Genial dentro de campo e discreto fora: Olise acredita que o futebol pode ser arte

Atacante da França foi o jogador da partida contra Senegal

PorRedação Lance!Rio de Janeiro (RJ)
21/06/2026 10:00
Olise em ação pela França na Copa do Mundo (Foto: Dan Mullan / GETTY IMAGES NORTH AMERICA / Getty Images via AFP)
Olise em ação pela França na Copa do Mundo (Foto: Dan Mullan / GETTY IMAGES NORTH AMERICA / Getty Images via AFP)

Michael Olise, o atacante do Bayern de Munique e da seleção francesa falou pouco e prefere se expressar dentro de campo, onde vem construindo a melhor temporada da carreira. Entre gols, assistências e atuações decisivas, o camisa 10 dos Bleus se tornou uma das grandes estrelas do futebol mundial.

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São 22 gols e 29 assistências pelo Bayern em todas as competições, além de um protagonismo cada vez maior na seleção francesa. Antes da Copa do Mundo, brilhou ao marcar três vezes contra a Irlanda do Norte. Na estreia do Mundial, diante do Senegal, deu uma assistência brilhante para Kylian Mbappé e foi eleito um dos destaques da partida.

Reservado, Olise raramente concede entrevistas. Mas, em entrevista com o jornal francês "L'Équipe", abriu exceção e falou sobre seu estilo de jogo, a relação quase afetiva com a bola e a busca por um futebol bonito.

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— Eu me considero apenas uma pessoa criativa. Não me vejo como um artista. Eu acho que o futebol pode ser uma arte. Mas, no meu caso, eu me considero apenas alguém criativo. Não me vejo como um artista. Agora, sim, eu gosto que o futebol seja bonito. Para o público, para quem assiste pela televisão e quer passar um bom momento. Acho que o futebol é um esporte magnífico e, por isso, ele também deveria ser bonito visualmente.

Sua visão estética do jogo vai além das jogadas ofensivas. Para Olise, até uma ação defensiva pode ser bela.

— Um carrinho também pode ser um gesto incrível, fluido. Se ele for fluido, quem somos nós para dizer que não é bonito? Acho simplesmente que os atacantes dominam o ataque e os defensores dominam a defesa. Observar uma boa defesa também pode ser algo magnífico. Para mim, dar carrinho não é um gesto natural, embora eu consiga fazer isso. Acho, inclusive, que evoluí nesse aspecto desde que comecei a jogar em um nível mais alto. Faz parte do jogo e acredito que melhorei nisso.

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A relação com a bola, segundo ele, vem desde a infância. Antes das partidas ou dos treinos, costuma se afastar dos companheiros apenas para sentir a bola nos pés.

— Acho que eu simplesmente gosto de pegar a bola e senti-la antes de começarmos a jogar de verdade. Sim, gosto de ter a bola nas mãos ou nos pés, isso é importante para mim. Normalmente faço algumas embaixadinhas para sentir como estou em relação ao gramado, dou alguns passes contra uma placa de publicidade, esse tipo de coisa.

Nascido em Londres, Olise cresceu jogando futebol de rua ao lado do irmão Richard, hoje jogador do Chelsea. É ali, segundo ele, que estão as raízes do seu estilo.

— Eu diria que isso vem do futebol de rua. A gente joga nas traves quando é criança, joga na rua com meu irmão, bate a bola no muro, faz um contra um e tudo mais. Eu diria que vem daí, sim. É um tipo diferente de futebol, mas certamente é uma forma de aprender. Nessas condições, o futebol é simplesmente liberdade. Não era um aprendizado no sentido estrito. Eu simplesmente tinha prazer em jogar futebol. Gostava disso, simplesmente. Acho que todo mundo gosta quando é jovem. Acho que o futebol também é uma questão de controle. Quero dizer, cada treinador tem a sua própria filosofia. Depois, tentamos impor nosso estilo dentro da partida para que tudo funcione bem. Quando você joga em uma estrutura em que sabe para onde está indo, isso também facilita um pouco as coisas para mim — disse Olise, que revelou a posição em que se sente mais confortável.

— Acho que é como camisa 10. É uma função um pouco mais livre. Cresci jogando nessa posição. Então, para mim, é algo mais natural. Talvez não neste momento, porque jogo aberto pela ponta, mas continuo achando que é a posição que me parece mais natural.

O talento de Olise já lhe rendeu elogios de Kylian Mbappé, que recentemente o definiu como "o jogador do presente e do futuro" da seleção francesa.

— É agradável ouvir isso, principalmente vindo de Kylian. Quando vem de alguém com quem você joga, que você respeita e que já conquistou tanto no futebol, é sempre bom ouvir esse tipo de coisa. Por enquanto, eu diria que sim, sou um jogador do presente. Se eu continuar trabalhando duro e mantendo os pés no chão, então espero me tornar um jogador do futuro.

O que vem por aí para a França?

Com a vitória na estreia contra Senegal, os franceses ficaram na segunda posição do Grupo I. A Noruega bateu o Iraque por 4 a 1 e ocupa a primeira posição. O próximo jogo da França é na segunda-feira (22), contra o Iraque, às 18h (de Brasília).

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