De 1966 a 2026: Inglaterra busca reviver a campanha do título mundial

Após 60 anos do único título, Inglaterra tenta dar mais um passo rumo à taça

PorLucas Moreira GomesRio de Janeiro (RJ)
14/07/2026 08:10
Jude Bellingham e Harry Kane comemora gol da Inglaterra na Copa do Mundo
Jude Bellingham e Harry Kane comemora gol da Inglaterra na Copa do Mundo (Foto: Francois Nel / AFP)

A Inglaterra volta a enfrentar a Argentina em uma Copa do Mundo 24 anos depois com um objetivo claro: encerrar um jejum que dura desde 1966 e conquistar novamente o principal troféu do futebol. Embalada pelo lema "It's Coming Home" ("Está voltando para casa"), eternizado pela música da banda The Lightning Seeds durante a Eurocopa de 1996, a seleção inglesa alimenta o sonho de repetir o feito histórico alcançado há seis décadas, justamente em seu país.

A conquista de 1966 permanece como o maior capítulo da história do futebol inglês. Liderada por Bobby Charlton, Geoff Hurst e pelo técnico Alf Ramsey, a equipe superou desconfianças, apresentou um futebol consistente e ergueu a taça Jules Rimet diante de sua torcida.

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A jornada para conquistar o mundial

Na fase de grupos, disputada integralmente em território inglês, a campanha começou com um empate sem gols diante do bicampeão mundial Uruguai. O resultado gerou questionamentos, mas a equipe respondeu com duas vitórias consecutivas por 2 a 0, sobre México e França, garantindo a classificação sem sofrer gols.

Nas quartas de final, a Inglaterra encarou a Argentina em Wembley. Os sul-americanos contavam com uma geração talentosa, liderada pelo artilheiro Luis Artime e pelo zagueiro Roberto Perfumo. Diante de aproximadamente 90 mil torcedores, Geoff Hurst marcou aos 33 minutos do segundo tempo e garantiu a vitória por 1 a 0, mantendo a invencibilidade defensiva dos donos da casa.

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Na semifinal, o destino reservou um duelo entre dois dos maiores jogadores da época: Bobby Charlton e Eusébio. Em uma partida mais marcada pela intensidade do que pelo brilho técnico, Charlton abriu o placar no rebote do goleiro José Pereira, ainda na primeira etapa, e ampliou no segundo tempo após assistência de Hurst.

A seleção inglesa sofreu seu primeiro gol apenas aos 37 minutos da etapa final. Após Jack Charlton tocar na bola com a mão dentro da área, o árbitro assinalou pênalti. Eusébio converteu a cobrança e diminuiu a vantagem portuguesa, mas a reação parou no 2 a 1, resultado que colocou os anfitriões na decisão.

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Na grande final, a adversária foi a Alemanha Ocidental, novamente em Wembley. Os alemães abriram o placar com Helmut Haller, mas a resposta inglesa veio seis minutos depois, quando Geoff Hurst empatou de cabeça. Na segunda etapa, Martin Peters aproveitou o rebote do goleiro para virar o marcador.

Quando o título parecia encaminhado, Wolfgang Weber empatou aos 44 minutos do segundo tempo e levou a decisão para a prorrogação.

No tempo extra, surgiu o lance mais polêmico da história das Copas. Geoff Hurst acertou o travessão, a bola quicou próxima à linha e voltou ao campo. Apesar das imagens divulgadas posteriormente e da contestação alemã indicarem que ela não cruzou completamente a linha do gol, o árbitro suíço Gottfried Dienst, após consultar seu assistente, validou o lance. Já nos instantes finais da prorrogação, Hurst voltou a balançar as redes, fechou o placar em 4 a 2 e garantiu o primeiro — e até hoje único — título mundial da Inglaterra.

