De 1966 a 2026: Inglaterra busca reviver a campanha do título mundial
Após 60 anos do único título, Inglaterra tenta dar mais um passo rumo à taça

A Inglaterra volta a enfrentar a Argentina em uma Copa do Mundo 24 anos depois com um objetivo claro: encerrar um jejum que dura desde 1966 e conquistar novamente o principal troféu do futebol. Embalada pelo lema "It's Coming Home" ("Está voltando para casa"), eternizado pela música da banda The Lightning Seeds durante a Eurocopa de 1996, a seleção inglesa alimenta o sonho de repetir o feito histórico alcançado há seis décadas, justamente em seu país.
A conquista de 1966 permanece como o maior capítulo da história do futebol inglês. Liderada por Bobby Charlton, Geoff Hurst e pelo técnico Alf Ramsey, a equipe superou desconfianças, apresentou um futebol consistente e ergueu a taça Jules Rimet diante de sua torcida.
A jornada para conquistar o mundial
Na fase de grupos, disputada integralmente em território inglês, a campanha começou com um empate sem gols diante do bicampeão mundial Uruguai. O resultado gerou questionamentos, mas a equipe respondeu com duas vitórias consecutivas por 2 a 0, sobre México e França, garantindo a classificação sem sofrer gols.
Nas quartas de final, a Inglaterra encarou a Argentina em Wembley. Os sul-americanos contavam com uma geração talentosa, liderada pelo artilheiro Luis Artime e pelo zagueiro Roberto Perfumo. Diante de aproximadamente 90 mil torcedores, Geoff Hurst marcou aos 33 minutos do segundo tempo e garantiu a vitória por 1 a 0, mantendo a invencibilidade defensiva dos donos da casa.
Na semifinal, o destino reservou um duelo entre dois dos maiores jogadores da época: Bobby Charlton e Eusébio. Em uma partida mais marcada pela intensidade do que pelo brilho técnico, Charlton abriu o placar no rebote do goleiro José Pereira, ainda na primeira etapa, e ampliou no segundo tempo após assistência de Hurst.
A seleção inglesa sofreu seu primeiro gol apenas aos 37 minutos da etapa final. Após Jack Charlton tocar na bola com a mão dentro da área, o árbitro assinalou pênalti. Eusébio converteu a cobrança e diminuiu a vantagem portuguesa, mas a reação parou no 2 a 1, resultado que colocou os anfitriões na decisão.
Na grande final, a adversária foi a Alemanha Ocidental, novamente em Wembley. Os alemães abriram o placar com Helmut Haller, mas a resposta inglesa veio seis minutos depois, quando Geoff Hurst empatou de cabeça. Na segunda etapa, Martin Peters aproveitou o rebote do goleiro para virar o marcador.
Quando o título parecia encaminhado, Wolfgang Weber empatou aos 44 minutos do segundo tempo e levou a decisão para a prorrogação.
No tempo extra, surgiu o lance mais polêmico da história das Copas. Geoff Hurst acertou o travessão, a bola quicou próxima à linha e voltou ao campo. Apesar das imagens divulgadas posteriormente e da contestação alemã indicarem que ela não cruzou completamente a linha do gol, o árbitro suíço Gottfried Dienst, após consultar seu assistente, validou o lance. Já nos instantes finais da prorrogação, Hurst voltou a balançar as redes, fechou o placar em 4 a 2 e garantiu o primeiro — e até hoje único — título mundial da Inglaterra.

Trajetória na América do Norte
Sessenta anos após aquela campanha histórica, os ingleses voltam a cruzar o caminho da Argentina em Copas do Mundo. Agora, liderados por Harry Kane e Jude Bellingham, tentam dar mais um passo rumo ao sonho de fazer o troféu "voltar para casa".
Na Copa do Mundo de 2026, disputada na América do Norte, a equipe comandada por Thomas Tuchel terminou a primeira fase na liderança do Grupo L, com sete pontos. A campanha contou com vitória por 4 a 2 sobre a Croácia, empate sem gols diante de Gana e triunfo por 2 a 0 contra o Panamá.
Na inédita fase de 16 avos de final, criada para esta edição do Mundial, o adversário foi a República Democrática do Congo. Embora o favoritismo apontasse para um confronto tranquilo, a seleção africana surpreendeu ao abrir o placar logo aos sete minutos, com Brian Cipenga, e controlar as ações durante boa parte da partida graças à velocidade dos contra-ataques e à marcação intensa.
Foi então que apareceu Harry Kane. O atacante marcou duas vezes e comandou a virada inglesa. Aos 30 minutos do segundo tempo, empatou para a Inglaterra. Aos 41, acertou um belo chute para garantir a vitória por 2 a 1 e a classificação.
Nas oitavas de final, o desafio foi ainda maior: enfrentar o México diante de um Estádio Azteca completamente lotado. A preparação ficou marcada pelas críticas inglesas à altitude superior a dois mil metros e pelas manifestações da torcida mexicana nos arredores da concentração adversária.
Dentro de campo, porém, a Inglaterra mostrou superioridade. Jude Bellingham marcou dois gols em apenas dois minutos, aos 36 e aos 38 da primeira etapa. Quiñones descontou antes do intervalo. No segundo tempo, Harry Kane converteu um pênalti e ampliou para 3 a 1. A expulsão de Jarell Quansah recolocou os mexicanos na partida, que diminuíram para 3 a 2 aos 29 minutos, mas não conseguiram evitar a eliminação.
Nas quartas de final, a surpresa ficou por conta da Noruega, responsável por eliminar o Brasil. Em Miami, os nórdicos saíram na frente com Andreas Schjelderup, aos 36 minutos do primeiro tempo. Ainda antes do intervalo, Jude Bellingham empatou nos acréscimos.
O equilíbrio permaneceu durante toda a segunda etapa, e a decisão foi para a prorrogação. Logo aos 93 minutos, Bellingham voltou a aparecer para marcar o gol da virada e garantir a classificação inglesa para a semifinal.
Os protagonistas absolutos
A Inglaterra chega entre as quatro melhores seleções da Copa sustentada por um modelo de jogo equilibrado e por uma dupla decisiva no setor ofensivo. Se a Argentina conta com Lionel Messi, os ingleses depositam suas esperanças em Harry Kane e Jude Bellingham, responsáveis por 12 dos 13 gols da equipe no torneio. Mais do que isso, nenhum outro jogador balançou as redes pela seleção inglesa na fase eliminatória.

Agora, diante da Argentina, a equipe de Thomas Tuchel tentará escrever mais um capítulo de sua história. A semifinal será disputada na quarta-feira, 15 de julho, às 16h (de Brasília), no estádio de Atlanta. O vencedor disputará a final da Copa do Mundo de 2026 e manterá vivo o sonho inglês de encerrar uma espera de 60 anos pelo segundo título mundial.
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