Do 7 a 1 aos vexames: Alemanha quer voltar ao protagonismo na Copa do Mundo

Seleção chega com elenco 'low profile' e aposta em atletas da liga alemã para chegar longe no torneio

PorVinicius Barbosa HarfushSão Paulo (SP)
14/06/2026 05:30
Alemanha comemora título da Copa do Mundo de 2014. (Foto: AFP)
Alemanha comemora título da Copa do Mundo de 2014. (Foto: AFP)

A goleada histórica por 7 a 1 em cima do Brasil em 2014 parecia ter traçado um destino inevitável para a seleção da Alemanha em Copas do Mundo, onde o país ameaçava a hegemonia brasileira e parecia iniciar uma caminhada de dominância na modalidade. Mas o choque de realidade veio em 2018, com a queda precoce na fase de grupos, e que foi intensificado em 2022, quando o país se despediu mais uma vez após os três primeiros jogos. Agora, em 2026, sob o comando do jovem Julian Nagelsmann, os alemães querem retomar o protagonismo dentro de campo.

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São muitas as explicações para os vexames nas duas últimas Copas. Da troca de geração de jogadores às mudanças em como se joga futebol em alto nível, a Alemanha ainda não conseguiu reencontrar o seu caminho. A estreia neste domingo (14), às 14h (de Brasília) contra Curaçao, uma das estreantes do Mundial, dá um amplo favoritismo aos alemães e pode servir de combustível para a sequência do torneio.

O aumento no número de seleções imposto pela Fifa colocou na Copa países de pouca tradição no futebol, como o próprio Curaçao, mas a Alemanha não terá caminho tão simples assim. Terá Costa do Marfim e Equador pela frente, seleções que se destacaram nas Eliminatórias em seus continentes e que podem surpreender ao bater de frente com as gigantes.

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Alemanha 'low profile' e o adeus aos grandes ídolos

Para tentar superar os traumas recentes, Nagelsmann apostou em uma seleção "mais caseira" e apenas sete dos 26 convocados atuam fora do país. Dentre as grandes seleções, Argentina, Brasil, França, Holanda, Inglaterra e Portugal, a Alemanha é a segunda que mais valoriza os jogadores de sua própria liga, a Bundesliga, perdendo apenas para os ingleses com a Premier League.

O maior nome do elenco é Manuel Neuer, que voltou da aposentadoria da seleção que havia anunciado após a Copa de 2022, e não seria uma surpresa se o goleiro de 40 anos assumisse a titularidade no torneio. Ele briga com Baumann e Nubel. Ao seu lado, a maioria dos jogadores da lista de Nagelsmann são conhecidos por serem bons jogadores, mas não carregam a "aura" de astros mundiais. São os casos de Kimmich e Musiala, do Bayern de Munique, Wirtz, no Liverpool, Havertz, do Arsenal, e Rudiger, do Real Madrid.

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Esse cenário é bem diferente do que o elenco apresentava em 2014. No título mundial, por exemplo, o elenco tinha estrelas como Muller, que se aposentou da seleção após a Eurocopa de 2024, Klose, maior artilheiro da Copa, Podolski, Schweinsteiger e Phillip Lahm, três dos maiores de suas posições na época.

O estrelismo diminuiu um pouco nas Copas seguintes, mesmo com a chegada de nomes como Toni Kross, Gundogan e talentos mais jovens, como o próprio Havertz. O peso do elenco no papel sumiu, mas ainda havia uma expectativa pelo legado da geração anterior. Diante dos fracassos em 2018 e 2022, essa seleção "low profile" e que tem menos craques com nome pode ser uma solução para os alemães.

O futebol mudou e a Alemanha não acompanhou

Do ponto de vista técnico, a mudança de cenário entre o tetracampeonato de 2014 e o atual passa por uma alteração em como os principais times do mundo jogam futebol. Se antes os alemães repetiram parte da receita da Espanha, campeã em 2010 com um futebol mais técnico, agora o time ainda têm dificuldade de imprimir um estilo mais físico e mais veloz (aqui no sentido de longas corridas no campo).

A França, por exemplo, é uma das candidatas ao título Mundial e possui um elenco que equilibra bem jogadores fortes e rápidos, capazes de pressionar os adversários para roubar a bola e acionar tacantes como Mbappé, Dembelé e Olise, que tem fôlego e qualidade técnica para superar os rivais se tiverem espaço em campo.

A Espanha é um outro bom exemplo que pode servir de espanhol. Após passar pela mesma frustração alemã, justamente em 2014, quando caiu na fase de grupos como atual campeã, passou por um período de baixa e fez uma transição de geração de jogadores e estilo de hoje. Agora, chega à Copa como atual campeã da Eurocopa e com um estilo muito atual, que tem Lamine Yamal, Nico Williams e Oyarzabal como jogadores fortes e de velocidade, além de atletas mais cerebrais, a exemplo de Pedri e Fábian Ruiz pelo meio.

Caminho duro no mata-mata

Caso o objetivo de passar da fase de grupo seja concluído, a Alemanha ainda terá um longo caminho pela frente se quiser o pentacampeonato. E para medir o tamanho do desafio, é preciso analisar o "se". O primeiro lugar no Grupo E coloca os alemães no lado da chave que, teoricamente, terá justamente França e Espanha, duas das principais candidatas ao título e que devem ser as primeiras colocadas de sua chave.

Se for a segunda colocada, o que já seria um sinal preocupante para o time de Julian Nagelsmann, cai do lado que pode ter Brasil, Argentina, Portugal e Inglaterra, casos todas essas quatro também cumpram as previsões de lideraram seus grupos. Ou seja, para ser penta, a tetracampeã precisará superar desafios que não conseguiu se impor ao longo de quase uma década, mas dessa vez o time parece estar mais próximo das exigências técnicas e físicas do que esteve nas duas últimas Copas do Mundo.

Elenco da Alemanha para a Copa do Mundo de 2026. (Foto: ALEXANDER HASSENSTEIN / GETTY IMAGES NORTH AMERICA / Getty Images via AFP)

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