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O capitão Bobby Moore ergue a Taça Jules Rimet após a Inglaterra vencer a Alemanha Ocidental em uma final histórica e repleta de polêmicas de arbitragem no Estádio de Wembley
O capitão Bobby Moore ergue a Taça Jules Rimet após a Inglaterra vencer a Alemanha Ocidental em uma final histórica e repleta de polêmicas de arbitragem no Estádio de Wembley. (Foto: FIFA)

Trajetória na América do Norte

Sessenta anos após aquela campanha histórica, os ingleses voltam a cruzar o caminho da Argentina em Copas do Mundo. Agora, liderados por Harry Kane e Jude Bellingham, tentam dar mais um passo rumo ao sonho de fazer o troféu "voltar para casa".

Na Copa do Mundo de 2026, disputada na América do Norte, a equipe comandada por Thomas Tuchel terminou a primeira fase na liderança do Grupo L, com sete pontos. A campanha contou com vitória por 4 a 2 sobre a Croácia, empate sem gols diante de Gana e triunfo por 2 a 0 contra o Panamá.

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Na inédita fase de 16 avos de final, criada para esta edição do Mundial, o adversário foi a República Democrática do Congo. Embora o favoritismo apontasse para um confronto tranquilo, a seleção africana surpreendeu ao abrir o placar logo aos sete minutos, com Brian Cipenga, e controlar as ações durante boa parte da partida graças à velocidade dos contra-ataques e à marcação intensa.

Foi então que apareceu Harry Kane. O atacante marcou duas vezes e comandou a virada inglesa. Aos 30 minutos do segundo tempo, empatou para a Inglaterra. Aos 41, acertou um belo chute para garantir a vitória por 2 a 1 e a classificação.

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Nas oitavas de final, o desafio foi ainda maior: enfrentar o México diante de um Estádio Azteca completamente lotado. A preparação ficou marcada pelas críticas inglesas à altitude superior a dois mil metros e pelas manifestações da torcida mexicana nos arredores da concentração adversária.

Dentro de campo, porém, a Inglaterra mostrou superioridade. Jude Bellingham marcou dois gols em apenas dois minutos, aos 36 e aos 38 da primeira etapa. Quiñones descontou antes do intervalo. No segundo tempo, Harry Kane converteu um pênalti e ampliou para 3 a 1. A expulsão de Jarell Quansah recolocou os mexicanos na partida, que diminuíram para 3 a 2 aos 29 minutos, mas não conseguiram evitar a eliminação.

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Nas quartas de final, a surpresa ficou por conta da Noruega, responsável por eliminar o Brasil. Em Miami, os nórdicos saíram na frente com Andreas Schjelderup, aos 36 minutos do primeiro tempo. Ainda antes do intervalo, Jude Bellingham empatou nos acréscimos.

O equilíbrio permaneceu durante toda a segunda etapa, e a decisão foi para a prorrogação. Logo aos 93 minutos, Bellingham voltou a aparecer para marcar o gol da virada e garantir a classificação inglesa para a semifinal.

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Os protagonistas absolutos

A Inglaterra chega entre as quatro melhores seleções da Copa sustentada por um modelo de jogo equilibrado e por uma dupla decisiva no setor ofensivo. Se a Argentina conta com Lionel Messi, os ingleses depositam suas esperanças em Harry Kane e Jude Bellingham, responsáveis por 12 dos 13 gols da equipe no torneio. Mais do que isso, nenhum outro jogador balançou as redes pela seleção inglesa na fase eliminatória.

Bellingham e Kane comemoram o primeiro gol inglês sobre o México
Bellingham e Kane comemoram o primeiro gol inglês sobre o México (Foto: Yuri Cortez / AFP)

Agora, diante da Argentina, a equipe de Thomas Tuchel tentará escrever mais um capítulo de sua história. A semifinal será disputada na quarta-feira, 15 de julho, às 16h (de Brasília), no estádio de Atlanta. O vencedor disputará a final da Copa do Mundo de 2026 e manterá vivo o sonho inglês de encerrar uma espera de 60 anos pelo segundo título mundial.

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