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Análise tática do Guffo: como encaixar Rodri no Barcelona?

Volante pode transformar a estrutura da equipe e elevar o nível do projeto de Hansi Flick

PorGustavo Fogaça
Colunista
Rio de Janeiro (RJ)
07/08/2026 13:41

Autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, esse texto não reflete necessariamente a opinião do Lance!
Rodri, volante da Espanha, faz lançamento durante jogo contra a Bélgica nas quartas de final da Copa do Mundo
Rodri, volante da Espanha, faz lançamento durante jogo contra a Bélgica nas quartas de final da Copa do Mundo (Foto: Luke Hales/AFP)

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A possível chegada de Rodri ao Barcelona de Hansi Flick é o tipo de contratação que muda o patamar de um clube. Falamos de um jogador que é, provavelmente, o melhor meio-campista posicional do mundo neste momento.

E o que isso significa na prática? Que o Barcelona ganha um eixo defensivo, um ordenador de jogo e um liberador de talentos em uma só peça.

A lesão de De Jong abriu a porta, e Flick intercedeu com veemência. O Manchester City não quer baixar o valor, a negociação será dura. Mas, se concretizar, será a contratação mais surpreendente do verão europeu.

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O mecanismo é claro. O Barcelona de Flick teve gol de sobra na temporada passada. Foi o time mais goleador da La Liga, diversificou o poder de finalização entre Lewandowski, Ferran e Rashford.

O que faltou foi jogo interior em três quartos de campo, aquela capacidade de dominar a entrada da área rival com inteligência posicional.

Rodri resolve isso de duas formas.

Primeiro, ele é um volante autossuficiente no círculo central, capaz de organizar a saída e empurrar a equipe para cima sem depender de ninguém.

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Segundo, ele libera Pedri para selecionar os momentos de aparecer mais adiantado, na coroa da área, filtrando passes e rompendo retrancas.

A compatibilidade entre Pedri e Rodri

A grande questão é a compatibilidade entre Pedri e Rodri.

No Mundial, a dupla chegou a engasgar a ponto de Pedri perder a titularidade. Mas aquele foi um torneio curto, com Pedri chegando desgastado do final de temporada e com Rodri tendo pouca conexão com Lamine Yamal.

No ecossistema do Barcelona, a teoria aponta para uma complementaridade real.

Rodri é muito mais posicional que Frenkie de Jong, o que muda a divisão de espaços na base da jogada.

De Jong fugia do círculo central por inércia e obrigava Pedri a preencher aquele vazio. Com Rodri, isso deixa de acontecer.

Pedri ganha a liberdade de decidir em qual altura do campo quer intervir, sem ser preso à construção.

Possível onze inicial do Barcelona em 2026/27 com Rodri
Possível onze inicial do Barcelona em 2026/27 com Rodri (Foto: Arte/Lance!)

Defensivamente, o ganho é ainda mais significativo.

A Espanha foi a seleção que menos gols sofreu no Mundial, e Unai Simón virou figura secundária. O protagonista discreto disso foi Rodri, com sua capacidade de dominar a entrada da área, coordenar a pressão e dar cobertura estrutural após a perda de bola.

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O Barcelona de Flick tem sido um time de pressão agressiva, mas quando a primeira linha era superada, o bloqueio médio se desorganizava.

Rodri traz aquele perfil de volante estilo Xabi Alonso, que sabe quando saltar, quando segurar e quando recompor.

É inteligência tática que se transmite por contágio aos mais jovens.

O impacto no elenco é uma cascata.

Se Rodri toma a posição de volante, a vaga em disputa passa a ser a de meia-atacante.

Fermín, Gavi, Bernal e até Dani Olmo disputam esse posto.

E quando De Jong retornar da lesão, o cenário mais provável é vê-lo como o meio-campista mais adiantado do trio, aproveitando sua verticalidade sem bola e sua capacidade de chegada.

Flick já havia usado De Jong nessa função em momentos da temporada passada, com Casadó como volante e Pedri na base.

Com Rodri, esse desenho ganha uma dimensão superior, porque o volante passa a ser de elite mundial.

Existe um risco: o centroavante

O risco está na frente.

Se Rashford e Ferran Torres saírem sem a chegada de um 9 de referência, o Barcelona perde o "gol feio", aquele gol imerecido que resolve jogos ruins.

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Ferran como falso 9 pode funcionar taticamente, especialmente com a permuta de posições com Lamine Yamal, que parte da ponta para o centro e vice-versa.

Mas Ferran é um especialista de arremate, um chegador de segunda linha. Ele precisa que o time jogue bem para marcar.

E em temporadas longas, sempre há jogos em que o time joga mal.

Sem um centroavante de faro, o Barça fica refém de sua própria estética.

Como encaixar Rodri no Barcelona é um daqueles problemas bons de resolver, que elevam o teto do time e o piso do elenco ao mesmo tempo.

O cenário é de um Barça 3.0 onde o meio-campo passa a ser a força motriz.

O risco é claro: sem um 9 que resolva jogos travados, o time pode se afogar na própria posse em noites ruins.

A expectativa é que Flick entenda que Rodri transforma o contexto, mas completa o time.

Se o Barcelona fechar com Rodri e mais um finalizador de área, vira fortíssimo candidato a tudo.

Se fechar só Rodri, será melhor, mais ordenado e mais dominante, mas ainda carregará a mesma cicatriz: dependência de jogar bonito para marcar.

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