Lúcio de Castro: Fifa, Infantino e o fantasma de ghost
Cartola segue no centro das atenções após turbulências nos bastidores da entidade

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"Saia do meu trem".
O susto de Sam foi grande.
Morrendo de amor pela linda Molly, com a alma ardendo de ódio pelo falso amigo Carl, circulava sem destino pelo metrô novaiorquino até ser violentamente interpelado.
A ordem tinha vindo da parte do "Fantasma do Metrô".
Magistral e tão verossímil na caracterização que dava para assombrar, o personagem vivido por Vincent Schiavelli não queria largar o osso.
Não se conformava que era apenas uma alma penada.
Tinha que se manter no poder a qualquer custo. No caso, o poder era o vagão do metrô.
Disposto a qualquer coisa para não perder o controle do comboio.
Desde a última semana, Gianni Infantino guarda muita semelhança com o fantasma de "Ghost".
Agarrado ao seu vagão, não mede esforço para seguir por ali.
Mas, sobrevivendo ou não, é exatamente isso: um fantasma.
Não, não mudei de opinião em relação à última semana, quando disse que ainda não era possível dar Infantino como totalmente morto em termos de Fifa e poder.
Não dá para achar que o esquema que iria sequestrar o jogo e entregar boa parte do cofre aos Trumps está enterrado.
Repito a frase que escrevi então:
"Vão deixar a poeira baixar. E vão voltar quando todo mundo baixar a guarda".
Num sistema corrupto e viciado como o da Fifa e, de modo geral, como o sistema do esporte mundial, quem tem a chave do cofre tem boa parte do caminho andado.
Havelange sistematizou toda essa engrenagem do mal: quem tem a senha da conta corrente tem os votos.
Exagero por aí em palestras e resenhas sobre o tema mundo afora dizendo que Havelange inventou como fazer girar essa máquina.
Ok, falo um pouco mais pesado do que isso.
Se não é isso, é quase isso.
Blatter aperfeiçoou.

Elevou tudo isso a imensa potência até aquele 27 de maio em que o FBI bateu na porta do Baur au Lac suíço e fez brotar um Fifagate.
Infantino transformou os antecessores em meninos com seus cofrinhos de moeda perto dele.
Jogando em um tempo com um sistema financeiro mundial muito mais sofisticado, abriu as portas daquela que deveria proteger a integridade do jogo aos financistas.
Deu no que deu.
Ou não.
Gravei um "Lúcio de Papo" aqui para esse Lance!, quadro de resenha que me dá um descanso e um sopro de breve descanso das notícias mais pesadas, com Tariq Panja.
Repórter do primeiro elenco, amigo bom e parceiro de tantas jornadas por aí atrás de notícias.
Cobre Fifa há vinte anos para o New York Times.
Ninguém conhece aqueles tapetes de Zurique e como funciona aquela máquina de poder da FIFA como ele.
Vale a pena conferir o papo.
Do alto de seu conhecimento sobre Fifa e Infantino, conta que o todo-poderoso tinha desde sempre esse DNA: de inebriar-se pelo poder, de gostar das coisas da corte.
Foi assim que o tombo veio.
Se vai cair ou não, é para outro "Lúcio de Papo".
Por enquanto, Infantino vai seguir como o "Fantasma de Ghost": vagando por aí, mas ainda dono de um vagão.
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