Cabo Verde-Amarela: estreia na Copa faz torcida vibrar do outro lado do oceano

Comunidade cabo-verdiana se reúne para assistir ao jogo contra a Espanha

PorPedro WerneckRio de Janeiro (RJ)
15/06/2026 19:28
Atualizado há 1 minutos

Os imigrantes de Cabo Verde encontraram no município de Mesquita, na Região Metropolitana do Rio de Janeiro, uma nova casa. Por lá, os torcedores cabo-verdianos se reuniram nesta segunda-feira (15) para assistir ao histórico empate por 0 a 0 com a Espanha no primeiro jogo de Copa do Mundo da história do país africano. Assista ao vídeo acima.

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A diáspora de Cabo Verde é quase três vezes maior do que a sua população: mais de um milhão de cabo-verdianos moram fora do arquipélago africano. O Brasil, que compartilha o mesmo idioma, foi um dos destinos buscados pelos que saíram de lá, especialmente nas décadas de 1960 e 1970. Em Mesquita, encontraram uma região rural que lembrava o país de origem. Hoje, a maior parte da comunidade cabo-verdiana na Baixada Fluminense é composta por filhos, netos e bisnetos dos imigrantes. Essas famílias mantêm a conexão com a terra natal por meio da culinária, cultura e, claro, do futebol.

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Encontro de gerações em Mesquita

O evento desta segunda reuniu cerca de 100 pessoas e foi organizado pelo cônsul honorário de Cabo Verde, Pedro Santos, em parceria com a Associação Cabo-verdiana do Estado do Rio de Janeiro. A comunidade decorou o local com elementos do país e sua seleção, apelidada de Tubarões Azuis, e serviu comida típica cabo-verdiana. Entre os tantos jovens e adultos já nascidos em solo brasileiro, também estiveram por lá imigrantes que deixaram a África há mais de 50 anos.

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Gil Timas, de 68 anos, é exemplo deste encontro de gerações: veio com os pais para o Brasil em 1972, construiu a vida por aqui e tem um sotaque que explicita a mescla de nações. Como tantos outros imigrantes, o torcedor é originário da Ilha de São Nicolau, uma das dez que compõem o arquipélago de Cabo Verde. Antes do início do jogo contra a Espanha, ele torcia por um improvável empate, mas já se orgulhava da seleção muito antes da confirmação do histórico resultado.

— Temos orgulho dos Tubarões Azuis, que representam um país de população tão pequena (terceira menor da África) e conseguiram estar lá na Copa, divulgando Cabo Verde para o mundo. Brasileiros e cabo-verdianos estão unidos: assim como nós torcemos para o Brasil, a maioria dos brasileiros vai apoiar Cabo Verde. É um orgulho muito grande — celebrou ao Lance!.

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Torcedores de Cabo Verde posam para foto em Mesquita
Torcedores de Cabo Verde posam para foto em Mesquita (Foto: Pedro Werneck / Lance!)

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Resiliência de Cabo Verde premia torcida emocionada

Depois que a bola rolou em Atlanta (EUA), a esperança dos presentes em Mesquita aumentou. Os Tubarões Azuis não atacaram muito, é verdade, mas os torcedores vibraram intensamente com cada corte dos zagueiros e cada defesa do goleiro Vozinha, como é apelidado Josimar, nomeado em homenagem a ex-lateral brasileiro. A Seleção Brasileira, aliás, sempre motivou a paixão do povo cabo-verdiano pelo futebol e certamente contribuiu para o nascimento do pioneiro time atual.

Um dos torcedores que mais comemorou as defesas do arqueiro de 40 anos foi João Antonio Vaz, nascido no Brasil e filho de pais cabo-verdianos que se conheceram já do outro lado do oceano. Para ele, o resultado contra os espanhóis foi ótimo, mas o melhor foi a reunião da enorme família de Cabo Verde para apoiar os seus representantes.

— É um misto de emoções difícil de escrever, arrepia. Na primeira participação, contra a campeã europeia Espanha, a gente esperava perder de pouco, sendo honesto. Mas conseguiu conter a Espanha, conquistar o primeiro ponto na primeira vez. "A primeira vez a gente nunca esquece", como dizem. Estou muito feliz. A gente não foi para a Copa com intuito de vitórias, mas de participar e, o mais importante, se reunir. Aqui está reunida toda a diáspora, todos os familiares, e essa união é o mais gostoso: todos vibrando com cada lance, cada momento. É muito gratificante! — destacou.


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