eusébio da Silva Ferreira, que cravou seu nome para sempre no olimpo do futebol como o grande artilheiro da Copa de 1966. Liderando Portugal até o histórico terceiro lugar na competição, o Pantera Negra anotou nove gols em apenas seis partidas disputadas na Inglaterra. Essa performance arrasadora não apenas lhe garantiu a Chuteira de Ouro do torneio de forma isolada, mas também o eternizou como um dos maiores, mais carismáticos e mais letais atacantes de todos os tempos.
O brilho na fase de grupos e a eliminação do Brasil
A caminhada do Pantera Negra começou de forma mais cadenciada na vitória por 3 a 1 sobre a Hungria, partida na qual ele não balançou as redes, mas atuou como o grande maestro ofensivo do time. Seu faro de gol despertou de vez na segunda rodada do Grupo 3. Diante da Bulgária, Eusébio anotou o seu primeiro tento no torneio, ajudando a garantir uma vitória tranquila por 3 a 0 e dando o recado de que o ataque lusitano estava afinado.
O auge da fase de classificação, no entanto, aconteceu no icônico confronto direto contra o Brasil, que defendia o bicampeonato mundial. Em uma atuação monumental e impiedosa, Eusébio marcou dois belos gols na vitória portuguesa por 3 a 1. O resultado não apenas garantiu Portugal no topo do grupo com 100% de aproveitamento, mas decretou a triste e precoce eliminação da equipe de Pelé, passando o bastão do protagonismo do torneio de forma brilhante para o craque luso.
A virada épica e inesquecível contra a Coreia do Norte
Nas quartas de final, Portugal cruzou com a surpreendente Coreia do Norte, que vinha embalada após eliminar a forte seleção da Itália. O que se viu no gramado do estádio Goodison Park, em Liverpool, foi um dos jogos mais dramáticos de toda a história do futebol. Os norte-coreanos iniciaram a partida em um ritmo alucinante e, de forma inacreditável, abriram 3 a 0 no placar em apenas 25 minutos. A eliminação portuguesa parecia certa e a tragédia desenhada.
Foi então que a genialidade de Eusébio mudou os rumos do destino. Chamando toda a responsabilidade, o Pantera Negra iniciou a maior exibição de sua vida. Ainda no primeiro tempo, ele marcou dois gols para diminuir o prejuízo e dar sobrevida ao time. Na volta do intervalo, implacável e incontrolável, anotou mais dois gols, comandando a virada heroica de Portugal. Com esse impressionante póquer (quatro gols), Eusébio garantiu a vitória por 5 a 3 e protagonizou um dos maiores milagres das Copas.
O choro de Eusébio na semifinal e a consolidação da Chuteira de Ouro
A aguardada semifinal colocou frente a frente Portugal e os donos da casa, a Inglaterra. Em uma partida eletrizante e muito disputada no lendário estádio de Wembley, os ingleses levaram a melhor e venceram por 2 a 1. Eusébio deixou sua marca cobrando pênalti com extrema categoria, mas não conseguiu evitar a queda de sua seleção. A imagem do Pantera Negra saindo de campo aos prantos, limpando as lágrimas na camisa enquanto era aplaudido, tornou-se um dos registros mais emocionantes do esporte.
Apesar da imensa frustração por não chegar à grande final, Portugal ainda tinha o compromisso da disputa do terceiro lugar contra a poderosa União Soviética. Eusébio, mais uma vez demonstrando muito sangue frio, abriu o placar em uma nova cobrança de pênalti, superando o lendário goleiro Lev Yashin, o "Aranha Negra". Com essa vitória por 2 a 1, a seleção de Portugal garantiu o seu melhor resultado histórico em Copas, e Eusébio encerrou sua campanha com os impressionantes nove gols, deixando um legado de força, técnica e amor ao esporte.
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