Episódio entre Argentina e Inglaterra na Copa de 1966 deu início à era dos cartões no futebol

Expulsão de Antonio Rattín em 1966 inspirou a Fifa a adotar cartões amarelo e vermelho

PorGabriel AndradeRio de Janeiro (RJ)
15/07/2026 07:30
Ídolo xeneize, o ex-volante defendeu as cores do Boca Juniors em 382 partidas oficiais ao longo da carreira
Ídolo xeneize, o ex-volante defendeu as cores do Boca Juniors em 382 partidas oficiais ao longo da carreira (Foto: Reprodução / Instagram)

O reencontro entre Argentina e Inglaterra nas semifinais da Copa do Mundo resgata uma rivalidade construída por grandes jogos e momentos que marcaram o futebol. Um deles aconteceu em 1966, quando o argentino Antonio Rattín protagonizou uma polêmica expulsão que abriu caminho para uma das maiores mudanças nas regras do esporte: a criação dos cartões amarelo e vermelho.

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Origem dos Cartões

Na Copa do Mundo de 1966, o capitão da Argentina, Antonio Rattín, foi expulso após reclamar muito com o árbitro. Como não existiam cartões na época, houve uma grande confusão. Como o esporte ainda não utilizava advertências visuais, a ordem foi dada apenas por meio de falas e acenos. Sem que houvesse um idioma em comum entre ambos, o capitão sul-americano se negou a sair, exigindo a presença de um tradutor para entender o motivo da penalidade. Em protesto, Rattín sentou-se no tapete vermelho da tribuna destinado à Rainha da Inglaterra.

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A discussão interrompeu o jogo por cerca de dez minutos no gramado de Wembley. Enquanto deixava o campo sob vaias da torcida inglesa, Rattín chegou a segurar a bandeira de escanteio, que exibia os símbolos do Reino Unido, em um gesto que aumentou a tensão da partida. A Inglaterra venceu a Argentina por 1 a 0, mas o episódio acabou se tornando um dos principais marcos da rivalidade entre ingleses e argentinos no futebol.

Esse incidente levou a Fifa a criar o sistema de cartões para evitar mal-entendido. Na edição seguinte, ocorrida no México, em 1970, os cartões já estavam integralizados para servir de prática e alerta disciplinar no futebol.

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Ídolo xeneize, o ex-volante defendeu as cores do Boca Juniors em 382 partidas oficiais ao longo da carreira
Ídolo xeneize, o ex-volante defendeu as cores do Boca Juniors em 382 partidas oficiais ao longo da carreira (Foto: Reprodução / Instagram)

Quem foi Antonio Rattín

Antonio Ubaldo Rattín faleceu no último dia 11 de julho, aos 89 anos. O ex-meio-campista foi uma figura emblemática do Boca Juniors e da seleção nacional, que ganhou notoriedade global não apenas pelo vigor físico e capacidade de comando em campo, mas por protagonizar esse incidente histórico em uma Copa do Mundo que transformou a arbitragem para sempre. 

Rattín construiu toda a sua trajetória profissional vestindo as cores do Boca Juniors, entre os anos de 1956 e 1970. Sua primeira partida ocorreu em um clássico contra o River Plate, terminada em triunfo por 2 a 1. Ao todo, o volante acumulou 382 exibições oficiais, anotou 28 gols e faturou seis troféus, incluindo cinco edições do torneio nacional e a Copa Argentina de 1969. Ele também alcançou o segundo lugar na Copa Libertadores de 1963, quando enfrentou o Santos comandado por Pelé.

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Por que vermelho e amarelo?

Após o episódio com Rattín, o chefe da arbitragem da Fifa na época, Ken Aston, criou um sistema de comunicação universal para advertências e expulsões. Inspirado nas cores do semáforo, ele idealizou os cartões amarelo e vermelho, adotados pela primeira vez na Copa do Mundo de 1970. Por isso, Rattín, que disputou os Mundiais de 1962 e 1966, entrou para a história como o jogador cuja expulsão contribuiu diretamente para essa mudança no futebol.

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