Como um projeto social nascido no Haiti colocou quatro 'pérolas' na Copa do Mundo
Iniciativa da ONG Viva Rio gerou frutos que agora enfrentam o Brasil no Mundial

Quando a Seleção Brasileira comandada por Carlo Ancelotti enfrentar o Haiti nesta sexta-feira (19), pela segunda rodada da fase de grupos da Copa do Mundo, o confronto terá um roteiro de cinema nos bastidores. Quatro atletas que defendem as cores do país caribenho no Mundial têm suas trajetórias intimamente ligadas ao Brasil graças à Academia Pérolas Negras, uma iniciativa socioesportiva que fincou raízes em Porto Príncipe há duas décadas.
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O goleiro Josué Duverger, o lateral Carlens Arcus, o meio-campista Danley Jean Jacques e o atacante Derick Etienne foram formados por esse projeto, idealizado pela ONG Viva Rio. A semente foi plantada em um dos períodos de maior instabilidade civil e política da ilha, utilizando a paixão pelo futebol para transformar realidades por meio de estudo, saúde e esporte.

Quem são os quatro representantes do projeto na Copa do Mundo?
Danley Jean Jacques (26 anos): principal expoente da lista. O volante disputou a Copinha de 2017 pelo Pérolas Negras no Brasil, seguiu para o Metz (França) e atualmente se destaca na MLS defendendo o Philadelphia Union.

Carlens Arcus (29 anos): dono de grande rodagem no futebol europeu, o lateral-direito foi lapidado no projeto em Porto Príncipe antes de construir sua carreira na França, onde defende o Angers.

Derick Etienne (29 anos): o atacante veloz também aproveitou os ensinamentos táticos e o apoio da academia antes de se firmar no cenário do futebol norte-americano.

Josué Duverger (25 anos): o goleiro pertence à talentosa safra formada na filial caribenha e é uma das opções do elenco na condição de guarda-metas do país.

As conexões esportivas e humanitárias entre Brasil e Haiti ganharam força em 2004. Sob a chancela da Organização das Nações Unidas (ONU), o exército brasileiro assumiu o comando da Missão das Nações Unidas para a Estabilização no Haiti (Minustah). Naquele ano, a convite internacional, a Viva Rio desembarcou na região para apoiar comunidades vulneráveis.
O grande catalisador cultural dessa união ocorreu em agosto de 2004, com o histórico "Jogo da Paz", partida amistosa em que astros como Ronaldo e Ronaldinho Gaúcho desfilaram pelas ruas da capital haitiana sobre tanques, parando o país. Foi nesse cenário de esperança que nasceu o Pérolas Negras, oferecendo estrutura médica, alimentar e educacional para jovens talentos locais.
Com o amadurecimento dos meninos, as fronteiras geográficas foram ultrapassadas. Em 2016, a academia estruturou um centro de treinamentos no estado do Rio de Janeiro. Com um elenco formado majoritariamente por haitianos e refugiados políticos, a equipe chamou a atenção ao disputar a tradicional Copa São Paulo de Futebol Júnior (Copinha) nas edições de 2016 e 2017.
O projeto cresceu, filiou-se à FERJ e se profissionalizou. Após conquistar a taça da Série B2 (quarta divisão), o clube hoje compete na Série A2 do Campeonato Carioca, mantendo ativadas as suas categorias de base em solo fluminense.
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