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Argentina chega à semi da Copa e reedita duelo histórico contra a Inglaterra

Time terá decisão com inimiga histórica por vaga na final

PorThiago BragaSão Paulo (SP)
12/07/2026 07:56
Jogadores da Argentina comemoram vitória sobre a Suíça na Copa do Mundo de 2026
Jogadores da Argentina comemoram vitória sobre a Suíça na Copa do Mundo de 2026 (Foto: CHARLY TRIBALLEAU / AFP)

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Durante muitos anos, a história da Argentina em Copas do Mundo parecia marcada por episódios que escapavam ao controle. Houve o doping de Diego Maradona em 1994, a expulsão de Ariel Ortega em 1998 e campanhas turbulentas nos Mundiais de 2002, 2010 e 2018, sempre acompanhadas da sensação de que algum detalhe impediria a seleção de avançar. O título conquistado no Catar, em 2022, alterou essa percepção. Desde então, a equipe passou a atravessar momentos de tensão sem perder a convicção de que encontrará uma saída.

A classificação para as semifinais da Copa do Mundo de 2026 reforçou essa mudança de roteiro. A vitória sobre a Suíça exigiu mais do que talento. Exigiu paciência para suportar uma partida travada, capacidade de sobreviver quando o controle escapava e qualidade suficiente para transformar uma única oportunidade no lance decisivo. O resultado colocou os argentinos entre os quatro melhores do torneio pela terceira vez nas últimas quatro edições, repetindo o que fizeram em 2014 e 2022. Antes desse ciclo, a seleção não chegava a uma semifinal desde 1990.

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Na semifinal, a Argentina terá pela frente um adversário que desperta memórias profundas na história da Copa do Mundo. Quarenta anos depois do duelo que marcou o Mundial de 1986, os argentinos reencontrarão a Inglaterra em um confronto carregado de simbolismo.

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Naquele 22 de junho, no Estádio Azteca, Diego Maradona comandou a vitória por 2 a 1 com os dois gols mais célebres de sua carreira: o da "Mão de Deus" e o antológico lance em que atravessou a defesa inglesa antes de marcar o que a Fifa viria a eleger como o Gol do Século. A classificação de 2026, portanto, recoloca frente a frente duas seleções ligadas por um dos capítulos mais emblemáticos da história dos Mundiais, agora com Lionel Messi liderando a tentativa argentina de escrever um novo episódio dessa rivalidade.

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Messi decide sem marcar

Pela primeira vez nesta Copa do Mundo, Lionel Messi deixou o campo sem balançar as redes. Ainda assim, voltou a ser determinante.

Julián Álvarez comemora gol da Argentina sobre a Suíça, na Copa do Mundo
Julián Álvarez comemora gol da Argentina sobre a Suíça, na Copa do Mundo (Foto: Odd Andersen/AFP)

Logo nos minutos iniciais, o camisa 10 cobrou um escanteio fechado pela esquerda, e Alexis Mac Allister apareceu na primeira trave para desviar de cabeça e abrir o placar. O lance representou a décima assistência de Messi em Copas do Mundo, ampliando um recorde que ele próprio havia estabelecido na fase anterior.

Mesmo sem marcar, o capitão argentino continuou sendo o ponto de referência da equipe. Sempre que o jogo parecia escapar do controle, a bola procurava seus pés. Era a tentativa natural de encontrar uma solução por meio do jogador que transformou o improvável em rotina ao longo de seis Mundiais.

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A Suíça, entretanto, ofereceu problemas que poucos adversários haviam conseguido criar até aqui. O empate de Dan Ndoye nasceu justamente quando os europeus encontravam espaço nas costas da defesa argentina, explorando a dificuldade do meio-campo em controlar a partida. Em vários momentos, a equipe de Lionel Scaloni esteve distante da segurança demonstrada nas fases anteriores.

Julián Álvarez vira protagonista

O momento mais controverso da partida aconteceu pouco depois do empate suíço. Já advertido com cartão amarelo, Breel Embolo voltou a disputar uma bola com Leandro Paredes dentro da área e caiu pedindo a marcação da falta.

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Após revisão do VAR, a arbitragem concluiu que o atacante suíço havia simulado o contato e aplicou o segundo cartão amarelo, seguido da expulsão. A decisão mudou completamente o contexto da partida e devolveu à Argentina o controle territorial que vinha escapando desde o início do segundo tempo.

Mesmo com um jogador a mais, a classificação demorou a se desenhar. A Suíça manteve suas linhas baixas, protegeu a entrada da área e parecia confortável em levar o confronto até a disputa por pênaltis.

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Foi então que Lionel Scaloni encontrou a resposta no banco de reservas. José Manuel López entrou para atuar pelo lado direito e participou diretamente da jogada que decidiu o confronto. O atacante encontrou Julián Álvarez, que ainda não havia marcado nesta edição da Copa do Mundo. O camisa 9 dominou e acertou um chute de rara precisão no ângulo esquerdo de Gregor Kobel, encerrando uma partida que parecia caminhar inevitavelmente para a prorrogação.

Os números ajudam a entender por que a equipe segue viva. Ao longo da campanha, a Argentina acumulou 17 gols, média de 2,8 por partida, construiu 98 finalizações, das quais 41 acertaram o alvo, e produziu um futebol apoiado na circulação constante da bola. Foram 4.112 passes, média de 685,3 por jogo, com 3.739 concluídos, além de 893 tentativas de quebra de linhas, indicador que evidencia uma equipe disposta a acelerar quando encontra espaço entre os setores adversários.

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A classificação também ampliou outro dado expressivo da trajetória argentina em Mundiais. Esta foi a 13ª partida da seleção que precisou de tempo extra, um recorde na história da competição. Dessas treze, a Argentina venceu onze, incluindo os confrontos resolvidos nas cobranças de pênaltis, consolidando uma relação quase sempre favorável com os momentos de maior tensão.

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Agora, o próximo desafio será diante da Inglaterra, em um duelo que promete colocar frente a frente duas seleções acostumadas a sobreviver em jogos apertados. Os ingleses certamente enxergaram espaços que podem ser explorados contra o sistema defensivo argentino. Também sabem que, enquanto Lionel Messi estiver em campo, qualquer cenário continua sujeito a mudar em poucos segundos.

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