Como um projeto social nascido no Haiti colocou quatro 'pérolas' na Copa do Mundo

Iniciativa da ONG Viva Rio gerou frutos que agora enfrentam o Brasil no Mundial

PorPedro BernardoRio de Janeiro (RJ)
19/06/2026 17:00
Atualizado há 2 minutos

Supervisionado porAlessandra Ferreira,
Haiti, próximo adversário do Brasil no Grupo C
Quatro jogadores da seleção do Haiti iniciaram suas trajetórias jogando em gramados brasileiros (Foto: FraFIFE/AFP)

Quando a Seleção Brasileira comandada por Carlo Ancelotti enfrentar o Haiti nesta sexta-feira (19), pela segunda rodada da fase de grupos da Copa do Mundo, o confronto terá um roteiro de cinema nos bastidores. Quatro atletas que defendem as cores do país caribenho no Mundial têm suas trajetórias intimamente ligadas ao Brasil graças à Academia Pérolas Negras, uma iniciativa socioesportiva que fincou raízes em Porto Príncipe há duas décadas.

continua após a publicidade

➡️ Siga o Lance! no WhatsApp e acompanhe em tempo real as principais notícias do esporte

Torcedores do Haiti reagem durante a partida da Copa do Mundo FIFA 2026 entre Haiti e Escócia, em Porto Príncipe, em 13 de junho de 2026
Torcedores do Haiti reagem durante a partida da Copa do Mundo entre Haiti e Escócia, em Porto Príncipe (Foto: Clarens Siffroy / AFP)

O goleiro Josué Duverger, o lateral Carlens Arcus, o meio-campista Danley Jean Jacques e o atacante Derick Etienne foram formados por esse projeto, idealizado pela ONG Viva Rio. A semente foi plantada em um dos períodos de maior instabilidade civil e política da ilha, utilizando a paixão pelo futebol para transformar realidades por meio de estudo, saúde e esporte.

Jean Jacques, do Haiti, durante a partida do Grupo C da Copa do Mundo de 2026 entre Haiti e Escócia (Foto: Mattia Ozbot / Getty Images / AFP)
Jean Jacques, do Haiti, durante a partida do Grupo C da Copa do Mundo de 2026 entre Haiti e Escócia (Foto: Mattia Ozbot / Getty Images / AFP)

Quem são os quatro representantes do projeto na Copa do Mundo?

Danley Jean Jacques (26 anos): principal expoente da lista. O volante disputou a Copinha de 2017 pelo Pérolas Negras no Brasil, seguiu para o Metz (França) e atualmente se destaca na MLS defendendo o Philadelphia Union.

continua após a publicidade
Scott McTominay, camisa 4 da Escócia, disputa a bola com Danley Jean Jacques, camisa 17 do Haiti, durante a partida do Grupo C da Copa do Mundo da FIFA 2026 entre Haiti e Escócia, no Estádio de Boston (Foto: Mattia Ozbot / Getty Images / AFP)
Scott McTominay, camisa 4 da Escócia, disputa a bola com Danley Jean Jacques, camisa 17 do Haiti, durante a partida do Grupo C da Copa do Mundo da FIFA 2026 entre Haiti e Escócia, no Estádio de Boston (Foto: Mattia Ozbot / Getty Images / AFP)

Carlens Arcus (29 anos): dono de grande rodagem no futebol europeu, o lateral-direito foi lapidado no projeto em Porto Príncipe antes de construir sua carreira na França, onde defende o Angers.

Carlens Arcus, camisa 2 do Haiti, em ação durante a partida do Grupo C da Copa do Mundo de 2026 entre Haiti e Escócia (Foto: Mattia Ozbot / Getty Images / AFP)
Carlens Arcus, camisa 2 do Haiti, em ação durante a partida do Grupo C da Copa do Mundo de 2026 entre Haiti e Escócia (Foto: Mattia Ozbot / Getty Images / AFP)

Derick Etienne (29 anos): o atacante veloz também aproveitou os ensinamentos táticos e o apoio da academia antes de se firmar no cenário do futebol norte-americano.

continua após a publicidade
Derrick Etienne, aquece antes da partida de futebol do Grupo C da Copa do Mundo de 2026 entre Haiti e Escócia, no Estádio de Boston (Foto: Franck Fife / AFP)
Derrick Etienne, aquece antes da partida de futebol do Grupo C da Copa do Mundo de 2026 entre Haiti e Escócia, no Estádio de Boston (Foto: Franck Fife / AFP)

Josué Duverger (25 anos): o goleiro pertence à talentosa safra formada na filial caribenha e é uma das opções do elenco na condição de guarda-metas do país.

Josue Duverger (D) nº 23, do Haiti, chegam ao estádio antes da partida do Grupo C da Copa do Mundo da FIFA 2026 entre Haiti e Escócia, no Estádio de Boston (Foto: Buda Mendes / Getty Images via AFP)
Josue Duverger (D) nº 23, do Haiti, chegam ao estádio antes da partida do Grupo C da Copa do Mundo da FIFA 2026 entre Haiti e Escócia, no Estádio de Boston (Foto: Buda Mendes / Getty Images via AFP)

As conexões esportivas e humanitárias entre Brasil e Haiti ganharam força em 2004. Sob a chancela da Organização das Nações Unidas (ONU), o exército brasileiro assumiu o comando da Missão das Nações Unidas para a Estabilização no Haiti (Minustah). Naquele ano, a convite internacional, a Viva Rio desembarcou na região para apoiar comunidades vulneráveis.

O grande catalisador cultural dessa união ocorreu em agosto de 2004, com o histórico "Jogo da Paz", partida amistosa em que astros como Ronaldo e Ronaldinho Gaúcho desfilaram pelas ruas da capital haitiana sobre tanques, parando o país. Foi nesse cenário de esperança que nasceu o Pérolas Negras, oferecendo estrutura médica, alimentar e educacional para jovens talentos locais.

Com o amadurecimento dos meninos, as fronteiras geográficas foram ultrapassadas. Em 2016, a academia estruturou um centro de treinamentos no estado do Rio de Janeiro. Com um elenco formado majoritariamente por haitianos e refugiados políticos, a equipe chamou a atenção ao disputar a tradicional Copa São Paulo de Futebol Júnior (Copinha) nas edições de 2016 e 2017.

O projeto cresceu, filiou-se à FERJ e se profissionalizou. Após conquistar a taça da Série B2 (quarta divisão), o clube hoje compete na Série A2 do Campeonato Carioca, mantendo ativadas as suas categorias de base em solo fluminense.

🔥SUPERODD 16x no Brasil: Vini Jr marcar 1 gol com Odd 16.00 - apenas contas novas na Esportivabet
É preciso ter mais de 18 anos para participar de qualquer atividade de jogo de apostas. Jogue de forma responsável.

Sugerida para você!


Mais LANCE!